A carreira de um jogador de futebol traz chances de reviravoltas e redenção tão bem desenhadas que fica até difícil acreditar. Os famosos momentos “isso é bom demais para ser verdade”.
Weverton deixou o gramado sintético do Allianz Parque certamente pensando nisso. No sábado, 8 de agosto de 2020, ao comemorar o título do Campeonato Paulista justamente contra o Corinthians, o camisa 1 do Palmeiras deve ter voltado a 2006.
Pois se ontem defendeu as cobranças de Michel Macedo e Cantillo para consolidar a conquista do Verdão, houve um tempo em que ele era visto como um mau pegador de penais.
Foi em 2006, numa segunda fase de Copa São Paulo, que um goleiro do time sub-20 do clube do Parque São Jorge foi sacado por seu técnico nos minutos finais de um jogo decisivo. A ideia era colocar em campo Célio, que tinha fama de pegador de pênaltis, para atuar na decisão que se encaminhava.
E, embora o jovem promissor fosse muitas vezes erradamente chamado de Everton, tratava-se mesmo de Weverton. Que viu naquele dia, do lado de fora, o Alvinegro ser eliminado pelo Fortaleza - apesar de Célio ter defendido o primeiro pênalti.
(Naquele jogo, havia também no Corinthians um jovem Willian, que perdera um pênalti no tempo normal, mas que fez o seu gol na disputa. Se você pensou no jogador do Chelsea, que está de saída para o Arsenal, pensou certo).
A substituição de Weverton naquela copinha é uma ironia dado não só pelo que aconteceu no sábado, mas também o que houve no Maracanã, em 20 de agosto de 2016.
Na disputa do ouro olímpico, o então goleiro do Athletico-PR defendeu a cobrança do alemão Petersen, que abriu caminho para Neymar selar a conquista da medalha inédita
Conformado
Seria fácil criticar a decisão do técnico alvinegro Jorge Saran, dos juniores do Corinthians de 2006.
“Em uma conversa que tive com o treinador de goleiros, decidimos que, se a partida fosse para as penalidades, eu faria essa troca. A responsabilidade é toda minha", declarou o treinador, após a derrota.
Mas a verdade é que, ao menos publicamente, Weverton defendeu a substituição como um movimento normal.
“Ele (o técnico) viu que o pênalti não era o meu forte e optou pelo Célio. Desejo boa sorte a ele”, resignou-se “Everton, conforme alguns veículos de imprensa registraram na época, quando sacado.
Redimido
Weverton recomeçou mal a temporada de 2020, após a pandemia.
No primeiro jogo após o retorno das atividades, o goleiro falhou no gol de Gil que deu a vitória aos corintianos em Itaquera.
Mas ele manteve a confiança da comissão técnica e brilhou na finalíssima do Estadual.
Weverton é dono da segunda menor média de gols sofridos na história do Palmeiras, de 0,6 gol por partida.
O camisa 1 alviverde defendeu 18 penalidades em sua carreira: oito no tempo regulamentar e dez em disputas: média de mais de uma defesa por disputa, já que teve 45 cobranças contra si.
