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México 1970: 70 curiosidades nos 50 anos do Brasil tricampeão na Copa do Mundo

O árbitro uruguaio Ramón Barreto apitou. Tostão deu um biquinho de esquerda. Pelé dominou na canhota e rolou para trás. Clodoaldo deu de primeira para Gérson. Foi assim, há 50 anos, que o Brasil começava a sua caminhada na Copa do Mundo de 1970, contra a Tchecoslováquia, em 3 de junho, diante de 52.897 torcedores no estádio Jalisco, em Guadalajara.

Camisa amarela, calção azul, meias brancas. O mundo – ou melhor, quem tinha acesso – viu, pela primeira vez, graças à primeira transmissão em cores da televisão de um Mundial, que o uniforme canarinho era, de fato, canarinho.

Pelé perdeu um gol feito. Em jogada pela esquerda, Ladislav Petras, em uma Tchecoslováquia de branco, invadiu a área e abriu o placar. Se ajoelhou e fez o sinal da cruz, uma comemoração que se tornaria imortalizada. Rivellino empatou em uma cobrança de falta violenta, uma verdadeira “patada atômica”. Pelé, com uma matada no peito digna da realeza, virou. Jairzinho chapelou o goleiro e fez o terceiro; depois, entortou dois zagueiros antes de bater cruzado, um verdadeiro furacão. Brasil 4 a 1, delírio no Jalisco.

Começava ali a campanha rumo ao tricampeonato. Seleção canarinho, comemoração com sinal da cruz, Patada Atômica, Furacão da Copa, Rei Pelé, torcida mexicana... Começava ali, também, um Mundial repleto de fatos, histórias e momentos que se tornaram eternos. No aniversário de 50 anos, veja 70 curiosidades da Copa do Mundo do México 70, uma das mais emblemáticas e importantes de todos os tempos:

O Brasil antes da Copa

1. Em 4 de fevereiro de 1969, o jornalista João Saldanha foi anunciado de forma surpreendente pela CBD (Confederação Brasileira de Desportos) como novo técnico da seleção. Dois dias depois fazia sua 1ª convocação, dizendo que, a partir daquele momento, o time contaria com “11 feras em campo”. Nasciam as “Feras do Saldanha”.

2. O Brasil disputou as eliminatórias de 6 a 31 de agosto de 1969. Seis vitórias, nenhuma derrota, 23 gols a favor (média de 3,8), 2 contra. Foi a primeira e única vez que uma seleção venceu todos os jogos das eliminatórias no planeta. Spoiler: venceu também todas as partidas do Mundial, com mais seis vitórias, 19 gols pró (3,17 de média) e 7 contra.

3. Fatores esportivos, pessoais, políticos e temperamentais culminaram com a saída de Saldanha, sacramentada em 16 de março de 1970. Ou seja, ele ficou 1 ano, 1 mês e 13 dias ou 406 dias no comando. A demissão aconteceu 78 dias antes da estreia na Copa.

4. No mesmo dia, a CBD entrevistou o brasileiro Otto Glória, que levara Portugal ao terceiro lugar em 1966, e Dino Sani para o cargo. Sem acerto. O diretor de futebol da entidade, Antonio do Passo, e o médico Admildo Chirol se encontraram com Zagallo no Opalla do treinador, na Praia Vermelha, no Rio de Janeiro. Vinte minutos depois, a seleção tinha um novo técnico.

5. Zagallo fez a primeira convocação dias depois, chamando de volta o goleiro Félix e adicionando Roberto Miranda, Dario, Sebastião Leônidas e Arílson à lista de Saldanha. Os três primeiros se sagrariam campeões do mundo.

6. Quatro dias após ser confirmado no cargo, em 22 de março, Zagallo estreou à frente da seleção na goleada por 5 a 0 sobre o Chile, no Morumbi. Roberto Miranda (2), Pelé (2) e Gérson fizeram os gols.

7. O time que encantaria o planeta começou a ser construído na magra vitória por 1 a 0 sobre a Áustria, gol de Rivellino, último amistoso do Brasil antes da Copa, no Maracanã. As mudanças para o Mundial seriam as entradas de Everaldo na lateral-esquerda e Jairzinho na ponta-direita, nas vagas de Marco Antônio e Rogério, respectivamente.

As eliminatórias

8. Argentina, Austrália, Colômbia, Japão, Peru e México foram os candidatos à sede. A decisão final teve goleada dos votos para os mexicanos frente os argentinos, que apareciam como favoritos, por 56 a 32 (7 abstenções). Pesaram aa favor do México a moeda mais forte e a estrutura (o país receberia a Olimpíada em 1968), mesmo com a altitude. A votação foi feita em 8 de outubro de 1964, no 34º Congresso da Fifa, em Tóquio, a dois dias do início dos Jogos Olímpicos.

9. Foi a primeira Copa na América do Norte e a primeira vez que o Mundial não foi disputado na Europa ou na América do Sul.

10. El Salvador, Israel e Marrocos disputaram o torneio pela primeira vez. Foi a única aparição da seleção israelense na história. Os salvadorenhos ficaram na última posição.

11. Foi a última Copa em que a Argentina não conseguiu se classificar. O país já tinha ficado de fora dos Mundiais de 1938, 1950 e 1954. Outras fortes seleções também fracassaram nas eliminatórias, como Espanha, França, Holanda, Iugoslávia e Portugal.

12. Assim, alguns craques do futebol mundial não conseguiram levar suas seleções para o México, como:

  • os lendários argentinos Agustín Cejas, Alfio Basile, Antonio Rattin, Juan Ramón Verón, Miguel Ángel Brindisi e Roberto Perfumo

  • o capitão Paco Gento e “El Brujo” Amancio, espanhóis supercampeões com o Real Madrid

  • Dragan Dzajic, celebrado até hoje como um dos maiores da seleção iugoslava

  • o francês Fleury Di Nallo, maior artilheiro da história do Lyon

  • Eusébio, o “Pantera Negra” de Portugal, um dos maiores da história

  • Johan Cruyff, da Holanda, outro gigante do futebol mundial

A Copa

13. 5 sedes em 5 cidades: estádios Azteca (107.247 lugares, na Cidade do México), Jalisco (71.100, Guadalajara), Cuauhtémoc (35.563, Puebla), Luis Dosal (26.900, Toluca) e Nou Camp (23.609, León).

14. O Azteca recebeu 10 jogos, o Jalisco foi o palco de 8. O estádio Cuauhtémoc foi o único a não ser utilizado na fase de mata-mata.

15. Pela primeira vez foram permitidas substituições de jogadores, a regra 3: duas por partida e a presença de cinco jogadores no banco de reservas.

16. Também foi a estreia dos cartões amarelos e vermelhos, criação do ex-árbitro inglês Ken Aston, então presidente da comissão de arbitragem da Fifa. As cores foram inspiradas no sinal de trânsito, com o propósito de ser uma linguagem universal. No total, foram distribuídos 33 amarelos.

17. Pela primeira vez, uma bola era criada exclusivamente para a Copa. Nascia a “Telstar”, da Adidas, com 32 gomos, sendo 12 pentagonais, na cor preta, e 30 hexagonais, em branco.

18. E ainda teve a estreia do hoje famoso álbum de figurinhas, lançado pela Panini.

19. A mascote recebeu o nome de “Juanito”, que vestia as cores da seleção da casa – com a camisa verde deixando o umbigo à mostra – e um sombrero com os dizeres “Mexico 70”. A torcida local não gostou, achou a personagem óbvia, folclórica, levando ao mundo um estereótipo do país.

20. O Brasil ficou no grupo 3, ao lado de Inglaterra, Romênia e Tchecoslováquia. Foi em 1970 que o termo “Grupo da Morte” foi criado, justamente para denominar a chave da seleção. O motivo: a presença dos dois últimos campeões mundiais – Brasil, em 1958 e 1962, e Inglaterra, em 1966 – e a Tchecoslováquia, finalista em 1962.

21. Aírton Vieira de Morais, o Sansão, foi o único árbitro brasileiro na Copa. Ele começou a carreira no futebol como lateral-esquerdo e chegou a defender o America-RJ. No Mundial, ele trabalhou em Itália 0 x 0 Israel, mas estava escalado para Uruguai x Suécia, um dia antes, em 10 de junho. No entanto, foi substituído pelo norte-americano Henry Landauer. O motivo: foi acusado de receber suborno dos uruguaios. A acusação foi feita pelo então presidente da Fifa, Stanley Rous. A própria entidade, dias depois e ainda durante a Copa, declarou o brasileiro inocente e retirou a acusação. Sansão nasceu em 14 de fevereiro de 1929, em Fortaleza, e morreu em 29 de outubro de 2013, em Niterói, aos 84 anos.

22. O critério de desempate do mata-mata foi dos mais inusitados. Na final, em caso de empate no tempo normal e na prorrogação, um novo jogo aconteceria dois dias depois. Mas, nas quartas e semis, caso acontecesse uma igualdade, o vencedor seria decidido por sorteio, com o nome dos países colocados em um sombrero no centro do gramado. Capitães e dirigentes de cada seleção acompanhariam o curioso evento que, infelizmente para a história, não aconteceu.

23. Didi, o “Príncipe Etíope”, um dos grandes jogadores da história do futebol, campeão do mundo em 1958 e 1962, estava no comando da seleção do Peru, que eliminou a Argentina nas eliminatórias. No México, ele enfrentaria o Brasil nas quartas, vendo do banco a derrota por 4 a 2.

24. México e União Soviética abriram a Copa com um empate sem gols. O soviético Anatoliy Puzach foi o primeiro jogador a ser substituído na história das Copas, saindo no intervalo e dando lugar a Viktor Serebryanikov.

25. No mesmo jogo, o também soviético Evgeny Lovchev levou o primeiro cartão amarelo da história dos Mundiais após entrada dura no mexicano Javier Valdivia.

26. O primeiro goleiro a ser substituído foi o romeno Steve Adameche, ainda aos 27min do primeiro tempo na derrota por 3 a 2 para o Brasil, na última rodada da primeira fase. A seleção brasileira já vencia por 2 a 0. Necula Raducanu substituiu o lesionado Adameche. Outra curiosidade: o técnico romeno Angelo Niculescu é considerado um dos pais do “tiki-taka”.

27. Nenhum jogador foi expulso em 1970, repetindo o que havia acontecido em 1950. Na Copa no Brasil, não existia cartão vermelho, e a exclusão era feita de forma verbal. Os dois Mundiais seguem como os únicos sem expulsões.

28. Já o primeiro jogador a sair do banco e fazer um gol foi o mexicano Juan Ignacio Basaguren. Ele entrou no lugar de Enrique Borja no intervalo e anotou o quarto e último dos anfitriões na goleada por 4 a 0 sobre El Salvador.

29. Alemanha Ocidental, Tchecoslováquia e Suécia foram as únicas seleções com jogadores atuando fora de seus países. Os alemães Karl-Heinz Schnellinger, apelidado de "Volkswagen", e Helmut Haller jogavam pelos italianos Milan e Juventus, respectivamente. O tcheco Andrej Kvašňák defendia o FC Malinois (hoje K.V. Mechelen), da Bélgica.

30. A seleção sueca foi a recordista de “gringos”, com seis: três jogadores no futebol belga, um na Escócia, outro na Holanda e um na Suíça.

31. A Copa teve média de 2,97 gols por jogo (95 gols em 32 partidas). Nenhum outro Mundial teve ataques tão ofensivos – ou defesas tão vazadas – desde então.

32. O Mundial registrou apenas um gol contra. Nas quartas, o México vencia a Itália por 1 a 0, quando, aos 26min do primeiro tempo, Angelo Domenghini chutou fraco, o capitão Gustavo Peña foi afastar, errou, e a bola entrou devagarinho no gol de Ignacio Calderón. Foi o primeiro passo da virada italiana, que golearia por 4 a 1 e avançaria para a semi.

33. A Inglaterra jogou de camisa branca contra Brasil e Romênia. Diante da Tchecoslováquia, vestiu azul claro, mas o sinal da TV em preto-e-branco embaralhou os dois times. Assim, contra a Alemanha, nas quartas, os ingleses usaram vermelho e se tornaram a primeira seleção a usar três camisas diferentes em uma única Copa.

34. No início do segundo tempo de Alemanha 2 x 1 Marrocos, estreia das duas seleções, o árbitro holandês Laurens van Ravens não verificou se todos os jogadores estavam em campo, e alguns marroquinos ainda voltavam do vestiário. O juizão foi obrigado a interromper a partida para recomeçá-la com todos os atletas no gramado.

35. A forte Tchecoslováquia, que engrossou para o Brasil e perdeu por um gol de diferença para Romênia e Inglaterra (2 a 1 e 1 a 0, respectivamente), não pontuou no Mundial e só ficou à frente de El Salvador na classificação final.

36. A seleção da Copa tinha seis brasileiros: Sepp Maier (Alemanha); Carlos Alberto Torres (Brasil), Pierluigi Cera (Itália), Terry Cooper (Inglaterra) e Franz Beckenbauer (Alemanha); Clodoaldo (Brasil) e Gérson (Brasil); Jairzinho (Brasil), Gerd Muller (Alemanha), Pelé (Brasil) e Rivellino (Brasil).

37. A média de público foi de 52.312, com um total de 1.673.975 nos 32 jogos disputados. Apenas os Mundiais de 1994 (68.991) e 2006 (52.491) tiveram médias melhores que 1970.

O Brasil na Copa

38. Quatro jogadores vestiam a camisa 10 em seus clubes: Gérson (São Paulo), Jairzinho (Botafogo), Pelé (Santos) e Rivellino (Corinthians). Tostão, ao contrário do que muitos dizem, não era o 10 do Cruzeiro; ele vestia a 8, a 10 era de Dirceu Lopes. Mas Tostão chegou a vestir a 10 da seleção quando Pelé não estava em campo. Por isso, não é totalmente errado dizer que eram cinco camisas 10.

39. O primeiro gol do Brasil contra a Tchecoslováquia foi marcado por Rivellino, em uma cobrança de falta com violência: a potência da finalização fez com que ele ganhasse dos mexicanos o apelido de “Patada Atômica”.

40. Gérson foi o primeiro brasileiro a levar cartão amarelo na história das Copas, após perder a bola e agarrar o tcheco Frantisek Vesely, aos 29min do primeiro tempo da estreia.

41. Jairzinho fez gol em todos os jogos, sete gols no total (anotou dois contra a Tchecoslováquia), o único, até hoje, a conseguir tal feito. Mas o “Furacão da Copa” não foi o artilheiro no México: a honra coube ao alemão Gerd Muller, com incríveis 10 gols.

42. Petras, que abriu o placar para a Tchecoslováquia contra o Brasil na estreia, comemorou o gol com um sinal da cruz, mas Jairzinho quem imortalizou o gesto, repetido em seis dos sete gols na Copa. Ele só não celebrou assim no primeiro tento contra os tchecos.

44. Duas horas antes da final, o presidente da República, Emílio Garrastazu Médici, arriscou seu palpite para o jogo decisivo: vitória do Brasil, 4 a 1.

45. Um dia antes da decisão, as bolsas de Londres passaram a não aceitar mais apostas. O motivo: o Brasil era tão favorito que a cotação estava 1 para 1.

46. Félix usou luvas na final, se tornando o primeiro goleiro brasileiro a usar luvas na história das Copas. Na verdade, as que levou para o México estavam em um péssimo estado, e ele não encontrava peças que coubessem em suas grandes mãos. Com auxílio do Ministério das Relações Exteriores, a delegação saiu em busca das luvas, e a ajuda veio da Argentina. O ex-goleiro Amadeo Carrizo tinha uma fábrica de luvas, perfeitas para Félix. Um emissário brasileiro comprou quatro pares e os mandou de Buenos Aires para o México. As luvas chegaram a tempo para a final.

47. Rivellino foi o único jogador brasileiro a não participar da festa com as centenas de torcedores que invadiram o gramado do estádio Azteca. Instantes após o apito final, ele caiu desacordado de cansaço e emoção e foi carregado aos vestiários.

48. Rivellino, aliás, deixou o hoje tradicional bigode crescer durante a Copa. Após a final, o elenco queria raspar os pelos faciais e diz a lenda que ele chegou até a ser agarrado pelos companheiros. O jogador, no entanto, evitou a mudança de visual com uma boa justificativa: seu casamento com Maísa estava marcado para pouco depois do retorno ao Brasil e foi realizado, no civil, uma semana após a volta do México.

49. Na festa, uma multidão se aglomerou em torno de Pelé, entre eles, o zagueiro italiano Roberto Rosato, que correu antes da aglomeração de torcedores para trocar a camisa 10 com o Rei. Em 2002, a relíquia foi vendida em um leilão por 158 mil libras, ou R$ 528 mil na época. O valor corrigido pelo IGP-M, tendo abril de 2020 como data final, chega a R$ 1.857.266,88.

50. Já a camisa usada por Pelé no primeiro tempo da final foi dada pelo Rei para Zagallo, que a guardou em sua coleção. O item foi a leilão em 2007 e arrematado pelo cineasta e curador de arte João Moreira Salles por 55 mil libras, ou R$ 220 mil na época. Em valores corrigidos, R$ 468.129,68 hoje. A peça está em exibição no Museu do Futebol, no estádio do Pacaembu, em São Paulo.

51. A audiência da final foi de cerca de 700 milhões de telespectadores ao redor do mundo, repetindo os números de 1969, quando Neil Armstrong se tornou o primeiro homem a pisar na lua.

52. Mário Jorge Lobo Zagallo se tornou o primeiro jogador campeão mundial a conquistar o título também como técnico. Ele havia participado das Copas de 1958 e 1962.

53. Pelé conquistou o seu tri e se tornou uma personalidade global, além do esporte. Ele é o único jogador até hoje a vencer três títulos da Copa.

A Copa na TV

54. A transmissão de TV de uma Copa foi em cores, mas a tecnologia ainda não estava difundida – leia-se, era caríssima –, então a maior parte do planeta viu o Mundial em preto-e-branco, inclusive o Brasil.

55. Aqui, foi a estreia da transmissão ao vivo, mas não para todo o país. Cidades do Sul e Sudeste, Brasília, Recife e Salvador foram as “premiadas”.

56. Outra novidade foram os replays, a repetição dos principais lances instantes depois que eles aconteceram.

57. Dos 32 jogos do Mundial, apenas os seis do Brasil e outras três partidas foram transmitidos ao vivo. O VT das demais partidas passava diariamente, às 23h (de Brasília). Tupi, Globo e Bandeirantes foram as emissoras.

58. Como só havia uma cabine disponível para a equipe de TV brasileira nos estádios mexicanos, narradores e comentaristas se revezavam nas transmissões, com cada rede transmitindo 30 minutos de cada jogo.

59. Mesmo demitido da seleção, João Saldanha esteve no México como comentarista de TV e colunista de "O Globo".

60. Para adequar as transmissões de TV ao mercado europeu, a maioria dos jogos começou às 12h, horário local, 15h no Brasil, 18h na Inglaterra, 19h na Itália, sob o sol forte das cidades mexicanas.

O "Jogo do Século"

61. 17 de junho de 1970, Estádio Azteca, semifinal, Itália 4 x 3 Alemanha Ocidental. Os italianos venciam por 1 a 0, gol do craque Roberto Boninsegna, mas, nos acréscimos, Schnellinger empatou, levando para a prorrogação, quando saíram mais cinco gols. O emocionante duelo, cheio de reviravoltas, ganhou o apelido de “Jogo do Século”.

62. Os guardas de uma cadeia mexicana em Tixtla, próxima a Acapulco, estavam tão envolvidos com a partida que só perceberam depois do apito final que 23 presos aproveitaram a emoção dos oficiais e fugiram.

63. No mesmo jogo, Beckenbauer teve a clavícula fraturada e atuou em parte do confronto com uma tipoia, protagonizando um dos momentos icônicos da história da bola.

64. Até hoje, a dramaticidade de Itália x Alemanha aparece como pano de fundo em peças de teatro italianas.

Jules Rimet

65. A Copa marcou o fim do rodízio da taça Jules Rimet, já que o primeiro tricampeão ficaria com o troféu de forma definitiva.

66. O nome da taça: Jules Rimet foi o presidente da FFF (Federação Francesa de Futebol) e da Fifa, sendo um dos idealizadores da Copa do Mundo. O troféu foi rebatizado em homenagem ao dirigente em 1946. Ele morreu em 16 de outubro de 1956, aos 83 anos.

67. A semi tinha quatro candidatos ao feito, já que três seleções eram bicampeãs: Brasil (1958 e 1962), Itália (1934 e 1938) e Uruguai (1930 e 1950). A Alemanha Ocidental, vencedora em 1954, era a intrusa. Ou seja, os semifinalistas haviam vencido sete das oito Copas já disputadas. A ausente: a Inglaterra, campeã em 1966.

68. Para encerrar a posse transitória, foram necessários 231 partidas e 846 gols marcados em 40 anos de Copa.

69. A Jules Rimet, então taça Coupe du Monde, foi feita pelo artesão francês Abel Lafleur em cima de um esboço do próprio Rimet e entregue à Fifa em abril de 1929. Foram três meses de trabalho. Representava Nice (em grego, Nike), uma mulher alada, deusa da mitologia grega que simboliza vitória, força e velocidade. A taça media 30 centímetros de altura e 3,8 kg de ouro puro, com uma base de mármore e peso total de 4 kg. O custo na época foi de US$ 14,5 mil, cerca de US$ 220 mil hoje, ou quase R$ 1,2 milhão (na cotação US$ 1 = R$ 5,37).

70. Com os 4 a 1 sobre a Itália na decisão, o Brasil garantiu a posse permanente. A relíquia original, no entanto, foi roubada em 1983, nunca encontrada e possivelmente foi derretida. Uma réplica foi feita em 1984.

Referências bibliográficas

CARVALHO, Gustavo Longhi de; RODRIGUES, Rodolfo. Infográficos das Copas / Gustavo Longhi de Carvalo e Rodolfo Rodrigues. São Paulo: Panda Books, 2014.

COELHO, Paulo Vinicius. Os 55 maiores jogos das Copas do Mundo / Paulo Vinicius Coelho. São Paulo: Panda Books, 2010.

DUARTE, Marcelo. O Guia dos Curiosos: Copas / Marcelo Duarte. São Paulo: Panda Books, 2014.

DUARTE, Orlando. Todas as Copas do Mundo / Orlando Duarte. São Paulo: Votorantim, 1987.

GEHRINGER, Max. Almanaque dos mundiais por Max Gehringer: os mais curiosos casos de histórias de 1930 a 2006 / Max Gehringer. São Paulo: Globo, 2010.

PEREIRA, Luis Miguel. Bíblia da Seleção Brasileira de Futebol / Luis Miguel Pereira ; prefácio Tostão. São Paulo: Almedina, 2010.

RIBAS, Lycio Vellozo. O mundo das Copas: as curiosidades, os momentos históricos e os principais lances do maior espetáculo do esporte mundial / escrito e ilustrado por Lycio Vellozo Ribas. São Paulo: Lua de Papel, 2010.

Revista Placar, números 10 a 20.