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Com Copa América, Fluminense tira do papel projeto parado há quase 2 anos

Um projeto que estava parado há quase dois anos no centro de treinamento do Fluminense foi tirado do papel na última semana por causa da Copa América no Rio de Janeiro. Trata-se de uma nova via de acesso ao CT da Barra da Tijuca, na zona oeste da cidade.

A estrada ainda é de terra e fica a pouco mais de 300 m do antigo acesso. Apesar de ainda ser precária, com buracos e sem calçadas, o novo acesso tem cerca de um quilômetro de extensão e oferece mais segurança.

O antigo era feito pelas avenidas Arroio Fundo e Comandante Guaranys, que passam numa área que pertence a Cidade de Deus, uma das maiores comunidades do Rio de Janeiro. Muitas equipes de reportagem utilizavam carros blindados, assim como atletas, membros da comissão técnica e diretores.

O local onde está o CT do Fluminense é considerado área de risco por causa da proximidade com a comunidade.

Para citar alguns exemplos: em 2016, o local foi invadido durante a madrugada por bandidos armados, que roubaram material esportivo. Houve tiroteio bem próximo em 2016, 2017 e 2018. O último obrigou o time a treinar nas Laranjeiras. Segundo o Fluminense, o motivo foi que a rua que dava acesso ao local foi fechada por causa da operação do BOPE.

Um fisioterapeuta do clube teria sido assaltado ao deixar o CT em 2017.

Sobre o caso acima, ainda em 2017 o clube publicou uma nota de esclarecimento dizendo que "o coordenador de fisioterapia do Fluminense, Nilton Petrone, na ultima quarta-feira, na saída do CT. Houve a aproximação de três jovens, que aparentavam ser menores de idade. Porém, em nenhum momento esses indivíduos mostraram arma de fogo ou ameaçaram os ocupantes do veículo. Pediram uma camisa e ganharam, sem maiores consequências".

E tiroteio sempre teve na CDD, mas nunca chegou nada lá dentro do CT. O que teve uma vez no ano passado foi uma operação do Bope que fechou a rua e, por isso, levamos o treino para Laranjeiras

O acesso que era usado até duas semanas atrás já foi fechado e não será mais aberto, segundo funcionários do clube.

O novo acesso foi aterrado há um mês e meio, mas não tem data para ser asfaltado e ganhar a infraestrutura necessária, como sinalização e iluminação. Funcionários do clube dizem que os gastos serão divididos com a prefeitura. Não é a informação que outra fonte importante para o projeto do CT sustenta.

O responsável pelo projeto de obras do CT, Pedro Antônio Ribeiro da Silva (inclusive nome que batiza o local) disse que o novo acesso estava esperando o clube "colocar a mão na massa" desde o segundo semestre de 2017. Não o fez antes por falta de recursos. É o clube quem arcará com os gastos.

"Antes de deixar a vice-presidência [de projetos especiais], entreguei um plano de licenciamento para o clube assegurando o uso da área em agosto de 2017 para acesso a rua. Foi entregue ao Fluminense. Deixei pronta a licença de aterramento da área para a construção da rua de acesso definitiva. Imagino que não foi feito por questões financeiras", disse Pedro Antônio para o ESPN.com.br.

A reportagem ouviu de fontes diferentes que os gastos podem chegar até a R$ 10 milhões.

O que tem chamado a atenção de quem mora próximo ao CT é que a área utilizada para ser o novo acesso de veículos fica em local de preservação ambiental. O responsável pelo projeto assegura que o Fluminense tem as licenças ambientais para fazer a pista.

Ao ser consultado pela reportagem, o Fluminense informou que encaminharia o questionamento para o diretor responsável pelo CT hoje. A reportagem não conseguiu confirmação da prefeitura sobre as licenças.

O CT do Fluminense fica próximo da avenida Ayrton Senna, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro. Deveria ter ficado pronto em 2014, mas só foi inaugurado em junho de 2015 com custo estimado de R$ 35 milhões.

A Copa América também fez o Fluminense inaugurar o auditório e a nova sala de imprensa. Mas o local continua em obras. O último campo (serão três) está em construção.