Reportagem pubilicada dia 14 de março de 2019
“Neymar e eu tínhamos jogado juntos na base do Santos e éramos amigos de longa data. Durante o jogo, eu pedi a camisa para ele. Eu nem pretendia dar a minha, porque time pequeno, você sabe como é (risos). Ele falou: ‘Tá bom, então me dá a sua também que vou dar para o meu pai’. Eu respondi: ‘Caramba. Então, toma a minha aí também’. E assim foi feito”.
O zagueiro Anderson Conceição lembra bem daquela noite de 15 de março de 2009 no estádio do Pacaembu.
Ele jogava pelo Mogi Mirim, que foi derrotado por 3 a 0 pelo Santos, em jogo válido pela 14ª rodada do Campeonato Paulista.
Neymar, que oito dias antes havia feito sua estreia profissional, fez o terceiro gol daquela partida.
Aos 28 minutos do segundo tempo, ele completou de peixinho para o fundo das redes um cruzamento de Roni em jogada que começou com o meia Molina.
Na comemoração, Neymar deu um soco no ar, imitando o gesto imortalizado pelo maior ídolo santista: Pelé.
Ao final do jogo, o zagueiro levou para casa uma das camisas 7 – o mesmo número utilizado pelo ídolo Robinho - que o futuro astro vestiu.
Mas não por muito tempo.
“Foi legal porque a gente imaginou que ele ia ser esse craque que é hoje. Mas você acredita que eu dei essa camisa embora? No final daquele ano, eu acabei dando de presente para um amigo meu [José Mário Oliveira] que é santista de infância, da cidade onde eu morava [Nova Viçosa-BA]. Imagina se fosse para uma outra pessoa ou um inimigo? (risos)”.
“Na inocência, eu pensei: ‘Depois eu consigo outra’. Só então que eu me toquei que era a camisa do jogo do primeiro gol dele como profissional. Até hoje minha mulher só falta me matar porque eu fiz isso (risos)”, relata.
Além da reprovação dos familiares, Anderson é obrigado a lidar também com as brincadeiras dos amigos.
“O cara guarda a camisa com sete cadeados, uma grade... (risos). Quando eu conto para as pessoas que dei a camisa do Neymar todo mundo fala: ‘Você tá de sacanagem, essa camisa vale milhões (risos)’. Quando eu lembro que dei essa camisa, chega a me dar uma depressão”, brinca o defensor .
Anderson ainda sonha em retomar um dos objetos mais cobiçados do futebol atual.
“Já ofereceram uma grana gigante, mas ele não vende. Eu estive com Neymar e pensei: ‘Preciso dessa camisa de volta. Ela é uma relíquia’. Vou tentar oferecer uma do Brasil para pegar de volta”, “prometeu” o zagueiro.
FICHA TÉCNICA
SANTOS 3 X 0 MOGI MIRIM
Local: Pacaembu, São Paulo (SP)
Data e hora: 15/3/2009, às 19h10
Árbitro: Márcio Roberto Soares
Público: 13.703 pagantes
Cartões amarelos: Bolaños (SAN); Neguette, Luiz Henrique e Giovanni (MOG)
Cartões vermelhos: -
Gols: Ganso, aos 12'/2ºT; Roni, aos 23'/2ºT; Neymar, aos 27'/2ºT
SANTOS: Fabio Costa; Luizinho, Fabão, Fabiano Eller e Triguinho; Germano, Pará, Paulo Henrique Ganso (Molina) e Lúcio Flávio; Neymar (Bolaños) e Roni (André). Técnico: Vágner Mancini.
MOGI MIRIM: Marcelo Cruz; Anderson Conceição, Thiago Couto (William), Negueti e Julio César; Luiz Henrique, Luciano Silva, Joelson (Rick) e Giovanni; Marcelo Régis (André Luís) e João Sales. Técnico: Paulo Campos
