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João Carlos, do Volta Redonda, foi servente de pedreiro e venceu o desemprego antes de igualar Gabigol no Carioca

Quando trabalhava como ajudante em uma empresa de concreto no Rio de Janeiro, João Carlos tomou uma atitude radical: depois de cinco meses no emprego , resolveu pedir demissão e correr novamente atrás do sonho de ser jogador.

O atacante mal poderia imaginar que oito anos depois ele brilharia pelo Volta Redonda e seria artilheiro do Campeonato Carioca ao lado de Gabigol, do Flamengo, com oito gols marcados.

Nascido no Rio de Janeiro, o atacante trabalhou como servente de pedreiro e jogou na várzea antes de ir para a base do Tigres do Brasil.

“O problema é que só recebia ajuda de custo e precisava ajudar a minha família. Depois de algum tempo, larguei o clube para trabalhar em uma serralheria perto de casa”, contou ao ESPN.com.br.

Quando estava quase largando a bola, ele teve a chance de ir para o Arraial do Cabo, clube da terceira divisão carioca.

Nos primeiros anos de carreira, João Carlos passou por vários times que disputavam divisões inferiores do Estadual. Como o salário era baixo e os torneios duravam poucos meses, ele precisava conciliar o futebol com outros empregos.

“Meus pais não tinham condições e precisava treinar longe, pegava ônibus e no final da tarde, cansado, eu ainda ia trabalhar. Por alguns anos eu achava que não ia conseguir, mas era o meu sonho. Eu caí na real e vi que precisava tentar. Recebi muito apoio da minha família”, lembra.

João chegou a largar o futebol por cinco meses e trabalhou em uma empresa que fazia concreto, mas resolveu voltar ao Arraial do Cabo. Em 2013, ele foi emprestado ao Duque de Caxias, no qual conseguiu se dedicar somente ao esporte.

“As coisas foram acontecendo para minha carreira. Passei a viver só da bola mesmo”, explicou.

O atacante passou por Macaé e Madureira antes de chegar ao Cuiabá, no qual venceu a Série C do Brasileiro de 2018. “Foi meu primeiro acesso, muito marcante para mim porque fiz os dois gols na final. Será difícil esquecer”, contou.

No ano passado, João foi emprestado para o Volta Redonda, antes de ser comprado em definitivo pela equipe carioca e virar um dos destaques da equipe. Em 2020, ele virou artilheiro do Estadual.

“Ano passado eu bati na trave da artilharia, mas esse ano consegui. Estou trabalhando muito. Procuro melhorar a cada dia, o treino leva à perfeição. Sempre dou o meu melhor porque nos jogos é a parte mais fácil (risos). Estou um pouco surpreso, mas o centroavante precisa sempre brigar para ser artilheiro”.

O ótimo momento vivido dentro de campo refletiu-se em conquistas fora das quatro linhas.

“Procuro dar sempre o melhor para minha esposa e os meus filhos. Conseguimos construir a casa do jeito que sempre sonhamos e compramos o nosso carro. Recebi muita ajuda da minha esposa e do meu empresário, que acreditou em mim lá atrás antes mesmo de me conhecer direito”.

Aos 33 anos, João Carlos chamou atenção no Carioca e pode ser cobiçado por equipes. Apesar disso, ele mantém um discurso de gratidão ao Volta Redonda.

“Deixo tudo nas mãos de Deus. Ainda tenho contrato com o Volta Redonda e estou muito feliz. Só sairia se fosse algo bom para o clube e para mim Pretendo ficar porque me sinto em casa e é a minha segunda família. Quero colocar o Volta Redonda na Série B do Brasileiro”, finalizou.