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Nenê e Garrido contam como viram PSG e Manchester City mudarem com bilhões de donos árabes

Enquanto o Newcastle aguarda para saber se a Premier League autorizará que o clube seja comprado por um fundo comandado pelo príncipe herdeiro da Arábia Saudita, os torcedores alvinegros ficam cada vez mais ansiosos para saber qual será o novo rumo do clube, principalmente após a entrada do "dinheiro infinito" vindo do Oriente Médio.

Para entender melhor o processo de transformação de uma equipe após ela ser comprada por algum bilionário do mundo árabe, o jornal Marca entrevistou dois atletas: o brasileiro Nenê, atualmente no Fluminense, e o espanhol Javier Garrido, hoje no pequeno Real Unión.

Nenê e Garrido foram testemunhas, respectivamente, das transformações de Paris Saint-Germain e Manchester City depois que os clubes foram adquiridos - os franceses hoje pertecem à QSI, do Catar, enquanto os ingleses são propriedade de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.

O brasileiro jogou pelo PSG entre 2010 e 2012, e testemunhou a entrada da grana árabe em 2011.

"A equipe que eu cheguei, em 2010, não era a mais rica do mundo. É claro que já era um grande clube, com ídolos como Ronaldinho e Raí. Mas, quando os cataris chegaram, começaram a melhorar o centro de treinamento, mudaram os vestiários, os equipamentos de ginástica... E também a mentalidade. Eles queriam ganhar tudo", contou.

"Estávamos muito felizes com a compra. Tínhamos já uma grande equipe, mas sabíamos que eles iam trazer jogadores top. E a contratação do Pastore foi o primeiro grande golpe", recordou.

Nos anos seguintes, viriam nomes como Ibrahimovic, Cavani, Di María, Matuidi, Thiago Silva, David Luiz, Neymar, Mbappé e muitos outros, que ajudariam a tornar o PSG na grande força dominante da França, arrebatando títulos nacionais com enorme folga. O sonhado troféu da Champions League, porém, até hoje não veio.

Para Nenê, gastar muito no mercado não é sinônimo de triunfo a nível europeu.

"Como o City, o PSG também fez contratações milionárias, com salários enormes, para chegar ao nível do Real Madrid e do Barcelona. Mas ganhar a Champions é muito difícil. Faz falta a experiência, a mentalidade... E também faltou sorte nos últimos anos. Ainda assim, o PSG está entre as melhores equipe do mundo", salientou.

Garrido, por sua vez, jogou pelo Manchester City entre 2007 e 2010, e tambem viu reforços de peso chegarem aos montes, colocando a equipe em outro patamar no futebol inglês.

"O City ao qual eu cheguei, em 2007, era muito diferente. Thaksin Shinawatra, ex-primeiro-ministro da Tailândia, havia acabado de comprar o clube e contratou Elano, Petrov, Giovanni. Junto com o (técnico) Sven-Goran Eriksson, eles criaram um grande impacto. Demos o primeiro passo para uma nova era", recordou.

"Depois das férias, nos disseram que o clube tinha sido vendido. Aí chegaram jogadores como Kompany, Zabalea, Rovinho... Você via a clara intenção de injetar capital. A infraestrutura melhorou muito, e houve muitas contratações de funcionários", rememorou.

Para o espanhol, a chegada de Robinho foi o "ponto de mutação" da história dos Citizens.

"Vieram Jô, De Jong, Bellamy, Wayne Bridge... E Robinho! Aquele foi o ponto de mutação. Ele vinha do Real Madrid e era um jogador de renome, que todo mundo conhecia. Serviu para ser um chamariz para outras estrelas também. Ademais, as estruturas sólidas e um projeto vencedor ajudam a contratar quem você quiser", finalizou.

Desde 2008, o City ganhou quatro vezes a Premier League e faturou ainda duas FA Cups e cinco Copas da Liga. Sob o comando do cobiçado técnico Josep Guardiola, a equipe fez o recorde de pontos da história do Inglês (100, na temporada 2017/18) e, na temporada 2018/19, faturou nada menos que quatro taças nacionais.