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Mark Bosnich, ex-goleiro do Manchested United: 'Palmeiras merecia ter vencido Mundial de 1999'

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Relembre a volta do Palmeiras ao Brasil após a derrota para o Manchester United há 20 anos (1:44)

O goleiro Marcos admitiu ter falhado na decisão, mas disse que não foi o único culpado: 'Todo mundo perdeu' (1:44)

20 anos depois do dia 30 de novembro de 1999, um nome até hoje causa calafrios nos torcedores do Palmeiras: Mark Bosnich.

Foi esse goleiro que impediu que a equipe comandada por Luiz Felipe Scolari vencesse o poderoso Manchester United e conquistasse a Copa Intercontinental (Mundial de Clubes) daquele ano.

O australiano, que virou titular após a saída do lendário Peter Schmeichel para o Sporting ao final da Champions 1998/99, pegou até pensamento no Estádio Nacional de Tóquio, no Japão.

Ao longo dos 90 minutos, ele fez defesas incríveis em finalizações de Alex, Oséas, Asprilla e Paulo Nunes, principalmente no segundo tempo, quando os ingleses foram dominados.

Na única vez em que Bosnich foi batido, Evair enfiou para Alex e o camisa 10 balançou as redes. No entanto, o bandeirinha Yoshikazu Hiroshima assinalou impedimento de forma equivocada e anulou.

No fim das contas, deu United por 1 a 0, no famoso lance da falha de Marcos na saída pelo alto, que resultou no gol de Roy Keane, livre no segundo pau.

Foi uma partida em que o Verdão foi muito melhor que os Red Devils, mas amargou um vice que até hoje é muito lamentado no Palestra Itália.

E quem admite a superioridade alviverde sobre o incrível elenco comandado por Sir Alex Ferguson é o próprio Bosnich.

Em entrevista à ESPN, o ex-atleta, que atualmente vive em Sydney e trabalha como comentarista da FOX Sports em seu país natal, lembra que o United foi "massacrado", especialmente no 2º tempo, e admitiu.

"Para ser brutalmente honesto, o Palmeiras mereceu vencer aquela partida".

Leia a entrevista com Mark Bosnich:

ESPN: Quais são suas principais lembranças de Manchester United x Palmeiras?
Mark Bosnich: Para mim, esse foi um dos melhores dias da minha vida. Mesmo tendo sido há 20 anos, parece que foi ontem. Também foi muito importante para o United, porque os ingleses não diziam para os outros o quanto aquele título era significativo, já que nunca tinham vencido a competição antes. Por isso, ficava aquele fingimento de dizer: 'Ah, tanto faz se a gente ganhar ou perder'. Mas a verdade é que falavam isso porque nunca tinham conseguido vencer antes. Ser campeão da Copa Intercontinental significava ser o campeão do mundo, então foi um grande momento não só para o Manchester United como para o futebol inglês, pois foi a primeira vez que houve um campeão mundial da Grã-Bretanha.

ESPN: Os times brasileiros se preparavam por meses para o Mundial no Japão. Como foi a preparação do Manchester United?
MB: Nós estávamos em uma maratona, jogando Premier League, FA Cup, Champions League... Então, o foco era sempre o próximo jogo. Mas, do ponto de vista psicológico, nosso técnico tinha uma ambição enorme, e fez de tudo para colocar na nossa cabeça que poderíamos vencer esse jogo, mesmo sendo algo que nenhum time inglês havia conseguido antes. Nem o grande Liverpool dos anos 90, nem mesmo o Manchester United de 1968, ou o Celtic de 1957, que foi o primeiro time britânico a ser campeão europeu. Ou seja: nenhum inglês havia sido campeão mundial! Nem o Nottingham Forest de Brian Clough, nem o Aston Villa... Ninguém! Então, o Ferguson nos mostrou o quanto esse jogo era importante para nós e também para o Palmeiras, pois ele sabia que nosso adversário estava lá (no Japão) há duas semanas se preparando, e sabia que sera o 'jogo do ano' para eles. Mas a ambição de Ferguson era ser o melhor do mundo. E esse jogo era o que referendava isso: nós ganhamos o Mundial de Clubes e, neste momento no tempo, somos o melhor time do planeta. Então, a preparação foi mais pelo lado mental do que pelo físico. Claro que tivemos que cuidar do físico também, porque o voo da Inglaterra par ao Japão foi muito longo, logo depois de partidas do Inglês e da Liga dos Campeões. Mas, na cabeça do Ferguson, ele sabia que essa partida era uma oportunidade de mandar uma mensagem: o Manchester United é a melhor equipe do mundo.

ESPN: E como você encarava esse confronto, pessoalmente falando?
MB: Eu nasci na Austrália, então tive uma criação esportiva muito diferente da dos brasileiros, por exemplo. Quando você é um garoto no Brasil, pode ter o sonho de um, dia, ser campeão do mundo com sua seleção na Copa do Mundo. Mas, para um garoto na Austrália, não há esse sonho. A verdade é que não acho que verei a Austrália ganhar a Copa do Mundo enquanto eu for vivo (risos). Por isso, o jogo contra o Palmeiras era uma oportunidade de ouro para mim. Eu costumava assistir à Copa Intercontinental quando era mais jovem. Lembro perfeitamente, por exemplo, da partida entre Juventus e River Plate, em 1996. Então, eu pensava que era algo gigante para o United e para mim.

ESPN: O que o Ferguson falou para você sobre o Palmeiras? Você se lembra das instruções que ele deu?
MB: Lembro de tudo. Ferguson pediu para ter muito cuidado com o (atacante colombiano Faustino) Asprilla, porque ele havia jogado muito bem na Premier League pelo Newcastle alguns anos antes, e todos nós sabíamos o perigo que ele era. Nós também tínhamos informações sobre o Paulo Nunes, que armava as jogadas para o Asprilla, e também sobre o camisa 10, Alex, que o Ferguson dizia o tempo todo: 'É excelente'. Alex era muito importante para o funcionamento do Palmeiras, e nosso técnico desenhou a equipe deles na lousa e disse que a gente tinha que ser extremamente cauteloso quando o adversário fizesse lançamentos para as pontas, porque os laterais subiam muito e cruzavam bem, mas também em algumas ocasiões recolocavam a bola para o centro, procurando o Alex, Se isso acontecesse, nossa defesa estaria aberta e daria espaço para ele jogar, o que não podíamos deixar acontecer de jeito nenhum. O Ferguson também alertou: 'Alex adora dar lançamentos curtos, o que na Inglaterra a gente chama de chip, entre a meia-lua e a pequena área, então temos que estar atentos com isso o tempo todo!'. Ele também nos mostrou que o Palmeiras era um time muito bem preparado fisicamente, que se impunha algumas vezes também pela força, e que era para a gente esperar uma partida muito difícil, como de fato foi. Tivemos muita sorte de ir para o intervalo ganhando de 1 a 0, com aquele gol do Keane, no lance envolvendo o Marcos. Pobre coitado, ele tentou sair para cortar o cruzamento mas acabou errando o cálculo, e o Roy só empurrou para dentro. Depois disso, porém, o Palmeiras nos colocou contra a parede. A verdade é que nosso adversário teve uma noite fantástica, jogou bem e conseguiu nos dominar através da estratégia do (técnico Luiz Felipe) Scolari. Mas é por isso que o futebol é fantástico. Essa foi uma daquelas noites em que o time que jogou melhor perdeu. É assim que é o futebol, e é por isso que amamos esse esporte. Mesmo que você faça uma grande partida, se não conseguir marcar os gols, coisas assim acontecem...

ESPN: Você fez muitas defesas naquela partida. Consegue se lembrar qual foi sua favorita?
MB: A verdade é que minha memória favorita é o jogo todo, porque essa foi uma das melhores partidas da minha carreira. Tudo deu certo para mim! Mas não foi sorte, como alguns dizem. As defesas que eu fiz nessa partida foram todas baseadas nas coisas que eu treinava duro e constantemente todos os dias. E eu também tenho que ressaltar que nossa equipe tinha uma linha de quatro defensores que era excelente. Então, mesmo nos momentos em que eu não consegui agarrar a bola e ela ficou pipocando na área, eu sabia que podia contar com eles para afastar o perigo. Gary Neville, Silvestre, Stam e Irwin eram ótimos defensores, e sabiam como fazer as coberturas. Eles fizeram com quem minhas defesas fizessem sentido, porque muitas vezes você até espalma a bola, mas ela sobra para o atacante e ele empurra para dentro. Mas, no fim das contas, o Palmeiras realmente foi tudo o que o Ferguson nos disse que seria, e até um pouco mais. Talvez numa outra noite eles teriam feito uns três gols na gente. Mas aquela noite foi a nossa. Os 'Deuses do Futebol' nos iluminaram (risos).

ESPN: No Brasil, há um ditado: 'Não existe justiça no futebol'. Pensando nisso, você acha que houve justiça em United x Palmeiras? Pensa que talvez um empate fosse mais justo?
MB: Esse ditado é uma boa maneira de resumir aquela partida (risos). Um empate? Para ser brutalmente honesto, e eu sempre sou honesto com tudo, o Palmeiras mereceu vencer aquele jogo. Mas o que a gente tinha no United era um espírito de luta fantástico, um pensamento de nunca se render. Eu tive muita sorte naquela noite, nossa defesa jogou muito bem e nós tivemos um chute a gol em 90 minutos, mas conseguimos ganhar. Antes dessa entrevista, eu fui até conferir as estatísticas para ver se tinha sido isso mesmo e é incrível: nós chutamos uma única bola no gol! O Manchester finalizou oito no total, enquanto o Palmeiras chutou 15! E o Palmeiras também teve muitos escanteios a mais. Os números foram todos a favor do adversário. Mas é como esse ditado brasileiro afirma: muitas vezes, não há justiça no futebol.

ESPN: Você...
MB: (Interrompe) Desculpe interromper, mas acabei de lembrar de uma coisa que é interessante. Na minha vida, eu vivi muitos jogos que foram totalmente o inverso desse contra o Palmeiras. Tenho uma memória muito dolorida da partida pelos playoffs das eliminatórias para a Copa do Mundo de 1998. Jogamos contra o Irã valendo a ida para o Mundial, e empatamos por 1 a 1 na ida, na casa deles. No jogo de volta, estávamos ganhando de 2 a 0 com muita facilidade, e era para termos feito 5 ou 6 a 0, porque perdemos uma chance atrás da outra. Aí o Irã teve duas chances nos 15 minutos finais, fez dois gols e foi à Copa do Mundo... O estádio tinha quase 100 mil pessoas, ficou mudo. E nós tivemos que assistir à Copa pela televisão. Por isso eu digo: naquele dia contra o Palmeiras, o United deixou seus torcedores orgulhosos, por ter aguentado brilhantemente tanta pressão.

ESPN: A Toyota, que patrocinava aquela competição, dava um carro para o melhor jogador da partida. Mas, apesar de você claramente ter sido o grande destaque do jogo, quem levou o prêmio foi o Ryan Giggs. Você ficou bravo?
MB: Não fiquei (risos)! Eu cresci junto com o Giggs, fizemos toda a base juntos, somos grandes amigos. Ele até falou para mim depois do jogo: 'Mark, você quer ficar com o carro?', e eu disse: 'Não, não, Ryan, fique com ele, você mereceu!'. Mas depois, no vestiário, nós até falamos de novo: 'Ryan, eu não quero parecer chato, mas essa decisão do carro foi bem estranha'. Ele pensou um pouco e disse: 'É verdade... Eu acho que um dos meus patrocinadores pessoais talvez seja algum japonês bem influente!' (risos). Mas ficou tudo bem. O 'troféu-carro' na verdade para mim foi conseguir fazer uma partida tão boa e ser um dos responsáveis por tornar meu time campeão do mundo. Foi um dos melhores dias da minha carreira.

ESPN: Marcos é um dos maiores ídolos da história do Palmeiras, mas acabou falhando naquele jogo. Você falou algo com ele depois?
MB: Marcos sempre foi um goleiro fantástico, como mostrou na Copa do Mundo de 2002. Por isso, fiquei com muita dó dele naquele dia. Já passei por aquela situação muitas vezes, e penso que ele não tinha o que fazer. Era um cruzamento aparentemente inofensivo. O Giggs colocou força demais na bola e ela foi muito alta, por isso o Marcos acabou errando na hora de calcular a saída. E nem ele e nem toda a defesa do Palmeiras perceberam que o Roy Keane estava aparecendo livre no segundo pau. Foi uma falha geral, não só do Marcos. Roy era um daqueles irlandeses durões que só tinham um pensamento: caçar a bola. E foi isso que ele fez.

ESPN: Como foi a conversa no intervalo? O Ferguson estava bravo com o domínio do Palmeiras sobre o Manchester, apesar da vantagem no placar?
MB: Nós fomos ganhando para o intervalo, mas é totalmente verdade que não estávamos jogando bem e sequer lembrávamos o time dominante que costumávamos ser. A verdade é que eu já estava esperando uma baita bronca do Ferguson, algo do tipo: 'Que diabos vocês estão fazendo em campo? Eles estão massacrando a gente!'. Mas, como estávamos ganhando por 1 a 0, ele foi firme, mas não tão duro como normalmente era nas ocasiões em que estávamos jogando mal. Até porque, afinal de contas, estávamos com a vantagem no placar.

ESPN: E como foi aguentar tamanha pressão do Palmeiras no segundo tempo?
MB: Para nós, foi como a Defesa do Álamo [N.R.: famosa batalha da Revolução do Texas, que durou de 23 de fevereiro a 6 de março de 1836]. Era um ataque atrás do outro! Eu me lembro que, nos minutos finais, em uma bola que estava pipocando pela área, eu saí com tudo para agarrar e trombei com um atacante do Palmeiras que era muito forte, acho que o Oséas. Aí eu caí com muita força no chão e fiquei meio tonto. Recordo de falar para o Neville: 'Gary, eu estou morto... Não vou nem conseguir bater essa falta, não tenho força... Bata você, por favor'. E ele, de língua de fora, olhou pra mim e respondeu: 'Mark, eu também não aguento mais... Você que vai ter que bater!' (risos). Lembro que, logo em seguida, perguntei para o árbitro: 'Pelo amor de Deus, quanto falta para essa tortura acabar?', e ele disse que ia dar dois ou três minutos de acréscimo. Cara, eu juro para você: esses três minutos pareceram demorar umas duas horas para passar (risos).

ESPN: No único momento em que você não conseguiu parar o Palmeiras, Alex fez o gol, mas o bandeira anulou por impedimento de forma equivocada. O que você pensou na hora?
MB: Eu sou católico, então, quando olhei e vi que o bandeira tinha marcado impedimento, fiz isso (faz um sinal da cruz) e agradeci a Deus (risos). 'Graças a Deus!'. E ainda bem que não tinha VAR! Até estava pensando nisso outro dia quando me lembrei do jogo: 'Jesus Cristo, se já tivesse VAR, o gol do Alex teria valido'. E aí sabe quantos gols mais a gente teria levado depois... Foi sorte nossa não ter o VAR naquele dia!

ESPN: Você já encontrou algum torcedor do Palmeiras aí na Austrália? Alguém falou algo para você?
MB: Eu moro no centro de Sydney. A três quadras da minha casa, há uma academia onde eu pratico boxe e capoeira, e os donos são brasileiros. E, acredite se quiser, o chefão do lugar, que se chama Marcelo, é torcedor fanático do Palmeiras! Muitas vezes ele e seu amigo mais próximo, o Júlio, me mandam mensagem pela manhã dizendo: 'Mark, não vamos conseguir treinar hoje, porque tem jogo do Palmeiras e vamos assistir' (risos). Eu não falo muito desse jogo com eles, mas, agora que vai fazer aniversário de 20 anos, vou lembrá-los (risos). Mas posso dizer que tem vezes que estou na academia e a gente faz sessão de sparring no boxe e o Marcelo bate mais forte em mim. Eu falo para ele: 'Relaxa, cara!', e ele responde: 'Eu ainda lembro do que você fez em Tóquio!' (risos).

ESPN: É verdade que os times ingleses não ligam para o Mundial de Clubes ou é uma "lenda urbana"?
MB: Deixa eu te contar uma coisa sobre a cultura inglesa. Morei lá por 20 anos, então conheço bem esses caras. Quando eles perdem, a maneira como eles lidam com a derrota é falar: 'Não ligo para isso'. Mas aí, quando ganham, saem pulando e falando por aí: 'Somos os campeões do mundo, os melhores do planeta!'. No passado, havia essa falsa ideia de que eles não ligavam, mas era para esconder o fato de que nunca conseguiam ganhar dos sul-americanos. Nem o Liverpool, nem o United, nem o Aston Villa, nem o Forest, nem ninguém! E olha que estamos falando de alguns dos maiores times da história da Inglaterra. Muitas pessoas ficam usando aquele argumento: 'Ah, eles estavam com a cabeça na Premier League ou na Champions, nem se prepararam para o jogo'.. Mas a verdade é que sequer havia tempo para se preparar. Você tinha que jogar pelo Inglês no sábado, e na terça-feira estava no Japão disputando o Mundial! Hoje, a FA até remaneja a tabela se algum clube precisar, mas, naquela época, eles não faziam isso. E o Ferguson era escocês, não inglês - ele fazia questão de deixar isso claro (risos). Portanto, o pensamento dele era totalmente diferente. Ele nos disse claramente: 'Eu quero ganhar isso! Eu quero ser campeão do mundo!'. No passado, quando o Liverpool perdia, eles falavam: 'A gente não liga, é um jogo amistoso'. Mas isso, para mim, é uma desculpa esfarrapada de quem perdeu. Assim é fácil lidar com as coisas! Imagina se eu jogar tênis de mesa contra você e você ganha de mim. Eu posso tranquilamente fazer cara de paisagem e dizer: 'Nem ligo para esse jogo'. E aí quem se sente mal é você, que, na teoria, se esforçou para ganhar um jogo sobre o qual eu supostamente nem me importo, entende? Mas aí quando eu ganho de você no tênis de mesa, saio pulando e esfregando a vitória na sua casa. Aí você me pergunta: 'Ué, você não disse que não ligava para esse jogo?', e eu respondo: 'Eu? Nunca falei isso!' (risos). Em resumo: os ingleses se importam, sim, com o Mundial de Clubes. Eu te garanto!

ESPN: A Fifa já anunciou para 2021 a criação de um "super" Mundial de Clubes, com 24 equipes. Como vê essa mudança? Crê que vai ficar impossível para os não-europeus vencerem esse torneio?
MB: Para mim, é uma evolução. É algo como veremos na Copa do Mundo de 2026, que terá 48 times. Se você quer espalhar a 'mensagem do futebol', que para mim é uma religião, você tem que ter mais clubes envolvidos. Claro que vai demorar muito para um time não-europeu conseguir ganhar. Mas, nos últimos anos, já houve alguns casos de 'zebras' chegando à final, como o Mazembe. É tudo uma questão de uma evolução gradual que irá ocorrer. Para se honesto, eu acho melhor assim, porque você mostra que o futebol é um jogo mundial. Creio que será bom. Imagine, por exemplo, um garoto que nasceu em Camarões. Daqui a alguns anos, talvez ele queira jogar por uma equipe de seu país, ganhar a Champions africana e ser campeão mundial por uma equipe africana. É uma oportunidade para ele. E, para os europeus e também para os sul-americanos, que seguem fortes, ficará cada vez mais difícil.

ESPN: Antigamente, os Mundiais de Clubes eram quase sempre muito parelhos. Nos últimos anos, porém, há um domínio muito claro dos europeus. Por que isso ocorre?
MB: É simples: a Europa tem as ligas mais poderosas do mundo, principalmente Inglaterra, Alemanha, Espanha e Itália, e os times mais ricos do planeta, que conseguem ter verdadeiras 'seleções' formadas pelos melhores jogadores do mundo. No passado, eles não tinham isso, até por conta do limite de atletas extracomunitários. Agora, eles não só têm os melhores do mundo nos auges de suas carreiras como também as melhores promessas asiáticas, africanas e americanas. Dessa forma, os times da América do Sul e do resto do mundo ficaram muito mais fracos do que eram antes.

ESPN: E como é a vida de comentarista aí na Austrália?
MB: É muito boa! Eu tenho muita sorte! Joguei futebol por muitos anos, algo que amei, e agora posso falar do que amo, que é futebol e esporte em geral. É uma profissão que requer muito estudo e preparação. Não é tão fácil quanto as pessoas acham. Muitas vezes eles veem ex-jogadores que viram comentaristas e acham que foi tudo lindo e maravilhoso na vida deles, mas eu também tento lembrar que a carreira de futebolista tem muitos momentos duros e difíceis. O que eu tento passar para o publico enquanto falo são temas complicados colocados de maneira simples, para que todos possam entender. Claro que eu posso falar de tática como se estivesse na NASA, usando algorítimos e cálculos, mas aquele cara normal que está na frente da TV vai pensar: 'Do que raios o Mark está falando?'. Posso falar do 4-3-3, do 5-3-2, da movimentação, das linhas, dos jogadores, mas tenho que ser mais simples, porque o futebol não é o esporte número um na Austrália. Então, as pessoas que estão começando a tomar gosto pela modalidade precisam entender primeiramente o porquê de algumas coisas acontecerem em alguns momentos.

Ficha técnica

Manchester United 1 x 0 Palmeiras

GOL: Manchester United: Roy Keane, aos 35 minutos do primeiro tempo

MANCHESTER UNITED: Bosnich; Gary Neville, Silvestre, Stam e Irwin; Beckham, Keane, Butt, Scholes (Sheringham) e Giggs; Solskjaer (Yorke) Técnico: Alex Ferguson

PALMEIRAS: Marcos; Arce, Roque Jr, Júnior Baiano e Júnior; Galeano (Evair), César Sampaio, Zinho e Alex; Paulo Nunes (Euller) e Asprilla (Oséas) Técnico: Luiz Felipe Scolari


Estatísticas

título mundial do Manchester United

Foi também a vez que um time inglês conquistou a Copa Intercontinental

15 finalizações teve o Palmeiras no jogo, contra só 8 do Manchester United

4 finalizações corretas teve o Palmeiras na partida, enquanto o United só deu 1

12 escanteios teve o Palmeiras, muito mais que os 6 do Manchester United

16 impedimentos teve o Manchester United na partida - o Palmeiras teve 13

Cada time levou 1 cartão amarelo: Alex para o Palmeiras, Silvestre para o United

53.372 foi o público presente no Estádio Nacional de Tóquio