Lautaro Martínez tem 21 anos e é um dos poucos jogadores da Argentina na Copa América a ganhar elogios. Em meio aos problemas da Albiceleste, ele fez o primeiro gol da vitória sobre a Venezuela por 2 a 0, resultado que classificou o time à semifinal. Ainda acertou uma bola na trave e deixou o gramado do Maracanã aplaudido.
Até Lionel Messi se rendeu ao companheiro e disse que ele é um dos futuros da equipe.
"É muito bom estar com esse novo grupo, de garotos muito bons. Além do nível futebolístico, o caráter humano, a amizade entre eles, que se conhecem há mais tempo, é um grupo muito lindo. Nos adaptamos a eles rapidamente", disse Messi, no Maracanã.
Lautaro Martínez soma dez partidas pela seleção argentina e teve uma ascensão veloz.
Filho do ex-jogador Mario Martínez e natural de Bahía Branca, ele começou na posição errada e pensou em desistir para jogar basquete, esporte preferido. Era defensor e se divertida mais vendo os jogos da NBA do que chutando uma bola.
Foi no Racing, de Avellaneda, para onde foi levado aos 15 anos, após ser observado e selecionado em apenas dez minutos de um teste contra a base de La Academia, que Lautaro acabou lapidado para o futebol.
Os técnicos observaram que o porte físico, a velocidade e a força ao bater na bola faziam dele um bom homem de frente.
Virou atacante sem querer. Mas chegou a abandonar tudo e voltar à terra natal desgostoso comas dificuldades no alojamento da equipe.
"Foi difícil porque ele era muito apegado ao irmão mais velho. Foi difícil para ele ficar longe. Faziam tudo juntos. E o irmão dele também sentiu. Teve epilepsia e sofreu convulsões. Isso deixou Lautaro abalado", disse o pai dele em uma entrevista em 2015.
Foram muitas conversas para fazer com que o atacante voltasse ao Racing e abraçasse seu futuro. Se profissionalizou e acabou ganhando o apelido que carrega até hoje: El Toro. Tudo por causa do porte físico e pela força no ataque.
Chegou a ser sondado pelo Real Madrid e acabou contratado pela Inter de Milão quando tinha apenas 20 anos e por uma fortuna. Foram 30 milhões de dólares (na época, R$ 97 milhões). A maior venda da Argentina.
Chegou e vestiu a camisa 10, que estava vaga e ele não viu problema em pedir o número. Na equipe italiana, ganhou conselhos de Milito para não se perder. Mas teve uma decepção. Foi ignorado por Jorge Sampaoli na convocação para a última Copa do Mundo.
Depois do Mundial, com o técnico Eduardo Scaloni ganhou chances e vez correspondendo. Marcou seis gols, entre os quais dois nessa Copa América, e é o artilheiro da era Scaloni. Vem mostrando aos argentinos que o futuro pode sim ser positivo para a seleção.
