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Salah superou fracasso no Chelsea para brilhar no Liverpool e ser campeão da Champions League

Mohamed Salah foi um dos heróis do Liverpool na conquista da Champions League, depois do traumático vice-campeonato da temporada passada. Ele era o principal jogador dos Reds, mas saiu após entrada dura de Sergio Ramos, que o acabou lesionando, ainda no primeiro tempo da final contra o Real Madrid.

Neste ano, ele soube aproveitar sua segunda chance. E disso, ele entende bem, já que conseguiu apagar as marcas deixada por sua frustrante primeira experiência na Inglaterra e virar um astro mundial.

Revelado no El Mokawloon, do Egito, Salah chegou à Europa em 2012 para defender o Basel e teve uma ascensão meteórica.

Suas grandes partidas chamaram atenção de clubes como Manchester United, Juventus e do próprio Liverpool, mas quem levou a melhor foi o Chelsea. Em uma temporada e meia, ele fez 79 jogos, marcou 20 gols e deu 17 assistências.

José Morais, que era auxiliar técnico de José Mourinho no Chelsea, viu de perto essa evolução. Um dos responsáveis por observar os adversários dos Blues e montar os relatórios para o Special One, ele viu várias partidas da equipe suíça para a Liga dos Campeões.

"O trabalho é sempre feito em equipe. Quando via um time eu apontava os jogadores que eram bons e poderiam fazer a diferença. Depois, quando jogamos contra eles, o próprio Mourinho avaliava se ele era bom mesmo. A próxima etapa do clube era mandar os scouts para fazer o acompanhamento do jogador", contou Morais, à ESPN.

"O Salah é muito rápido e conduz a bola no o pé com muita velocidade e finaliza bem. Ele entra em diagonais muito rapidamente. Ele desequilibra e é um ransportador de bola e rápido da transição. Foram os aspectos que nos chamaram atenção e fizeram com que o Mourinho quisesse trazê-lo, pois poderia ser importante para o grupo", disse Morais.

No Chelsea, porém, o egípcio à época com 21 anos teve uma passagem apagada. Atrapalhado por uma forte concorrência no setor e por seu jeito introvertido, ele fez apenas dois gols em 19 jogos disputados.

"Era a primeira experiência dele em uma grande equipe da Europa. Precisou de algum tempo de adaptação e maturação. Quando ficou mais maduro foi para frente. Passou por Fiorentina, Roma e depois virou esse jogador no Liverpool", explicou.

'Batia nele para ajudá-lo'

Emprestado para a Fiorentina, o egípcio ganhou projeção na Roma. Na equipe da capital italiana ele não costumava ter vida fácil, como contou um antigo companheiro de equipe.

“Durante os treinos eu sempre o marcava, pois o Salah jogava na direita e eu ficava no lado esquerdo da defesa. Eu brincava com ele: ‘Hoje vou te fazer falta, te puxar, porque no treino eu posso fazer tudo. Quando chegar no jogo, você vai chegar tranquilo’. Ele respondia: ‘Você me machuca, me empurra, me arranha’. Eu falava: ‘Mas a gente está no treino, nos jogos será mais fácil, e você fará seus gols. Aqui eu vou te colocar a dificuldade máxima’. Ele ria e brincava com isso”, disse o zagueiro Juan Jesus, à ESPN.

A "estratégia" parece ter funcionado. Em 2017, teve um retorno triunfal à Inglaterra após ser comprado no fim da penúltima temporada por 42 milhões de euros pelo Liverpool.

O atacante também ajudou ao Liverpool a ser vice-campeão da Uefa Champions League de 2018 e da Premier League nesta temporada. De quebra, foi eleito o melhor jogador da penúltima edição do Inglês e foi duas vezes seguido o artilheiro da competição. São 70 gols em 103 partidas com a camisa dos Reds.

Além disso, Salah virou não só o craque da seleção do Egito, que com suas grandes atuações conseguiu voltar à Copa do Mundo após 28 anos de ausência. Sem o seu astro na melhor forma por causa de uma lesão, a equipe caiu na primeira fase do Mundial.

“Salah é muito conhecido e querido no Egito. Às vezes ele mostrava uns vídeos de um pessoal imitando e se fantasiando como ele. Acharam um cara que era igualzinho, como se fosse um cover. É um cara tranquilo e que fala pouco. É um pouco tímido, mas gosta de brincar quando se está à vontade em um grupo. Ele era muito amigo do Rüdiger, que foi para o Chelsea”, afirmou Juan.

“Ele sabe da importância dele para o país. A figura dele é muito grande. A gente vê o quanto ele representa. É uma boa pessoa e dá bons exemplos. Pode ajudar até mesmo sem ver”, finalizou Juan.

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