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Libertadores 60 anos: de sacerdote artilheiro a jogo com 19 expulsos e 'Argentina' em campo, as dez histórias inesquecíveis

A Copa Libertadores sempre se caracterizou por nos apresenta ruma competição árdua, partidos intensos e eletrizantes, e muita paixão nas arquibancadas. Além disso, também nos deixou centenas de contos e momentos incríveis, desses que marcam a história. A seguir, 10 histórias inesquecíveis da Copa Libertadores.

A estreia da seleção argentina

É possível que uma seleção participe deste torneio internacional? No papel, não, mas o Atlético Tucuman fez com que fosse possível. Depois de uma longa espera no aeroporto e graças a uma boa predisposição do El Nacional, do Equador, que decidiu jogar normalmente a partida apesar do prazo previsto pelo regulamento ter estourado.

Além do atraso pelo elenco preso no aeroporto, os materiais esportivos do Tucumán também ficaram presos e não chegaram ao estádio a tempo, o que fez com que a equipe ficasse sem uniformes. Por sorte, a seleção argentina sub-20 estava disputando o Sul-Americano em Quito e acabou emprestando as camisetas ao Tucumán, que jogou a partida vestido de Argentina e venceu por 1 a 0, se classificando a fase seguinte da pré-Libertadores. O autor do gol, Zampedri, levava em suas costas o número 9 de... Lautaro Martínez!

A noite dos 19 expulsos

Em 17 de março de 1971, na Bombonera, Boca Juniors e Sporting Cristal protagonizaram a partida com mais expulsões da história da Copa, visto que 19 jogadores viram o cartão vermelho durante o duelo. Os argentinos deveriam vencer para avançar para a fase seguinte, mas com o 2 a 2 no placar começou a loucura. Depois que Rogel, jogador do Boca, tentou cavar um pênalti dentro da grande área, um tumulto tomou conta da área do Cristal e começou o descontrole, com socos e pontapés sendo distribuídos.

A consequência foi que o árbitro expulsou 19 jogadores e só se salvaram os dois goleiros e Julio Meléndez, um zagueiro peruano que jogava no Boca. A partida foi suspensa, três jogadores foram hospitalizados e o restante dos expulsos detidos pela polícia.

A partida que se jogou duas vezes

Atlético Nacional e Vasco da Gama são os protagonistas desta história. As equipes se enfrentaram nas quartas de final da Libertadores de 1990 e a primeira partida, no Brasil, terminou 0 a 0. Na volta, os colombianos venceram por 2 a 0. O fato curioso acaonteceu depois da segunda partida, que havia sido disputada em 29 de agosto, já que três dias depois a Conmebol ordenou que a partida seria jogada novamente.

O motivo? A entidade descobriu que o juiz Juan Daniel Cardellino havia sido pago para beneficiar os colombianos. Como resultado, os 2 a 0 foram anulados e a partida jogada novamente no estádio Santa Laura, no Chile, aonde o Atlético voltou a vencer, dessa vez por 1 a 0.

A Libertadores da América na Europa

Há quase dois anos tivemos a primeira final entre Boca e River, um momento histórico para a Copa Libertadores. A questão, porém, é que o que chamou a atenção no duelo foi aonde as duas equipes disputaram a segunda partida. Depois do empate em 2 a 2 na Bombonera, o Boca visitaria o Monumental para decidir o título, mas o encontro nunca aconteceu em Núñez porque o ônibus da equipe de Guiller Barros Schelotto foi atacado com pedras e os jogadores ficaram sem condição de jogo.

A decisão da Conmebol foi mandar a partida em outro continente. Mais precisamente na Europa, Millonários e Xeneizes tiveram que decidir a Libertadores no gramado do Santiago Bernabéu. Em Madri, o River se sagrou campeão após vencer por 3 a 1.

Uma goleada para a história

Ao longo da história da Copa, foram muitos os resultados largos, mas o Peñarol foi o responsável pela maior goleada da história da competição, fazendo uma quantidade nada usual de gols. Em 15 de março de 1970, a equipe aurinegra superou o Valencia, da Venezuela, por 11 a 2 em uma partida da fase de grupos. Os destaques foram Pedro Rocha, que marcou 3, e Spencer, que marcou 2. A segunda maior goleada é do River Plate: 9 a 0 sobre o Universitário, da Bolívia, também em 1970.

O carrasco de Boca e River

O Independiente del Valle foi a equipe revelação da Copa Libertadores de 2016, na qual chegou na final e caiu diante do Atlético Nacional. No entanto, a campanha dos equatorianos não foi histórica só por chegar a essa fase, mas por terem quebrado outro recorde: foram a primeira equipe a eliminar Boca e River em uma mesma edição na história.

O elenco comandado por Pablo Repetto deixou no caminho o River nas oitavas, depois de uma derrota por 1 a 0 no Monumental (haviam vencido por 2 a 0 na ida) e deram o golpe no Boca Juniors nas semifinais, vencendo as duas partidas (5 a 3 no agregado) para carimbarem a vaga para a final.

O acordo paraguaio que eliminou o Colo-Colo

Sol de América e Olimpia estavam no grupo 1 ao lado de Colo-Colo e Cobreloa na Libertadores de 1989. Na última rodada, as duas partidas foram disputadas no mesmo horário, já que definiriam os classificados, mas algo estranho aconteceu. Enquanto os chilenos jogaram sua partida e empataram 2 a 2, os paraguaios não puderam completar seu jogo: aos 25 minutos, quando o Sol vencia por 1 a 0, a luz do estádio caiu e nunca mais voltou. O duelo, então, foi adiado para o dia seguinte.

Com o resultado do encontro entre os chilenos em mãos, os paraguaios sabiam que um único resultado classificaria ambas as equipes: um 5 a 4 para o Sol de América, já que o Olimpia empataria em pontos com o Colo-Colo, mas superaria os chilenos no número de gols marcados. E o milagre aconteceu. Os 65 minutos restantes foram uma chuva de gols e o Sol de América venceu por 5 a 4.

Quis o destino que as equipes se cruzassem novamente nas quartas de final, aonde o Olimpia avançou com um placar agregado de 6 a 4.

Quando o azar definiu um semifinalista

O Independiente Santa Fe enfrentou o Jorge Wilstermann nas quartas de final da Copa Libertaodres de 1961. Na partida de ida, os bolivianos venceram por 3 a 2 e os colombianos fizeram 1 a 0 na volta. O regulamento previa uma partida desempate em estádio neutro, mas ambas as equipes entraram em acordo e deixaram tudo para a sorte. Em um sorteio, quem ficou com a vaga na semifinal foi o Santa Fe, que foi eliminado na sequência pelo Palmeiras.

O jogo com menos público da história

O dia 22 de abril de 2004 produziu um dos dias mais insólitos da Libertadores. Era disputada a 6ª rodada do grupo 2 e o Once Caldas enfrentou o Fénix do Uruguai e empatou em 2 a 2. Os colombianos já estavam classificados e os uruguaios já eliminados. Com isso, tivemos a partida com menos espectadores da história da competição: apenas 46. Alguns meses depois, o Once Caldas levantaria a taça após vencer o Boca na disputa de pênaltis.

O sacerdote goleador

Em 29 de abril de 1971, o Estudiantes de La Plata recebeu o Barcelona de Guayaquil na partida de volta das semifinais. A vitória dos equatorianos por 1 a 0 por si só já seria um feito, afinal, o Estudiantes era o atual tricampeão da Libertadores (havia vencido 68, 69 e 70) e nunca havia sido derrotado em casa até ali. Mas a história não acaba aí: o autor do único gol foi Juan Manuel Bazurco, equatoriano que havia fechado com o Barcelona naquela mesma temporada.