Explosão absurda. Velocidade incrível. Técnica invejável. E gols, muitos gols. Foi com essa combinação que a Copa do Mundo de 1970 eternizou Jairzinho como um dos maiores jogadores da história dos Mundiais. Há 50 anos, o nome Jair Ventura Filho ou o nome no diminutivo ganhavam um apelido carinhoso no México: Furacão.
Jairzinho começou em Copas quatro anos antes, na Inglaterra. Foi como reserva de Garrincha, mas acabou titular na ponta-esquerda nos três jogos atuando na vitória sobre a Bulgária e derrotas para Hungria e Portugal, mas não marcou.
Em 1969, nas eliminatórias para 1970, também começou todas as seis partidas: sob o comando de João Saldanha, fez três gols na campanha 100% da seleção. A mudança no comando técnico, com a saída de Saldanha e a chegada de Zagallo, colocou em xeque sua presença no time titular.
Rogério, seu companheiro de Botafogo, era o preferido pelo novo treinador para a ponta-direita. Mas uma lesão o tirou da Copa, e Jairzinho recuperou a posição. A mudança, mesmo que forçada por contusão, acabou se mostrando uma das mais acertadas da história.
Jairzinho era um dos quatro jogadores que usavam a camisa 10 em seus clubes, ao lado de Gérson (São Paulo), Pelé (Santos) e Rivellino (Corinthians). Tostão, ao contrário do que muitos dizem, não era o 10 do Cruzeiro; ele vestia a 8, a 10 era de Dirceu Lopes. Mas Tostão chegou a vestir a 10 da seleção quando Pelé não estava em campo. Por isso, não é totalmente errado dizer que eram cinco camisas 10.
Em campo, Jairzinho fez gol em todos os jogos, sete gols no total (anotou dois contra a Tchecoslováquia), o único jogador na história, até hoje, a conseguir tal feito.
As estatísticas mostram o quanto esse recorde é absurdo:
7 gols em 12 finalizações
Incrível aproveitamento de 58,3%
1 gol a cada 75,7 minutos
Todos os gols dentro da área
7 gols em 10 finalizações dentro da área Incríveis (de novo)
70% de aproveitamento dentro de área
Todos os gols com o pé direito
Com números assim, praticamente impensáveis hoje, Jairzinho não tinha como não fazer parte da seleção da Copa, ao lado de outros cinco brasileiros: Sepp Maier (Alemanha); Carlos Alberto Torres (Brasil), Pierluigi Cera (Itália), Terry Cooper (Inglaterra) e Franz Beckenbauer (Alemanha); Clodoaldo (Brasil) e Gérson (Brasil); Jairzinho (Brasil), Gerd Muller (Alemanha), Pelé (Brasil) e Rivellino (Brasil).
Para fechar a Copa com chave de ouro, Jairzinho foi um dos nove jogadores do Brasil a tocar na bola no lendário gol do capitão Carlos Alberto Torres, que selou os 4 a 1 sobre a Itália na final. Apenas o goleiro Félix e o zagueiro Brito não participaram do lance, que durou eternos 30 segundos e teve 30 toques na bola.
“Eu pego pela esquerda, como ponta-esquerda, driblo o Fachetti para dentro, vem um outro, eu driblo. O Pelé está na cabeça da grande área, eu dou um biquinho para o Pelé, Pelé ajeita, finge que vai chutar, não chuta, já esperando o Carlos Alberto. Aí o Carlos Alberto vem na penetração já programada e ensaiada taticamente. Aí o Pelé rola para o Carlos Alberto, Carlos Alberto vai na bola, a bola ainda sobe, ele pega no peito do pé, estufou a rede. Quarto gol do Brasil. É tricampeão! É campeão!” Jairzinho, em 2013, ao Portal da Copa
Jairzinho ainda voltaria à Copa do Mundo em 1974, novamente com a camisa 7, marcando 2 gols. No total, o Furacão tem 9 gols em Mundiais, ao lado de Vavá, o terceiro maior artilheiro do Brasil, atrás apenas de Pelé, com 12, e Ronaldo Fenômeno, 15.
Mas, a Copa de 1970 está marcada, para sempre, como o grande momento de Jairzinho. E o México jamais esquecerá o Furacão que passou por lá há 50 anos.
