A manhã deste sábado é a oitava que o torcedor peruano Pedro Núnez Soto, 59, observará o Sol nascer de um ponto diferente da América do Sul. Hoje está na cidade de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, mas por pouco tempo. Tão logo as luzes do dia começam a raiar e ele se coloca em pé, pronto para pedalar. O destino final é São Paulo, onde espera chegar exatamente no dia 21 de junho para assistir a partida entre Peru e Brasil, na Arena Corinthians, no dia seguinte, pela Copa América.
Don Pedrito, como carinhosamente é chamado em sua terra natal, pedala em média dez horas por dia, sozinho. Deixou a cidade de Cusco, no sudoeste do país, na região dos Andes, no último dia 7.
Sempre pedalando, ele já passou por inúmeras pequenas cidades e outras de porte médio como Desaguadero ou grande, como La Paz e Cochabamba, duas que esteve nesta semana que acaba de passar.
"Me sinto muito emocionado e muito contente de poder viajar para torcer pela seleção peruana", disse Penuso, outro apelido que carrega.
Ele conversou com a reportagem do ESPN.com.br pelo aplicativo WhatsApp na noite de quarta-feira para quinta-feira. Voltou a conversar na sexta. Ele utiliza pouco o recurso. O motivo é que está sempre pedalando. Além disso, nem sempre o sinal do telefone funciona.
"O idioma, a cultura, a distância e até imprevistos climáticos são obstáculos que se apresentam pelo meu caminho durante essa longa viagem. Nada disso vai me impedir de chegar ao Brasil e apoiar a seleção peruana",
O peruano não chegou a calcular quantos quilômetros percorrerá ao todo, mas serão quase 15 dias em cima da bicicleta, quase sem parar.
"Eu costumo dormir de favor na casa de outros ciclistas, mas quando não é possível eu carrego comigo uma tenda e um saco para dormir. Ando com tudo que necessito. Geralmente como em restaurantes ou preparo a minha refeição nas casas onde repouso", disse.
A alimentação é regrada, com frutas, fibras, proteínas e muito líquido.
O aventureiro também é um atleta. Cuida do físico para aguentar o rimto intenso da viagem.
E tem uma página no Facebook onde compartilha a paixão pelo que faz --aprendeu a andar de bicicleta com 5 anos-- e pública fotos dos trechos percorridos.
"A verdade é que estar em um evento como a Copa América, onde seu país está representado, chegando de bicicleta, é glorioso, histórico. É um orgulho. Vamos Peru, Vamos Peru! Não vejo a hora e estou muito emocionado", disse o ciclista.
Muitos podem questionar como alguém poderia abandonar o trabalho ou a família para pedalar mundo afora, mas Penuso é autônomo. Trabalha manipulando fantoches (é titereiro), é um artista e a família o compreendeu há muito tempo. Hoje, o incentiva.
"Me dá prazer fazer o que faço. E depois tenho apoio de todos os meus familiares, que me incentivam a alcançar o objetivo", disse.
Ele tem um filho, duas filhas e três netos.
Mas pedalar para tão longe começou a ser a meta de Penuso ano passado, quando decidiu ir até a Rússia de bicicleta para festejar o retorno da seleção peruana aos Mundiais. Foram mais de 20 anos sem jogar uma Copa do Mundo.
Muitos que o conhecem o admiram, mas também o chamam de louco.
"Ele é um aventureiro, um homem com garra e enfrentará muitas milhas pedalando só para mostrar o amor que tem pela seleção peruana. Uma loucura", disse Edson Atencia Vicentelo, 37, torcedor que chegou ao Rio de Janeiro na última quarta-feira. Foi ele quem falou do ciclista para a reportagem.
"Você tem de conhecer o peruano que pedala como um louco só pela seleção", disse.
O peruano calcula atravessar Santa Cruz de la Sierra durante todo o dia de hoje, mas projeta pisar em território brasileiro no domingo e planeja ver o Sol se por em Corumbá, no Mato Grosso do Sul, faltando pouco para chegar a meta final, São Paulo.
