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Canteiro de obras, parque e estacionamento na Copa América: futuro do Célio de Barros volta a ser discutido

Palco mais tradicional do atletismo no Rio de Janeiro, o estádio Célio de Barros tem sido usado como estacionamento pelo Comitê Organizador Local da Copa América e pelas delegações que vão ao Maracanã.

Trata-se apenas de uma atualização do uso do local, que no passado recebeu grandes campeões, como Adhemar Ferreira da Silva, Nelson Prudêncio, Joaquim Cruz, Sergei Bubka, Michael Johnson, Maurren Maggi, entre outros. Mas na próxima quarta-feira pode ser que surja uma luz no fim do túnel.

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, agendou uma reunião com representantes da Secretaria de Estado de Esporte, Lazer e Juventude e da Federação de Atletismo do Rio de Janeiro, que terá a presidente Luz Maria de Souza presente, para discutir a reconstrução da pista de atletismo no estádio e o futuro do equipamento para o esporte.

Witzel fez uma promessa verbal de resolver a "questão Célio de Barros" e devolvê-lo para a Secretaria e a Federação. Hoje a administração é da Suderj (Superintendência de Desportos do Estado do Rio de Janeiro).

"Tanto o governador, que treinou no Célio de Barros, quanto a Secretária estão empenhados em resolver a questão. A tendência é a Federação voltar a cuidar do Célio de Barros em parceria com a Secretaria. Estamos esperançosos de retornar para nossa casa", disse Luz Marina de Souza, por telefone, para a reportagem.

O Célio de Barros, que faz parte do completo esportivo do Maracanã, está há quase dez anos sem receber provas de atletismo, quando virou um canteiro de obras para o projeto de reforma do Maracanã visando a Copa das Confederações (2013) e a Copa do Mundo (2014). Ainda foi usado como estacionamento nos dois eventos.

No ano de 2013 a pista de atletismo foi totalmente soterrada e deixou de existir. Após os torneios Fifa, o local também passou a ser usado como estacionamento pelo consórcio (formado na época por Odebrecht, IMX e AEG) que assumiu a administração do Maracanã, e também pela Suderj e pela Secretaria estadual.

"Implodiram a torre de controle, que tinha um relógio que custou R$ 120 milhões, quebraram e deixaram totalmente inutilizada a gaiola de provas, com custo de 25 mil dólares [R$ 95 mil], além de outros equipamentos que foram adquiridos ou construídos durante os Jogos Pan-Americanos de 2007", disse Carlos Alberto Lancetta para a reportagem.

Ele foi ex-presidente da Federação de Atletismo do Rio de Janeiro por quatro mandatos, renunciando ao cargo em agosto de 2016.

Lancetta saiu desgastado após anos tentando evitar que o Célio de Barros fosse totalmente destruído.

"Queriam fazer um shopping. Tinham programado a demolição das arquibancadas, com dinamite. Já não tinha restado muito, mas se fizessem isso seria o fim definitivo de um local histórico para o atletismo do Brasil. Consegui uma liminar por meio da Defensoria Pública da União e é ela que até hoje que assegura a existência do Célio de Barros", disse.

Lancetta afirma que no período em que foi "resistência" sofreu diversas ameaças e ofertas nada éticas para retirar a liminar. "Não cedi e só minha família sabe o que passei. Mas veja só onde estão os ex-governadores do Rio?", disse, lembrando da prisão de Sergio Cabral e Luiz Fernando pezão, ex-governadores do Estado.

Mesmo fora da presidência, ele continua militando para que o local volta a ser palco de treinos e competições de uma modalidade que também sofre para sobreviver.

"O atletismo no Rio de Janeiro morreu porque sem o Célio de Barros sobraram poucos locais para a prática com tanta acessibilidade como o equipamento no Maracanã. Há outras áreas no Rio de Janeiro, como a pista da Quinta da Boa Vista, mas são poucos".

"O estádio Nilton Santos ficou impossível porque o Botafogo, que detém a concessão até 2026, cobra R$ 400 mil por dia de uso. Não há condições de a Federação arcar com esse tipo de investimento", completou Lancetta.

Durante esses anos em que o estádio deixou de ser usado para fins esportivos, o Célio de Barros acabou abrigando outras situações.

Em maio, ele foi reaberto pela primeira vez em seis anos, mas não para competições oficiais. Teve aulas de jiu-jitsu, jogos de basquete e outras oficinas esportivas, apresentações artísticas, posto de vacinação contra gripe, febre amarela e hepatite B, doação de sangue e emissão de documentos como identidade, certidão de nascimento, casamento e óbito.

Em junho de 2018, um parque de diversões foi montado no local. Foram quatro dias. Além de diversões, ainda rolaram shows.