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Como será o VAR na Copa América? Punição para quem reclamar, tolerância zero com erros e briga contra o tempo

Durante a manhã da última terça-feira e parte da tarde, os árbitros da Copa América, que inicia dia 14, testaram o uso do VAR (sigla para árbitro de vídeo). Metade deles estava presete em um torneio de base no Clube da Aeronáutica, no Rio de Janeiro. A otura ficou no hotel onde estão hospedados na cidade e acompanhou por meio de simuladores. Será a estreia do recurso no torneio continental, e a Conmebol usou o evento para afinar sua equipe.

A entidade admitiu que será mais rígida para tentar evitar erros com o VAR e também para que o recurso sirva para "fazer justiça no jogo", segundo o ex-árbitro Wilson Seneme, presidente da comissão de arbitragem da Conmebol. Há mais do que isso.

Seneme informou que jogadores que exagerarem na reclamação, seja pedindo o VAR ou contestando o uso, serão punidos. O mesmo ocorrerá com árbitros que cometam erros grosseiros nos jogos. Por exemplo, expulsar o jogador errado por puro engano.

"Nós vamos fazer palestras para todas as seleções e passar algumas instruções. Uma orientação é para eles não pressionem o árbitro. Quem fizer isso estará sujeito a cartão amarelo. Claro que os jogadores vão poder conversar. Mas existem momentos. Se houver pressão exagerada ou conduta antidesportiva, a recomendação é cartão amarelo", explicou Seneme.

"Também queremos evitar erros grosseiros. Os árbitros têm de ter consciência que eles necessitam ter uma excelente interpretação. Isso aumenta a responsabilidade do árbitro central, que é quem toma a decisão final. Quando não tiver clareza, ele pode rever jogadas que tiver dúvidas. O produto final tem de ser uma melhora da arbitragem, ser um futebol mais justo. Essa responsabilidade passa pelo árbitro central. Ele tem de ser o maior afetado se houver um erro grave", disse o dirigente.

"Os árbitros estão em uma sede fixa [no Rio de Janeiro]. Viajam para os jogos e depois retornam para a sede. Na volta, vamos fazer todo o trabalho do que teve de positivo e do que tem a melhorar. É como um time de futebol. Mas erros grosseiros serão punidos", acrescentou.

O dirigente repetiu diversas vezes que o objetivo do VAR é diminuir a injustiça no futebol e que prefere uma longa pausa na partida a um lance apitado errado, mas admitiu que em alguns jogos o tempo de interrupção do confronto é exagerado.

"O tempo ideal é o que o árbitro possa avaliar de uma maneira proativa e tomar a melhor decisão possível. O tempo sempre vem em segundo lugar. O objetivo é a justiça e o acerto. O tempo é uma preocupação, mas faz parte de um processo de evolução", disse.

"Um minuto seria um tempo interessante, mas é se tiver difícil de avaliar? No futebol não dá para ter um padrão. As coisas acontecem. O importante é ter a preocupação de tomar o menor tempo possível".

A estreia do VAR na Copa América ocorrerá na sexta-feira, dia 14, na partida entre Brasil e Bolívia, no Morumbi, em São Paulo. Ao todo, serão 26 partidas em que o recurso ficará disponível. A Conmebol já usa há três anos o vídeo na Libertadores e na Sul-Americana.