<
>

Sogro de Fernando, ex-Grêmio, vai processar laboratório de remédio que fez motorista ser preso por tráfico na Rússia

Sogro do volante Fernando, ex-Grêmio, seleção e atualmente no Beijing Guoan, da China, William Pereira de Faria vai processar o laboratório que fabrica o remédio que faz uso e que causou a prisão de Robson do Nascimento Oliveira na Rússia, há mais de um ano, por tráfico.

A revelação foi feita pelo advogado do atleta, Fernando Cassar, em entrevista ao blog do jornalista da ESPN Brasil Mauro Cezar Pereira no portal UOL.

"Ele [William] está indignado, enquanto eu dou as entrevistas, ninguém fala com os médicos e o laboratório? O William vai entrar com uma ação contra o laboratório, que não avisa sobre a proibição do medicamento em alguns países", afirmou.

O remédio em questão é o Mytedom 10mg - cloridrato de metadona -, comprimido indicado a quem lida com dores fortes e também usado no tratamento de recuperação de viciados em ópio e heroína.

Cassar também negou que Fernando tenha abandonado o funcionário que contratara para ser motorista de sua família no país europeu, falou em "arrependimento" e deu mais detalhes sobre o caso.

"[Fernando] não o deixou desassistido, Robson ficou com um advogado. E fez um acordo para contratação de mais um advogado na Rússia, eles são pagos pelo Fernando, como as passagens para que o advogado brasileiro vá até lá acompanhar o caso", disse o advogado.

Veja, abaixo, os principais trechos da entrevista

Mauro Cezar (MC) - Os medicamentos que resultaram na prisão de Robson eram do William, sogro de Fernando, certo?

Fernando Cassar (FC) - "Sim, isso já foi admitido pela família. Eu não estava no caso no início, ele foi preso em março do ano passado, entrei meados do ano passado. Mas estudei muito a matéria. Não houve jamais deliberação do sogro do Fernando. William já havia entrado e saído em diferentes países com o medicamento que em 95% das nações é livre. Ele compra o remédio com receita médica e faz uso contínuo, não imaginava que o medicamento não era permitido lá, inclusive a embaixada russa somente depois do caso colocou em seu site que esse medicamento lá não é permitido. O que houve foi uma grande fatalidade."

MC - Quem é responsável então?

FC - "O laboratório e a Anvisa, pois não colocam um aviso: 'Ao viajar informe-se se esse medicamento é permitido no país de destino'. O medicamento era para uso, eram duas caixas, evidentemente não se tratava de tráfico."

MC - A família de Fernando e o próprio jogador depuseram à justiça russa admitindo que os medicamentos eram do William, sogro do atleta?

FC - "A receita em nome do William foi entregue e lá o que disseram foi: para nós essa receita não tem valor. Para eles o que importa é quem porta o remédio... Agora imagine, um país como a Rússia, muito diferente do nosso, muito fechado e o rapaz ainda é de outra nacionalidade, tudo isso pesou. Mas nossa grande argumentação é a boa fé. Veja que nos aeroportos perguntam se a pessoa está levando algo ilícito e se está levando mais de US$ 10 mil, mas não se questiona se está portando algum medicamento."

MC - Qual a alegação do jogador e seus familiares para irem embora da Rússia, deixando o rapaz preso?

FC - "Quando o clube contrata um atleta, o quer para ontem e ele mal teve tempo de fazer a mudança. Mas não o deixou desassistido, Robson ficou com um advogado. E fez um acordo para contratação de mais um advogado na Rússia, eles são pagos pelo Fernando, como as passagens para que o advogado brasileiro vá até lá acompanhar o caso. Ele ficar mais tempo jogando e vivendo na Rússia não adiantaria nada."

MC - Em algum momento Fernando e seus familiares demonstraram arrependimento pelo que causaram a Robson?

FC - "Sim, o maior arrependimento é de ter ido para lá [Rússia], mas já haviam viajado tantas vezes sem nada acontecer. O rapaz teve a oportunidade e aceitou trabalhar lá."

MC - O que William, sogro de Fernando, fala sobre tudo isso?

FC - "Ele está indignado, enquanto eu dou as entrevistas, ninguém fala com os médicos e o laboratório? O William vai entrar com uma ação contra o laboratório, que não avisa sobre a proibição do medicamento em alguns países. Isso ocorreu em função de uma vistoria na mala, se eles vistoriassem as malas de todo mundo, muito mais pessoas seriam detidas. A receita médica, inclusive, está retida na Anvisa."

MC - O que o senhor acha que acontecerá com Robson?

FC - "Eu não conheço o Direito russo, mas sabemos que trata-se de um país muito fechado. Sei que se ficar com o advogado russo, vai transcorrer como um processo a mais no país. As autoridades brasileiras deveriam agir diplomaticamente a favor do rapaz."

Entenda o caso

Robson do Nascimento Oliveira, de 47 anos, ex-fuzileiro naval e que levava uma vida bem humilde em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, está preso desde 18 de março de 2019 em Kashira, cidade a 110km de Moscou.

Por quê? Porque pouco mais de um mês antes, em 9 de fevereiro daquele ano, ele desembarcou com a esposa, Simone Barros, no Aeroporto Internacional de Domodedovo, na capital do país e em uma de suas malas estavam duas caixas do remédio Mytedom 10mg - cloridrato de metadona -, comprimido fortíssimo usado por quem lida com dores e também usado no tratamento de recuperação de viciados em ópio e heroína.

Na Rússia, a metadona é considerada um entorpecente. Logo, foi acusado de tráfico.

Robson levou o medicamento de favor para o sogro de Fernando, William Pereira de Faria, pai de Raphaela, esposa do jogador, e que faz uso do mesmo.

Robson chegou até à família de Fernando via Simone, que já havia sido contratada para trabalhar para a mesma como cozinheira e pediu para que o companheiro fosse junto viver na Rússia. Ela ganharia R$ 8 mil por mês e ele, como motorista, R$ 6 mil.