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Três do Milan, dois da seleção e nenhum do São Paulo: revista relembra jogos marcantes de Kaká segundo ele mesmo

Ídolo do Milan e do São Paulo e eleito melhor jogador do mundo em 2007, o ex-jogador Kaká completa 38 anos de idade nesta quarta-feira. Em um texto na revista FourFourTwo, o meia elegeu os cinco jogos mais memoráveis de sua carreira. Em sua lista, Kaká não escolheu nenhum jogo pelo São Paulo, clube que o revelou para o futebol e pelo qual o meia teve duas passagens: a primeira entre 2001 e 2003 e a segunda em 2014.

O jogador escolheu três partidas pelo Milan e duas pela seleção brasileira. As partidas eleitas pelo jogador envolvem alguns dos momentos mais felizes da carreira do jogador. Porém, dois dos jogos que entraram na lista foram derrotas marcantes, que trouxeram um grande aprendizado ao meia.

O meia revelou sua lista por ordem cronológica. A primeira partida é a final da Copa do Mundo de 2002, quando o Brasil venceu a Alemanha por 2 a 0, com dois gols de Ronaldo Fenômeno, e conquistou o pentacampeonato. Nos acréscimos do segundo tempo, Kaká estava pronto para entrar no jogo, mas a bola não saiu nos minutos finais e o árbitro apitou o fim da partida antes que o meia pudesse entrar.

"Não entrei nesse jogo, mas fiquei muito orgulhoso por fazer parte do elenco numa final de Copa do Mundo. Faltando cinco minutos, Felipão me olhou no banco e disse: 'vai garoto, sua hora é agora'. Eu nem aqueci, fui direto para a beira do campo. Infelizmente, não deu tempo de entrar, mas eu estava do lado do juíz quando ele apitou o final de jogo. Foi uma das melhores coisas que já senti. Eu tinha 20 anos e era campeão do mundo com a seleção brasileira. Sensacional!"

A segunda partida memorável foi uma derrota. Em 2005, o Milan abriu 3 a 0 contra o Liverpool na final da Champions League, mas sofreu o empate e perdeu o título nos pênaltis.

"Quando Hernán Crespo recebeu meu passe e fez o terceiro gol, ficamos muito confiantes. Não sei o que houve quando o Liverpool nos alcançou em seis minutos. Fiquei muito triste quando Dudek defendeu o pênalti do Shevchenko. Naquele dia, aprendi uma lição valiosa: futebol é um esporte em que você nunca pode achar que o resultado está garantido. Ganhei muitos outros jogos e títulos que amenizaram a dor dessa derrota, mas ainda é um jogo muito importante na minha vida."

A terceira partida marcante na carreira do jogador também foi outra derrota marcante. Nas quartas de final da Copa do Mundo de 2006, a seleção brasileira perdeu para a França por 1 a 0, gol de Thierry Henry, e foi eliminada.

"Escolhi dois jogos que perdi porque aprendi muito com eles. Aquele time do Brasil era inacreditável, tínhamos Cafu, Lúcio, Roberto Carlos, Ronaldo e Ronaldinho, que tinha acabado de ganhar a Champions League com o Barcelona. Mas o Zidane estava em um de seus melhores dias e a França avançou para a semifinal. Uma falta de concentração e nosso sonho de defender o título mundial terminou, mas me deixou mais forte e abriu caminho para todas as conquistas da temporada seguinte.

O quarto jogo da lista de Kaká é a revanche contra o Liverpool, quando o Milan venceu os Reds por 2 a 1 e conquistou o título da Champions League na temporada 2006-07.

"Estávamos muito motivados para colocar as coisas no lugar e evitar que o aconteceu em 2005 se repetisse. No final do primeiro tempo, Pippo Inzaghi desviou de ombro uma falta cobrada pelo Pirlo e abriu o placar. Ele marcou mais um gol aos 37 do segundo tempo, passando pelo Reina depois de receber um passe meu".

"Mas quando o Kuyt marcou (no último minuto), começamos a nos fazer aquelas mesmas perguntas: 'está acontecendo de novo? Vamos perder?' Dava para sentir a tensão na arquibancada, mas, desta vez, demos a nossos torcedores a vitória que devíamos a eles. Foi incrível. Eu estava no meu auge. 2007 foi o ano mais importante da minha carreira."

E já que 2007 foi o ano mais importante de sua carreira, o quinto jogo mais marcante para Kaká foi a final do Mundial de Clubes da Fifa daquele ano, quando o Milan venceu o Boca Juniors por 4 a 2.

"O placar faz parecer que o jogo foi fácil, mas a final do Mundial de Clubes foi muito competitiva. O jogo estava 2 a 1 quando fui abençoado com um gol, aos 16 minutos do segundo tempo. Recebi a bola na metade do campo, fui para cima, driblei o Maidana, chutei por entre as pernas do goleiro e marquei o gol. Mostrei uma camisa que eu estava usando por baixa da camisa de jogo que dizia: 'Pertenço a Jesus', algo que as pessoas sempre associam aonde quer que eu vá. Depois do apito final, comemoramos como crianças. E quando eu achava que não dava pra ficar melhor, fui eleito o craque do jogo".