Ainda falta a autorização da prefeitura, mas não tem como não se empolgar com as imagens do projeto do novo estádio do Everton. A capacidade será maior, a obra deverá gerar empregos diretos e indiretos, o que movimentará a economia da cidade, e o clube acredita que reencontrará a sua história de títulos no Bramley Moore Dock. Se um novo estádio receberá os jogos dos Toffees, o que será do Goodison Park?
A Premier League está de volta aos canais ESPN. Dois jogos nesta quarta-feira marcam o retorno do maior campeonato do mundo depois da pausa por causa da pandemia. O fã do esporte acompanha dois grandes jogos: às 14h (de Brasília), o Aston Villa recebe o Sheffield United, seguido pelo imperdível clássico Manchester City x Arsenal, ambos ao vivo, na ESPN Brasil e no ESPN App, além da cobertura em tempo real com vídeos no ESPN.com.br.
O plano indica que o Goodison, como estádio de futebol, não existirá mais. O campo, construído na rua de mesmo nome, será um espaço para lazer, educação e cultura na região. A casa do Everton desde 1892 continuará sendo importante para o torcedor do clube, mas de forma diferente. Foi lá no Goodison que o Everton se tornou um grande campeão da Inglaterra e foi também lá que o mundo conheceu William Ralph Dean, ou apenas Dixie Dean. É verdade que o Everton só conheceu o garoto quando ele começou a jogar futebol, mas já era torcedor e frequentador do estádio.
O atacante, aos 16 anos, começou a despertar a atenção dos grandes times da Inglaterra quando assombrava os adversários do Tranmere Rovers, time de Birkinhead, vizinha de Liverpool.
Dixie Dean e sua família amavam o Everton. Não adiantava nada chegar proposta de outros clubes. Ele queria o Everton. O amor foi correspondido.
O primeiro contrato com os Toffees foi assinado ao completar 18 anos. Atacante de espetacular presença na área e qualidade técnica indiscutível, o camisa 9 viveu como poucos a intensidade de jogar pelo clube de seu coração.
Logo após sua ótima temporada de 1925-1926, Dean sofreu um acidente de trânsito e ficou um tempo entre a vida e a morte. Os médicos tiveram que colocar placas de metal em seu crânio, mas, incrivelmente, em quatro meses ele estava de novo em seu palco preferido. E fazendo gols.
A temporada 1927-1928 já estava ganha. Everton campeão, mas o clube queria muito que Dixie Dean alcançasse a marca de George Camsell, jogador do Middlesbrough, que havia anotado 59 gols, ainda que pela Segunda Divisão, mas era dele o recorde a ser batido. Dean precisava fazer três gols no último jogo, em Goodison, contra o Arsenal, e ele fez. Dixie Dean, aos 22 anos, fez 60 gols em uma única temporada do Campeonato Inglês.
Sua predileção por fazer gols no Liverpool também era conhecida. Ele marcava e comemorava olhando firmemente para The Kop, parte da arquibancada onde ficam os torcedores mais fervorosos do time vermelho. Contra o rival da cidade, Dixie Dean gostava de cultivar o ódio dos torcedores e a admiração de jogadores. Não foram poucas as vezes que ele elogiou Elisha Scott, goleiro que mais sofreu com ele.
É bem verdade que o Everton de Dixie Dean também viveu lá seus dramas no Goodison. Foi onde o grande campeão tropeçou e caiu para a Segunda Divisão, mas voltou, no mesmo e com seu artilheiro.
Após encerrar a carreira, Dixie Dean continuou sendo um ídolo de seu torcedor e figura comumente vista no seu amado Goodison Park. Foi lá, em 1980, que William Ralph Dean sentiu fortes dores no peito e veio a falecer. Justamente em um dia de clássico, justamente no campo que mais brilhou, justamente no Goodison. E é lá que ele virou estátua.
O velho Goodison em breve deixará de ser a casa do Everton, mas a estátua de Dixie Dean estará ainda lá e continuará despertando a atenção de quem passa.
