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Não foi só Palmeiras: em 99, Parmalat também conquistou título na Europa com esquadrão antes de crise; relembre

No último domingo, os palmeirenses relembraram o mais importante título da era Parmalat, que foi a Libertadores de 1999, diante do Deportivo Cali, da Colômbia. Aquele ano também foi marcante para a patrocinadora italiana, que conseguiu fazer do Parma campeão continental pela última vez na história.

Para quem não se lembra, o Parma era um clube pequeno até o final dos anos 90, quando subiu pela primeira vez para a Série A profissional. Foram 14 temporadas gloriosas, graças à Parmalat. Na segunda metade dos anos 80, a poderosa empresa de lacticínios de Collecchio, na província de Parma, era uma patrocinadora. Pouco depois, virou proprietária.

O Parma venceu três edições da Copa da Itália (1991/92, 1998/99 e 2001/02) e uma da Supercopa da Itália (1999), além de ser vice-campeão da Série A uma vez (1996/97) e duas vezes terminar na terceira colocação (1992/93 e 1994/95).

Em termos internacionais, foram quatro taças, mais do que muitos clubes conhecidos do país. Venceu a Recopa da Europa (1992/93), a Supercopa da Uefa (1993) e a Copa Uefa (1994/95 e 1998/99). Este último título foi em 12 de maio de 1999.

O Parma ganhou respeito dos rivais na Itália pelas conquistas, inclusive batendo a Juventus na primeira Copa da Itália, e pelo poderio financeiro de seus proprietários. Tinha Taffarel, goleiro campeão da Copa do Mundo de 1994 pelo Brasil, e o jovem Faustino Asprilla, a maior estrela da Colômbia naquele momento. Mas foi além disso.

Como exemplo, gastaram 20 bilhões de liras italianas para trazer Gianfranco Zola, do Napoli, e Nestor Sensini, da Udinese, na temporada 1993/94, que terminou com o vice da Recopa da Europa. O Arsenal foi o campeão.

Outras grandes contratações foram feitas naquela década para elevar o patamar do clube. Vieram Dino Baggio, Hristo Stoichkov, Fabio Cannavaro, Hernán Crespo, Lilian Thuran, Juan Sebastián Verón, entre outros.

Para muitos especialistas, o time do Parma campeão da Copa Uefa em 1998/99 foi o melhor da história do clube e um dos melhores do futebol italiano. O jornal "The Guardian" lembra que o técnico daquela conquista foi Alberto Malesani.

A publicação desta terça (2) também relembra a escalação com um jovem Buffon, a defesa com Cannavaro, Thuram e Sensini. Depois Verón, Dino Baggio e Alain Boghossian. Mais à frente Paolo Vanoli e Diego Fuser. No ataque, Crespo e Chiesa.

A campanha foi excepcional. Passou pelo Fenerbahçe, da Turquia, com uma vitória por 3 a 1, após perder o primeiro jogo por 1 a 0. Depois por Wisla Cracovia, da Polônia, com empate (1 a 1) e vitória (2 a 1); Rangers, da Escócia, com empate (1 a 1) e vitória (3 a 1); Bordeaux, da França, com derrota (1 a 2) e triunfo de goleada (6 a 0); e Atlético de Madrid, da Espanha, já na semifinal do torneio, com duas vitórias (3 a 1, na Espanha; 2 a 1, na Itália), até chegar à decisão.

A taça foi decidida contra o Olympique de Marselha, da França, no estádio Luzniki, de Moscou, naquele 12 de maio de 1999. Os italianos venceram por 3 a 0. Gols de Crespo, Vanoli e Chiesa.

Infelizmente, foi o auge e, ainda quem tenha vencido uma Supercopa da Itália e uma Copa da Itália depois, os tempos estavam mudando. Assim como aconteceu com o Palmeiras da Parmalat após 1999.

A empresa já não conseguia replicar os altos investimentos no futebol. A Parmalat entrou em colapso definitivo em 2003, em meio a escândalos de fraude financeira, e decretou falência.

O Parma sentiu o efeito. Um ano depois, o clube foi declarado insolvente. Mudou de nome para Parma Footbal Club. Os dias de grandes contratações e torneios internacionais foram esquecidos. Passou a lutar contra o rebaixamento.

Caiu em 2007/08, quando iniciou um período duro. Até que em 2013/14 conseguiu obter a vaga na Liga Europa em campo, mas foi impedido de disputar o torneio por não conseguir tirar a licença Uefa.

Na temporada seguinte, o clube despencou. Com muitos gestores, uma dívida crescente e atraso nos pagamentos de funcionários e jogadores foi rebaixado e teve a falência decretada.

O Parma que conhecemos hoje foi salvo, renascendo na quarta divisão, em 27 de julho de 2015, como Società Sportiva Dilettantistica Parma Calcio. Um ano depois virou Parma Calcio.

Os torcedores não se esquecem dos 18 anos seguidos na elite, especialmente os primeiros 14, quando o pequeno clube fez os gigantes da Itália tremerem e trouxe para a galeria de troféus com taças importantes.