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Lucas Tylty se apaixonou pelo Chelsea, 'fez a vida' com futebol e sonha em ter um clube: 'Só não sei quando'

Muitos pararam na frente da televisão em 8 de março de 2005 para ver a magia de Ronaldinho Gaúcho. Mesmo com derrota por 4 a 2 e eliminação na Champions League para o Chelsea, o 'Bruxo' deu show com dois gols, sambando na frente da defesa em um deles. Uma das pessoas que via todos os jogos de Ronaldinho era Lucas Tylty - hoje dono e protagonista do canal 'Minha vida pelo futebol', que tem quase 200 mil inscritos no Youtube. Mas, naquele dia, a idolatria foi para o outro lado: "Fiquei fascinado. Os caras eliminaram o Barcelona", disse ele em entrevista ao ESPN.com.br.

Como tinha TV a cabo na casa da mãe, em São João do Meriti, Rio de Janeiro, estava acostumado com o futebol europeu e pôde acompanhar a ascensão dos Blues de José Mourinho nos detalhes. A paixão cresceu a ponto de o garoto passar um bom tempo vendendo pães de queijo para ajudar com os custos de uma viagem até Londres, a fim de ver o time de perto, o que aconteceu em 2015 (claro, com uma ajuda financeira da família).

"Quando cheguei em Londres, reparei que a vida lá era fora de série. Tinha ido para assistir um jogo do Chelsea e falei: 'Cara, quero fazer isso frequentemente'"

E por um pouco mais do que sorte, pôde alcançar esse sonho. Depois de se tornar um fenômeno na área do marketing multinível e chegar ao primeiro milhão de reais aos 22 anos, Tylty hoje foca seus esforços no investimento esportivo, área onde dá até consultoria. Com 23 anos, o caminho de Tylty no futebol parece estar apenas no começo, sendo que um de seus planos mais ambiciosos é ter um clube.

"Que vou ter um time, eu vou. Só não sei quando. Tenho isso como uma ideia, já cheguei até em pensar como vou fazer, como estruturar. Mas tenho umas dúvidas ainda, se vou comprar um clube ou começar do zero", revelou.

"Hoje, se quisesse comprar um clube, graças a Deus, conseguiria, sim."

De árbitro a investidor

Antes do sucesso profissional, Lucas se esforçava com a produção de vídeos – primeiramente focados em humor, quando ainda era garoto, mas que passariam a mostrar sua vida nos Estados Unidos quando se mudou para lá em 2016, época que o canal de Youtube 'Minha Vida Deu Tylty' prosperou.

"Aquele era o ano da Copa América Centenário, então, pensei: 'Eu vou para lá assistir alguns jogos e passar uma temporada'. Mas para ficar viajando de um estado a outro seria muito caro, e eu estava iludido que ia assistir uns jogos. Então, vivi lá por seis meses e o canal começou a crescer, e já falava um pouco sobre futebol, mas quando voltei para o Brasil, direcionei o canal totalmente para futebol", explicou.

Para se manter por lá, chegou a trabalhar em padaria, pizzaria, entre outros lugares. Mas já tentava viver de futebol de qualquer forma que a oportunidade aparecesse. E certa vez ela veio na área da arbitragem. Como jogava todo final de semana com alguns amigos, viu que podia fazer uns trocados apitando partidas. Primeiro, foi convidado para apitar em jogos infantis, mas logo conquistou a confiança de organizadores de campeonatos amadores sub-15 e sub-20.

Em Las Vegas, descobriu que poderia realmente entrar de cabeça na área do investimento: "Conheci umas pessoas que viviam com o mercado esportivo, então, comecei a me aprofundar e a analisar a oportunidade de viver somente disso."

Como trabalha com estudos e análises das partidas, a fim de apostar, Tylty já se deu a chance de viajar o mundo para acompanhar a bola de perto.

"Já fui para 19 países e assisti pelo menos um jogo em 16 deles. Vou sempre por minha conta, então já gastei uma grana, o que já deve ter passado de uns R$ 100 mil – 30 mil só em ingressos." Em questão de estádios, afirma ter conhecido entre 80 e 100 - sendo 20 só no Rio de Janeiro.

"Ano passado [2019] – eu brinco né, não sei se é verdade –, falo que fui o único brasileiro que viu as finais de Champions, Libertadores, Copa América, Liga das Nações e Mundial de dentro do estádio."

O sonho de criança

Se administrar um time parece coisa de milionário mesmo, Lucas já teve essa experiência aos 15 anos de idade, quando fundou o Grande Rio Football Club com alguns amigos do seu bairro. Primeiro, foi só jogador, mas logo se interessou pelos bastidores, se dedicando completamente à gerência.

Até site ele administrou, e daqueles que "compartilhavam as coisas como se fosse de um clube grande", atualizando departamento médico, artilharia do campeonato e até dando notas para os jogadores, o que, muitas vezes, resultava em cobranças destes caso a nota fosse ruim.

"Criei o time para ele crescer de fato. Só que chega um momento da vida que você tem que seguir outro rumo né, porque tu está vendo que aquilo não vai dar retorno naquele momento e tem que dar uma pausa. Mas tenho vontade mesmo de criar um clube para ser potência no futebol."