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Palmeiras: Marino é suspenso por um ano; Nobre leva advertência e renuncia após 'caso Blackstar'

Em reunião extraordinária ocorrida na noite desta quinta-feira, o CD (Conselho Deliberativo) do Palmeiras decidiu por aplicar uma suspensão de um ano a Genaro Marino, ex-candidato à presidência do clube.

Além disso, advertiu os conselheiros Paulo Nobre, José Carlos Tomaselli e Ricardo Galassi.

Foram 122 votos a favor das punições, 76 contrários e 27 abstenções.

As punições são por conta da sindicância do "caso Blackstar", aberta no início de 2019.

Marino levou o gancho por, na visão dos membros do CD, ter sido o grande responsável por levar a suposta proposta de patrocínio às mãos do mandatário Maurício Galiotte para avaliação.

A oferta, no fim das contas, era falsa e baseada em documentações irregulares do banco HSBC, como mostrou investigação conduzida pelos palestrinos.

As advertências a Paulo Nobre, José Carlos Tomaselli e Ricardo Galassi, por sua vez, são pelo fato do trio ter feito parte ou ser aliados da chapa de oposição na última eleição.

Por isso, considerou-se que eles participaram do processo de apresentação da Blackstar e seu representante, Rubinei Quícoli, a Galiotte.

PAULO NOBRE RENUNCIA

Como havia antecipado a ESPN nesta quinta, Paulo Nobre renunciou oficialmente ao seu cargo no CD após o fim do "caso Blackstar".

Em uma carta enviada em 18 de fevereiro ao presidente do CD, Seraphim Del Grande, Nobre revelou que deixaria o Conselho, independentemente do resultado da sindicância do "caso Blackstar".

"Fiquem à vontade para chegarem às conclusões que forem convenientes aos interesses dos senhores, e tão logo termine essa sindicância e suas eventuais consequências, estou me retirando oficialmente deste Conselho Deliberativo, uma vez que não sinto mais a menor motivação em militar na política do clube e, como Conselheiro Vitalício, não posso simplesmente me licenciar. Então, que outra pessoa, mais atuante, possa ocupar o meu lugar e melhor servir a Sociedade Esportiva Palmeiras", escreveu o ex-mandatário, no documento ao qual a reportagem teve acesso.

Cumprindo o protocolo do CD, Del Grande leu a carta e oficializou a renúncia.

Paulo Nobre foi presidente do Palmeiras de janeiro de 2013 a dezembro de 2016. Durante sua gestão, a equipe foi campeã da Copa do Brasil em 2015 e do Campeonato Brasileiro em 2016.

Atualmente, ele está afastado da vida polícia do Alviverde e cuida de seus negócios próprios, ao mesmo tempo em que se dedica à sua grande paixão: as corridas de rali.

RELEMBRE O 'CASO BLACKSTAR'

Enquanto o Palmeiras negociava a renovação com a Crefisa, após a conquista do Campeonato Brasileiro, a Blackstar, empresa supostamente sediada em Hong Kong, ofereceu ao clube uma oferta de parceria que girava em torno de R$ 1,4 bilhão por um acordo de 10 anos.

Após investigação sobre a companhia, porém, o Verdão acusou o fundo de falta de credibilidade e ainda de apresentar documentação falsa com emblema do banco HSBC, encerrando negociações.

As acusações fizeram o empresário Rubinei Quícoli, que se apresentava como representante da Blackstar, disparar mensagens com palavras de baixo calão, chamando Maurício Galiotte de "patético" e ironizando o título da Copa Rio de 1951.

Depois disso, a misteriosa proposta de Hong Kong passou a ser investigada pelo Conselho palmeirense, que montou, no início de 2019, uma sindicância para apurar as responsabilidades dos envolvidos no caso.

O que é fato é que Genaro Marino, durante sua campanha eleitoral, protocolou a proposta de patrocínio da Blackstar ao Palmeiras.

Paulo Nobre, que era seu apoiador, é apontado como responsável por apresentar a empresa a Marino.