O jogo entre Ferroviária e São Paulo, nesta quarta-feira (20), na Arena Fonte Luminosa, em Araraquara, pelo Campeonato Brasileiro Feminino Sub-20, foi marcado por um fato lamentável.
Nos acréscimos do 2º tempo, quando o São Paulo vencia por 4 a 1, a árbitra Talita Ximenes de Freitas acionou o protocolo de racismo e misoginia depois da zagueira tricolor Sarah Aysha dizer ter sido chamada de 'biscate' pelo maqueiro da Ferroviária.
O fato teria acontecido quando Sarah Aysha deixava o gramado na maca. Abalada, a zagueira tricolor chegou a passar mal no banco de reservas, enquanto o funcionário da Ferroviária deixou o estádio.
"A gente está numa categoria de base. A gente está aqui para aprender e, num momento daquele, o cara me mandar tomar no c* e me chamar de biscate, é inadmissível. A gente está treinando todo dia, o ano inteiro treinando longe da família para chegar um cara e me chamar de biscate fora do campo. É inadmissível", desabafou Aysha ao Sportv.
A árbitra Talita Ximenes de Freitas relatou na súmula.
"Informo que aos 45+3 minutos do segundo tempo, a partida ficou paralisada por 3 minutos, após ser informada pelas jogadoras da equipe do São Paulo Futebol Clube, da ofensa proferida pelo maqueiro Sr. Jair Modesto Palombo, bem como o pedido de abertura do protocolo antirrascimo. Diante dos fatos, paralisei a partida e abri o protocolo conforme solicitado, prestando assistência à atleta ofendida, nº 4, Sr. Sarah Aysha Lopes Santos, da equipe do São Paulo Futebol Clube, a atleta relatou que o referido senhor proferiu as seguintes palavras: "vai tomar no c*, biscate". Informei as capitãs e a técnica da equipe visitante, aguardei a recuperação da atleta e, após questioná-la se estava apta a retornar à partida, a mesma informou que retornaria. Dessa forma, a partida foi reiniciada aos 45+6 minutos do segundo tempo", escreveu a árbitra.
A Ferroviária divulgou uma nota oficial sobre o ocorrido e classificou o comportamento do funcionário como 'inadmissível'. O clube prometeu tomar as medidas cabíveis e pediu desculpas para a zagueira tricolor.
"A instituição informa que a conduta será apurada internamente e que as medidas cabíveis serão adotadas. Reforçamos, ainda, nosso compromisso permanente com a construção de um futebol feminino cada vez mais seguro, respeitoso e digno para todas as pessoas envolvidas", diz parte da nota.
Dentro de campo, o São Paulo ganhou da Ferroviária por 4 a 2 e garantiu a classificação para a final do Campeonato Brasileiro Feminino Sub-20.
Confira abaixo as notas divulgadas pelos clubes sobre o ocorrido com Sarah Aysha:
FERROVIÁRIA
As Guerreiras Grenás vêm a público manifestar repúdio à atitude ocorrida ao final da partida da categoria Sub-20, quando um integrante da equipe de apoio proferiu ofensas contra uma atleta do São Paulo Futebol Clube.
O comportamento registrado é inadmissível, não representa os valores da instituição e contraria tudo aquilo que defendemos dentro e fora de campo: respeito, responsabilidade, ética, formação humana e valorização das mulheres no esporte.
Pedimos desculpas à atleta ofendida, ao São Paulo Futebol Clube, à sua comissão técnica, ao elenco e a todos que se sentiram atingidos pela situação. Nenhuma circunstância justifica agressões verbais, especialmente em um ambiente que deve promover convivência, educação e respeito entre atletas, profissionais e equipes.
A instituição informa que a conduta será apurada internamente e que as medidas cabíveis serão adotadas. Reforçamos, ainda, nosso compromisso permanente com a construção de um futebol feminino cada vez mais seguro, respeitoso e digno para todas as pessoas envolvidas.
As Guerreiras Grenás também parabenizam o São Paulo Futebol Clube pela classificação à final do Campeonato Brasileiro Sub-20, reconhecendo a campanha realizada pela equipe e desejando uma decisão à altura da grandeza da competição.
SÃO PAULO
Na partida desta quarta-feira (20), entre Ferroviária e São Paulo, pela semifinal do Campeonato Brasileiro Feminino Sub-20, a arbitragem acionou o protocolo antirracista após a atleta Sarah Aysha, do São Paulo, sofrer um episódio de misoginia vindo de um integrante do quadro móvel da equipe mandante.
O São Paulo FC reforça que não tolera nenhum tipo de preconceito e aguarda que as autoridades cumpram com sua responsabilidade para que a justiça seja feita. Reafirmamos que atitudes ofensivas, discriminatórias ou desrespeitosas não serão toleradas em nosso ambiente.
O São Paulo FC também informa que prestará todo suporte necessário à atleta, que muito nos orgulha de ter no elenco, vestindo nossa camisa.
O Futebol Feminino é gigante, e não há espaço para cenas lamentáveis como esta.
