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São Paulo: queda na Copa do Brasil é avaliada como desastre e deixa Raí mais pressionado

A queda na Copa do Brasil é avaliada dentro do São Paulo como um desastre. Após a eliminação precoce na Copa Libertadores (na fase preliminar) e o vice no Paulistão, sem ter vencido nenhum clássico, o torneio mata-mata foi colocado como prioritário na temporada. A eliminação significa perda financeira e calendário "empobrecido".

Alguns conselheiros iniciaram ainda na noite de quarta-feira cobranças mais duras à presidência, com Raí, executivo de futebol, como alvo principal. Apesar das explicações dadas por ele sobre a viagem para a França no mesmo dia que o São Paulo enfrentou o Corinthians, em Itaquera, muitos não se convenceram e alguns pedem a saída do dirigente.

Até mesmo quem se diz defensor do ex-jogador o vê diante do momento mais difícil no cargo.

Fora da Copa do Brasil, o São Paulo deixou de faturar até R$ 61,5 milhões, valor correspondente a premiação por fase superada mais o prêmio pelo título. No caso de ser vice, a premiação final corresponderia a R$ 30,8 milhões.

A saída na Libertadores significou pelo menos R$ 12 milhões a menos --soma do valor considerando a premiação por avançar de fase até pelo menos as quartas de final. Certamente seria maior com bilheteria.

A pauta financeira é tema forte no clube. Desde a queda na Libertadores, a diretoria estuda ajustes para aliviar a folha salarial do futebol. Foram gastos quase R$ 60 milhões em reforços e a folha mensal fica próxima a R$ 12 milhões.

Uma primeira medida foi a saída de Diego Souza, emprestado ao Botafogo em março. Havia uma lista com jogadores que deixariam o clube no mesmo período, alguns pelos vencimentos serem considerados altos e outros por não fazerem mais parte dos planos. Os nomes citados à época eram de Nenê, Jucilei e Bruno Peres, que seria devolvido para a Roma.

Mas o time se encontrou no Estadual e os jogadores ficaram. Ao mesmo tempo, o São Paulo fez novas contratações. Vieram Pato, Tchê Tchê, Vitor Bueno e recentemente Calazans. E saíram Araruna, Edimar, Brenner e Jonatan Gómes.

Agora, sem a disputa da Copa do Brasil, sem a premiação do torneio e a renda dos jogos de quartas, semifinal e final, o clube deve reavaliar e enxugar o elenco. Terá de fazer isso em acordo com Cuca, que quer reforços.

O que deve ajudar a aliviar as contas é que o São Paulo deve receber até R$ 43 milhões pela ida de Éder Militão do Porto para o Real Madrid na janela de transferências. Valor que é bem aguardado...

O calendário tricolor também sofreu uma baixa com a queda na Copa do Brasil. O time terá mais 32 jogos para concluir a temporada. Ou seja, chegará em dezembro com um total de 60 jogos oficiais. A menor marca desde 2002, quando fez 58.

Importante: o número de partidas é do site OGol, banco de dados online sobre futebol, e não considera amistosos ou torneios amistosos, como a Florida Cup (disputada pelo São Paulo em janeiro, com dois jogos e duas derrotas).

"O São Paulo tentou de várias formas a classificação. Se não deu certo é porque tem coisas para melhorar. Vamos só aperfeiçoar uma coisa aqui e outra ali. Confiamos muito no Cuca e na comissão técnica e acreditamos que vamos chegar bem, lutando pelo título do Campeonato Brasileiro", disse Raí, ainda em Salvador, após a eliminação.