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Advogado rebate defesa de Fernando, ex-Grêmio, sobre motorista preso na Rússia por tráfico: 'Não estão ajudando'

Advogado brasileiro de Robson do Nascimento Oliveira, preso na Rússia há mais de um ano sob a acusação de tráfico de drogas, rebateu as afirmações da defesa do volante Fernando de que ele e sua família estariam ajudando o motorista que haviam contratado e ao qual pediram para levar do Brasil ao país europeu um medicamento que lá é proibido e considerado entorpecente (Mytedom 10mg, cloridrato de metadona).

Olímpio Soares procurou o jornalista da ESPN Brasil Mauro Cezar Pereira para dizer que as coisas não estão se dando exatamente como disse, em entrevista ao mesmo publicada no último dia 31 de março, o representante do atleta ex-Grêmio e seleção brasileira e atualmente no Beijing Guoan, Fernando Cassar.

Ele enviou longo texto que o blog do jornalista no portal UOL colocou no ar na íntegra. Entre outras coisas, Soares diz que Raphaela, esposa de Fernando, sabia que a substância era proibida na Rússia, que houve 'imposição' no que se refere ao pagamento de passagens para ele e a mãe de Robson irem visitar o acusado e que a família não está ajudando como poderia no caso.

Veja abaixo algumas das alegações do advogado de Robson

"Em primeiro lugar, eles (Fernando e sua família) não estão cooperando tecnicamente no processo, tendo em vista que não aceitaram fazer o depoimento aqui no Brasil. À época eu falei que teria validade jurídica na Rússia, se fossem traduzidos por um tradutor juramentado e apostilados em cartório aqui no Brasil."

"Quanto a estarem pagando passagens, fizemos um acordo de cooperação em que foram estipulados por eles três viagens anuais a Moscou. Não tive como não aceitar essa imposição deles, caso eu não aceitasse, os honorários dos advogados não seriam compactuados em contrato e o Robson ficaria com a defensoria pública russa."

"... Inclusive temos provas testemunhais que serão usadas em um futuro processo, que afirmam que a senhora Raphaela (mulher de Fernando) costumava pedir para brasileiros em grupos de WhatsApp que moravam em Moscou que trouxessem o remédio para o pai dela. E foi avisada que o remédio era proibido. Inclusive chegaram até a pedir esses medicamentos para o médico do Spartak [Moscou, clube em que Fernando jogava] e ela foi advertida que o remédio era realmente proibido no território Russo. Isso tudo temos como comprovar."

"Requisitei passagens mensais e isso me foi negado. Ofereçam duas passagens anuais e no final ficou acertado que são três. No tocante à passagem para a mãe do Robson, coloquei no novo contrato que era importante ter uma cláusula onde eles cederiam uma passagem anual à Dona Vanda para visitar o filho e que ficaria a critério dela se ela viajaria ou não. Isso também me foi negado."

"Estão mais preocupados com o lado financeiro do que em prestar assistência ao Robson."

Entenda o caso

Robson, de 47 anos, foi contratado por Fernando para servir sua família no país europeu, no qual defendia o Spartak Moscou, como motorista. Foi indicação da própria esposa, Simone Barros, cozinheira.

Em fevereiro de 2019, ao chegar na Rússia, o ex-fuzileiro naval levava uma mala de favor para a família do atleta na qual havia duas caixas do remédio Mytedom 10mg - cloridrato de metadona -, comprimido indicado a quem lida com dores fortíssimas e também usado no tratamento de recuperação de viciados em ópio e heroína.

Era para William Pereira de Faria, sogro de Fernando. O problema: a substância é considerada um entorpecente na Rússia. Droga.

Robson até foi liberado naquele dia, mas em 18 de março foi levado por Raphaela, esposa do jogador, para uma unidade da polícia russa dentro do Aeroporto Internacional de Domodedovo.

Lá, foi preso por tráfico e levado para um presídio em Kashira, cidade a 110km de Moscou, no qual está até hoje.