Jorge Jesus depôs, nesta terça-feira, no Tribunal de Almada, em Portugal, no caso que julga as agressões sofridas pelo elenco e comissão técnica do Sporting, no CT do clube, em maio de 2018.
"Eram tantos... Lembro-me perfeitamente que comecei a correr direto ao escritório. Não os vi a entrar, eram muitos, a maior parte da cabeça coberta. Os últimos quatro elementos que fizeram a invasão vinham de cara destapada, um deles reconheci: o Fernando Mendes. Mais de 20 eram de certeza. Parecia uma marcha de um pelotão de guerra", recordou.
"Levei um soco na cara, caí e fiquei com o nariz sangrando. O Fernando Mendes estava perto de mim. Depois apareceu outro indivíduo, um que levou um carro lá para dentro, também me viu levando o soco. Não o conhecia, sei agora quem é porque depois vi as imagens", seguiu.
“Depois fui agredido nos corredores, tentei reagir mas foi uma enorme confusão", acrescenta. “Depois levei com um cinto, meio no ombro, meio na cara. O que me deu o soco? Lembro-me que tinha calções e ténis, não tinha mais que 23, 24 anos.”
À época, o atual comandante do Flamengo estava no clube português e perdeu a vaga para a Champions League na última rodada do campeonato. Enfurecidos, torcedores invadiram o CT e agrediram jogadores e comissão técnica.
"Não vi mais agressões. Só depois, quando estive com os meus jogadores, é que vi que o Bas Dost era um dos que estava em pior estado. Estava chorando e perguntou-me: 'Mister, por que é que me fizeram isto?'", revelou o treinador.
"Parecia um filme de terror. No vestiário, estava tudo virado ao contrário, os jogadores alterados e sem saber o que fazer. O Bas Dost foi o único que vi a chorar, mas todos estavam revoltados."
A Justiça portuguesa julga 44 acusados pelo ataque ao CT. Eles poderão ser condenados pelos crimes de terrorismo, ameaça agravada, dano com violência, porte ilegal de arma e invasão de lugar proibido.
