As torcidas dos clubes alemães estão entre as mais fanáticas – e politizadas – do futebol.
Nos últimos anos, os protestos dentro e fora de campo marcam a história da Bundesliga e por diversos motivos.
No fim de semana passado, os ‘ultras’ do Bayern de Munique criticaram duramente o principal investidor do Hoffenheim, Dietmar Hopp, e causaram a paralisação do jogo na Rhein-Neckar-Arena.
Torcedores de Colônia e Union Berlin também protestaram contra o bilionário em suas partidas mesmo a quilômetros de distância, e o movimento não deve parar tão cedo: existe a lei do 50+1 na Alemanha, em que não pode haver um acionista majoritário no comando de um clube.
As ações das torcidas já chamaram muito a atenção da federação alemã (DFB) e até mesmo da Uefa, a entidade que comanda o futebol europeu, e as razões para tal variam.
Em 2016, por exemplo, os fãs do Borussia Dortmund atiraram bolas de tênis no Signal-Iduna Park por causa do aumento do preço dos ingressos. Eles gritavam "isto não é tênis", uma alusão ao custo de entradas para partidas da modalidade.
Os ‘ultras’ do Eintracht Frankfurt deixam até hoje em um setor do próprio estádio uma faixa estendida com a palavra Montag (segunda-feira) como crítica aos jogos da Bundesliga no dia da semana mencionado.
O protesto deu resultado, e o Campeonato Alemão não terá mais partidas às segundas a partir da temporada 2021-22.
A própria torcida do Bayern havia protestado na semana passada durante a viagem a Londres para o duelo contra o Chelsea pela ida das oitavas de final da Uefa Champions League, dessa vez por outro motivo: o preço dos ingressos para os visitantes.
Nas faixas, eles reclamavam das 55 libras pagas por entrada no duelo em Stamford Bridge, diziam “clubes, parem de precificar a insanidade!” e pediam “Twenty is Plenty” (20 é o bastante, em tradução livre) – campanha organizada por torcedores da Inglaterra para pagaram até 20 libras por ingresso.
Em agosto passado, a Uefa anunciou acordo com os clubes para torcidas visitantes nesta temporada: ingresso a no máximo 70 euros para jogos da Champions e 45 euros para partidas da Liga Europa.
