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Ex-gerente do Santos diz que foi ironizado em 2018 por ir contra acerto com Robinho: 'Muito acadêmico'

Nesta sexta-feira, conversas do passado entre Robinho e seus amigos foram vazadas pelo site GloboEsporte.com. As mensagens, cruciais para a condenação do atleta em primeira instância na Itália por violência sexual coletiva a uma mulher de origem albanesa, aumentaram ainda mais a crise no Santos.

De volta ao clube que o revelou neste ano, o jogador, que entrou em acordo com a direção para suspender o contrato por conta da situação judicial, já havia deixado o clima interno quente em 2018, quando esteve próximo de retornar, mas acabou sendo descartado pelos problemas judiciais. E o ESPN.com.br traz em primeira mão os bastidores do veto ao destaque do título do Brasileiro de 2002.

Condenado em primeira instância em 2017, Robinho estava livre no mercado na janela que iniciaria a temporada 2018. O clube, através do presidente José Carlos Peres, queria repatriar o atleta. No entanto, um entrave aconteceu entre futebol e comunicação. Na mesma época, o então mandatário havia contratado Vinicius Lordello, responsável pela gerência de reputação e credibilidade do clube e que participou diretamente das conversas com a direção.

O profissional, responsável por manter a imagem da instituição limpa, foi contrário de imediato à contratação de Robinho. Segundo Lordello, muita gente dentro do clube era a favor de repatriar o atleta, mesmo com o problema judicial na Itália. Enquanto tentava convencer por diversas vezes a direção de que a volta de Robinho causaria muitos danos ao time da Vila Belmiro, ele chegou a ser ironizado por um dirigente sendo chamado de ‘profissional muito acadêmico’.

“Logo que o presidente me chamou, na transição de 2017 para 2018, o Robinho estava livre, a contratação foi considerada. Eu expliquei mais de uma vez para o presidente que se a ideia era me contratar para que desenvolvesse um trabalho da reputação e credibilidade, não era compatível trazer um jogador, seja ele qual fosse, com uma investigação em andamento, como é o caso do Robinho na Itália”, conta Lordello.

“Eu ouvi uma vez de um gestor que eu estava sendo muito acadêmico. ‘Essa história de estudo é para os Estados Unidos. Aqui é Santos’. Eu ouvi isso. Como se o que a gente estudasse, sou professor na CBF, não valesse para um clube de futebol. E o que acontece hoje é que não vale, justamente pela mentalidade tacanha de alguns, não estou generalizando, mas as resistências eram doloridas. O que é profissional não é fácil, vai incomodar, mas é preciso que seja feito. É melhor que seja feito de uma maneira profissional do que de uma forma amadora. Às vezes, um movimento amador traz resultados que temos visto”, completou.

Lordello ainda disse que muitos clubes de futebol ainda não conseguem separar razão e emoção. Principalmente quando o pensamento mais racional vem de um profissional contratado e que não tem o clube como time do coração, como aconteceu no Santos. Ainda assim, diante de todos os desgastes que vivenciou na Vila, ele acredita que o certo foi feito na época.

“Pode parecer uma fala de agora, mas eu deixei muito claro ao Peres. Não é condenar ou não, há uma investigação em andamento. Levei para ele um paralelo. Você está no mundo corporativo, você pensa em contratar um profissional e descobre que está sendo investigado por desvio de dinheiro, de receita. Ele não foi condenado. Na dúvida, você traz ou não? É considerar o contexto para ver se traz ou não atleta com um problema relevante lá fora. Quem vai condenar é a Justiça, mas o cuidado com a marca não pressupõe esperar uma condenação em definitivo”.

“Teve desgaste e extrapola o Santos. Direção precisa ser composta por torcedores. Eu fui levado como profissional, não sou santista de berço. Aí as pessoas falam, esse não é torcedor, não sentou na arquibancada. É a função do profissional de verdade alertar para riscos e oportunidades dentro de um clube. Naquele momento, o meu alerta era um alerta de um profissional. Teve um desgaste grande, mas foi o melhor a ser feito”, finalizou.