Ele foi o autor do primeiro gol do Brasil na campanha do tricampeonato mundial em 1970. Foi o único jogador a não participar da festa do título. Quase perdeu o bigode tradicional, uma de suas marcas registradas. A outra, o chute potente de pé esquerdo, rendeu a Rivellino, então um jovem de 24 anos, o apelido de Patada Atômica. Rendeu também a certeza de que ele nunca mais será esquecido pela torcida mexicana, bem como deixou um legado que supera gerações.
Roberto Rivellino era o camisa 11 daquele time espetacular na Copa do Mundo. Era titular com João Saldanha, seguiu no time com Zagallo, e encantou o mundo com atuações de gala nos gramados mexicanos, há exatos 50 anos.
Atuou mais recuado, pela esquerda, compondo o meio-campo. Deu certo. Muito certo. No auge da forma física e técnica, Rivellino não precisa pensar duas vezes ao definir o maior momento de sua carreira.
Dá para entender.
Em 3 de junho de 1970, diante de 52.897 torcedores em um animado estádio Jalisco, em Guadalajara, Ladislav Petras abria o placar para a Tchecoslováquia. Era a estreia da seleção brasileira que, depois do bicampeonato em 1958 e 1962, vinha de uma eliminação surpreendente em 1966. A torcida desconfiava daquele time, mas aquele time sabia de sua força.
Tanto que, sem se afobar, com calma, construiu a virada. A retomada começou aos 24min, quando Pelé tabelou com Tostão e, na meia-lua, foi derrubado. Sete jogadores na enorme barreira tcheca, e Jairzinho está ao lado deles. O Rei ajeita, toma distância e dá pinta que vai cobrar.
Surge, então, Rivellino. A dois passos do chute, Jairzinho se mistura aos rivais no meio da barreira. O goleiro Ivo Viktor dá um passo para a sua esquerda. A bomba vem no canto direito da meta. Um foguete. O arqueiro ainda toca na bola, mas não há nada a fazer. Com os punhos cerrados, Rivellino vibra, antes de ser abraçado pelos companheiros. Era o primeiro gol do Brasil no México. Nascia, ali, o apelido de “Patada Atômica”, graças à violência de sua cobrança.
Foram cinco jogos no México – ficou fora da vitória sobre a Romênia, na primeira fase, substituído por Paulo Cézar Caju –, e três gols marcados em momentos decisivos. Além do gol contra os tchecos, ele também foi às redes contra o Peru, abrindo a vitória nas quartas de final, e diante do Uruguai, selando os 3 a 1 nas semifinais.
Na final, contra a Itália, ele não marcou, mas cruzou para Pelé, de cabeça, abrir o placar. Também foi dele o passe para Jairzinho, que deixou de biquinho para o Rei dar o passe mais açucarado de sua carreira, um “tapa” no vazio, preenchido pelo canhão de Carlos Alberto Torres. Brasil 4 a 1, tricampeão.
Curiosamente, Rivellino foi o único jogador brasileiro a não participar da festa com as centenas de torcedores que invadiram o gramado do estádio Azteca. Instantes após o apito final, ele caiu desacordado de cansaço e emoção e foi carregado aos vestiários.
Rivellino, aliás, havia deixado o hoje tradicional bigode crescer durante a Copa. Após a decisão, o elenco queria raspar os pelos faciais e diz a lenda que ele chegou até a ser agarrado pelos companheiros. O jogador, no entanto, evitou a mudança de visual com uma boa justificativa: seu casamento com Maísa estava marcado para pouco depois do retorno ao Brasil e foi realizado, no civil, uma semana após a volta do México.
Veja, abaixo, curiosidades daquela campanha, da vida, da carreira e do legado de Rivellino e sua eterna Patada Atômica:
"Bullying" com Pelé
O craque lembrou de um ”bullying” com Pelé na concentração da seleção brasileira em Guanajuato, no México, quando quase matou o Rei do Futebol de susto com uma “cobra”.

Pelé e Garrincha
Rivellino jogou com as duas lendas da história do futebol e enche Mané Garrincha, o Anjo de Penas Tortas, de elogios.

Neymar e Romário jogariam em 1970?
Rivellino afirmou, em 2016, que Romário e Neymar teriam condições de jogar naquela seleção tricampeão mundial no México. Agora, quem vai sair do time...

Legado maradoniano
Se tem um jogador que ama Rivellino de paixão, esse cara é Diego Maradona. O Dios argentino, sempre que pode, elogia o craque brasileiro e, em sua carreira, teve os dribles, passes e finalizações de Rivellino como inspiração. Até copiando o “nosso” canhoto.
