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Aldair revela: 'Fui eleito o capitão da Roma pelos próprios jogadores, mas dei a faixa para Totti'

Durante 13 anos, Aldair brilhou com a camisa da Roma e virou um dos maiores ídolos da história do clube. a ponto de ter o número 6 – que ele utilizava nos jogos – aposentado por uma década.

Revelado no Flamengo em 1985, o zagueiro venceu a Copa União de 87 antes de se transferir para o Benfica, em 1989.

Em apenas uma temporada comandado pelo sueco Sven-Göran Eriksson, ele foi campeão português e vice da Liga dos Campeões – parou no poderoso Milan de Rijkaard, Marco van Basten e Gullit.

Apesar da derrota por 1 a 0, o desempenho do brasileiro foi tão bom que ele foi contratado logo em seguida pela Roma.

Na equipe da capital italiana, ele foi escolhido para ser o capitão na chegada do técnico Zdnek Zeman, na temporada 97/98.

“Teve uma votação entre os jogadores para quem seria o capitão do clube depois da saída do anterior. Tinham algumas opções, mas a maioria me elegeu como capitão do time”, recordou Aldair, ao ESPN.com.br.

Por incrível que pareça, o brasileiro abriu mão da honraria e passou a faixa para um jovem ascendente no time profissional.

“Eu pensei no que o Francesco Totti representava para o clube e para a cidade. Ele era torcedor do clube e um dos jogadores mais talentosos. Achei que seria muito importante ele ser o capitão do time e passei a faixa pra ele. A minha esperança era de que ele virasse o que virou. Fiz a escolha certa”, garantiu.

“O Francesco é um cara de poucas palavras eu também era assim (risos). Ele falava muito pouco, só nos momentos nos quais tinha que falar dentro do vestiário. Isso era o mais importante”, disse.

Totti ficou como capitão da Roma até aposentar-se, aos 40 anos, em 2017.

“Eu o vi crescendo e sabia que iria virar o que virou. Ele é tudo aquilo e mais um pouco. É um daqueles jogadores que existem poucos no futebol, fez a carreira toda em um único clube”, elogiou.

Um dos pilares da conquista da Copa do Mundo de 94, que tirou o Brasil de uma fila de 24 anos, Aldair ajudou a Roma a quebrar outro jejum: desde 1983 a equipe não vencia o Italiano.

Em 2001, o time comandado por Fábio Capello passou por cima dos rivais.

“Eu machuquei o cruzado no joelho e não consegui jogar as seis ultimas partidas, infelizmente. Mas ser campeão da Roma foi fantástico porque o clube tekm poucos títulos italianos na história. Foi uma festa linda na cidade e que durou praticamente o mês inteiro (risos)”, afirmou.

Com a idade já avançada, Aldair ainda permaneceu na Roma até o meio de 2003.

“Sendo muito sincero eu não ia jogar, mas me ofereceram mais um ano de contrato e a torcida me pediu para jogar e acabei ficando. Fiz isso por eles. Estou feliz pela minha escolha porque fiquei muitos anos”.

Ele despediu depois de 415 jogos oficiais em uma festa inesquecível no estádio Olímpico.

“A minha relação com a torcida da Roma é uma paixão, é como se eu tivesse nascido no clube. Joguei minha ultima temporada no clube por causa da torcida”.

Após o brasileiro sair da equipe italiana, nenhum jogador utilizou por uma década o número 6 que foi de Pluto, apelido que o brasileiro ganhou na Itália.

“Tantos jogadores como Conti, Falcão e Cerezo foram importantes, mas eles fizeram isso por mim e achei legal. Depois de 10 anos, a Roma perguntou se poderia voltar a usar a camisa e eu tive que fazer uma autorização”.

Aldair ainda passou por Genoa, Rio Branco-ES e em 2007 foi para o Murata, de San Marino, quando jogou aos 46 anos.

Desde que largou o futebol, o brasileiro se revezou entre o Brasil e a Itália. Há três anos, ele mora em Roma e ainda mantém contato com Totti e a Roma.

“Eu tenho muita ligação com o futebol e trabalho com uma escolinha de futebol da Roma”, finalizou.