Segundo o jornal The Guardian, a Premier League recebeu um documento bombástico que pode tornar ilegal a venda do Newcastle United para um consórcio liderado por Mohammed Bin Salman, príncipe herdeiro da Arábia Saudita, que pretende pagar 300 milhões de libras (R$ 2,147 bilhões) para assumir o tradicional time inglês.
De acordo com o diário, a documentação está sendo analisada pelos advogados da liga.
Seu conteúdo não foi totalmente revelado, mas o veículo apurou que o documento estabelece ligação entre o Governo saudita e a plataforma de TV e streaming pirata BeoutQ, que transmite de maneira ilegal vários esportes na Arábia Saudita, como Wimbledon, o torneio Six Nations de rugby e a própria Premier League.
Por causa disso, o Guardian afima que a venda do Newcastle, que estava muito próxima de ser autorizada, pode até mesmo ser cancelada nos próximos dias.
A liga seguirá investigando os papéis e pretende questionar os membros do consórcio PCP Capital Partners sobre o tema.
Os sauditas, por sua vez, negam qualquer ligação com a plataforma BeoutQ.
Para autorizar a venda de um clube, a Premier League tem como regra prioritária que o(s) candidato(s) a comprar(em) uma equipe não apresentem "informações falsas, enganosas ou equivocadas" aos advogados responsáveis pela checagem de fatos.
Recentemente, a Arábia Saudita afirmou que os serviços da BeoutQ são originários de Cuba e da Colômbia. No entanto, em janeiro deste ano, a Comissão Europeia apontou o país do Oriente Médio como responsável por não tirar a plataforma do ar.
Nos últimos anos, Fifa, Uefa, Premier League e LaLiga figuraram entre as entidades que tentaram derrubar a plataforma pirada por meio das vias legais. No entanto, nove escritórios de advocacia da Arábia Saudita se recusaram a assumir o caso.
Vale lembrar também que a Arábia Saudita figura entre os "notórios mercados de contravenção e pirataria" na lista organizada pelo Governo dos Estados Unidos.
Procurada pelo Guardian, a Premier League não quis comentar o caso no momento.
