Difícil não se recordar do passado recente do Manchester United, ao ver o clube, mais uma vez, a um passo da final da Liga Europa, o último troféu conquistado pelos Red Devils, na temporada 2016/17.
Neste domingo, às 16h (de Brasília), os ingleses encaram o Sevilla, com acompanhamento em tempo real do ESPN.com.br e transmissão do Fox Sports, por uma vaga na decisão para tentar repetir o feito de quatro temporadas atrás.
Alguns jogadores do atual elenco são remanescentes daquela campanha de 2017: Sergio Romero, Matic (que não jogou a final), Pogba, Rashford e Martial disputam o bi.
Mas Wan Bissaka, Lindelof, Maguire, Williams, Greenwood e principalmente Bruno Fernandes, que “chegou chegando” nesta temporada e mudou totalmente a cara do time, buscam conquistar a taça pela primeira vez no United.
Devido aos estilos diferentes de mentalidade e esquema tático, comparar os dois times é tarefa complicada. Até porque alguns jogadores de 2017 são versões diferentes deles mesmos em 2020.
Mas qual time é melhor?
Trajetórias
A começar pelos adversários, a campanha da equipe de 2017 na Liga Europa foi mais complicada - e o United sofreu.
Na fase de grupos, classificou-se com 12 pontos - um a menos do que Fenerbahce. Depois, encarou os franceses do Saint-Étienne, Rostov, Celta de Vigo, Anderlecht (jogo em que Ibrahimovic rompeu os ligamentos cruzados do joelho direito) até a final, contra o Ajax.
Na atual temporada, O United teve um fase de grupos mais tranquila, classificando-se com 13 pontos - quatro a mais que o AZ Alkmaar. A sequência também foi mais amena, com Club Brugge, LASK (Áustria) e Copenhagen.
Apenas na semifinal, contra o Sevilla, os Reds vão encarar um clube de maior tradição. Um bicho-papão, aliás.
A equipe da Andaluzia é a maior vencedora da competição, com cinco títulos, somando os dois conquistados na época em que o torneio ainda era chamado de Copa da Uefa: 2006, 2007, 2014, 2015 e 2016.
Uma possível final também promete dificuldade. Os "brasileiros" do Shakhtar Donetsk, que classificaram-se com goleada de 4 a 1 sobre o Basel, duelam com a forte Internazionale na segunda-feira pela vaga na decisão.
Ou seja: ao menos no papel, e com base na tradição dos adversários, pode-se dizer que o time campeão em 17 soube como bater adversários mais complicados para chegar ao título.
Por outro lado, se teve adversários teoricamente mais fáceis, o time da atual temporada cumpriu as expectativas e passou por quase todos sem muitas complicações (sofreu apenas nas quartas, contra o Copenhagen, e venceu com gol de pênalti aos 50 do segundo tempo).
E se chegar ao título passando por Sevilla e desbancando Inter ou Shakhtar, poderá até dizer que teve um caminho mais complicado.
Mourinho x Solskjaer
Na temporada 2016-2017, a conquista da segunda mais importante competição europeia parecia um bom prenúncio para os Red Devils de José Mourinho.
Era a primeira temporada do técnico no comando da equipe, depois de ter feito história no rival Chelsea, conquistando três Premier Leagues.
Naquela temporada, Mourinho levantou outros dois troféus com o United, além da Liga Europa: Supercopa da Inglaterra e a Copa da Liga Inglesa.
Na Premier League, mesmo tendo ficado invicto por 25 partidas - 12 empates - não foi particularmente brilhante. Terminou a liga no sexto lugar, o que o colocaria de novo na Liga Europa na temporada seguinte.
Mas acabou jogando mesmo a Champions League, graças justamente ao título da Liga Europa, com um 2 a 0 sobre o Ajax.
No jogo em que foi campeão, o United foi a campo com Sergio Romero; Antonio Valencia, Smalling, Blind e Darmian; Ander Herrera, Fellaini, Pogba, Mata (Rooney) e Mkhitaryan (Lingard); Rashford (Martial)
Mas a temporada que, apesar dos altos e baixos, parecia um começo promissor para Mourinho, foi, na verdade, a melhor em termos de conquistas do técnico no clube.
Mourinho até fez uma boa Premier League na temporada seguinte, ficanco com o vice-campeonato, mas não ganhou mais nada e deixou Old Trafford batendo boca com torcedores, em 2018/19.
Recomeço
Corta para 2019/20.
Nesta temporada, em vez de um técnico badalado, o time é comandado por um ex-jogador e ex-interino do clube.
Ole Gunnar Solskjaer foi o sucessor justamente de Mourinho, que teve um final melancólico no clube, com apenas 58% de aproveitamento total, puxado pelo desempenho insatisfatória na Premier League de 2018/19.
O nourueguês começou como interino em outubro do ano passado e levou o time ao sexto posto no Inglês, posição que o colocou na fase de grupos da Liga Europa que agora disputa.
De interino, foi ganhando moral e, principalmente, apoio da torcida, até se tornar efetivo, em março.
Nesta temporada, o time de Solsakjaer teve dois momentos bem marcados. Até a parada devido à pandemia, o time mesclava boas e más apresentações, embora tenha chegado até lá em terceiro.
A contratação de Bruno Fernandes, cerca de um mês antes da paralisação, melhorou o time, que retornou em junho com boas atuações e manutenção do terceiro lugar, com 77,8% dos pontos conquistados no período pós-parada e resultados bastante satisfatórios.
O time só teve desempenho pior que o do rival Manchester City (80%) no período de retomada do Inglês e ficou invicto desde o recomeço dos jogos.
Desse modo, chega com mais moral que o time de 2017 à semifinal europeia - mesmo tendo passado do Copenhague no susto, nas quartas, com um gol de pênalti já na prorrogação.
Se Solskjaer vencer a competição continental, levantará não apenas seu único troféu na temporada, mas seu primeiro como técnico do clube e como treinador na Inglaterra.
Sua provável escalação para este domingo é : Sergio Romero (De Gea); Wan Bissaka, Lindelof, Maguire, Williams; Matic, Pogba; Greenwood, Fernandes, Rashford; Martial.
