A última partida como jogador profissional terá uma mistura de sensações para um dos grandes goleiros do futebol europeu. Petr Cech deverá estar em campo pelo Arsenal na final da Europa League contra o Chelsea, clube do qual é um maiores ídolos da história e deverá voltar como dirigente após a decisão.
As equipes se enfrentarão no Azerbaijão, nesta quarta-feira.
Aos 36 anos, o tcheco defendeu os Blues entre 2004 e 2015, sendo peça importante nas conquistas de quatro títulos da Premier League, um da Champions League, um da Liga Europa, entre outros.
Desde então, defende os Gunners, mas na atual temporada, ele perdeu espaço para o alemão Bernd Leno e atua apenas em jogos de copas.
“Cech é um dos grandes jogadores e seres humanos que tive a oportunidade de conhecer através do futebol. Sou grato e orgulhoso por ter sido companheiro dele, assim como do Lampard, Drogba e Terry, outros grandes craques que encerraram a carreira recentemente. Na minha opinião, ele foi o maior goleiro da história do Chelsea e está também entre os mais importantes da Premier League”, disse Ramires, que atuou nos Blues entre 2010 e 2016, ao ESPN.com.br.
O arqueiro começou sua carreira na base do Plzen e se profissionalizou pelo Chmel Blsany. Ele ainda jogou pelo Sparta Praga antes de mudar-se para o Rennes, da França, no qual permaneceu por dois anos.
Na temporada 2004/05, foi contratado pelo Chelsea por Roman Abramovich e ajudou José Mourinho a faturar o bicampeonato da Premier League. Além das qualidades embaixo das traves, o arqueiro também é um apaixonado por rock e instrumentos musicais.
"É um líder de elenco e um cara que une todo o grupo. Tem uma paixão grande por música e toca bateria bem. A gente gostava de estar perto dele porque tem boas energias. Lembro que nas apresentações dos jogadores no começo da temporada, os novatos tinham que cantar ou recitar um poema. Na hora da música, ele acompanhava na bateria", disse José Morais, ex-auxiliar do Mourinho no Chelsea, à ESPN.
O goleiro, que já gravou vídeos tocando músicas de bandas como System of a Down, Nirvana e Foo Fighters, conheceu Roger Taylor, baterista do Queen, que é torcedor do Chelsea. Em 2013, eles gravaram uma matéria para a BBC na qual conversaram e tocaram bateria.
Em 2006, passou a situação mais dramática de sua carreira. Ele levou um golpe de joelho de Stephen Hunt, do Reading, e fraturou o crânio. Após ser operado e ter que colocar placas de metal na cabeça, o arqueiro começou a usar um capacete nos jogos.
Em 2012, Cech viveu o maior momento de sua carreira: foi o grande herói da conquista da Liga dos Campeões na final sobre o Bayern de Munique em plena Allianz Arena, na Alemanha. Ele defendeu um pênalti na prorrogação e outras duas cobranças na disputa de penalidades.
“Jogar com alguém no gol do nível dele muda muito o patamar de uma equipe. Na Champions e em todos os outros títulos que conquistamos juntos, a nossa equipe sabia que se tudo desse errado ele estaria ali na última linha e que seria difícil qualquer finalização entrar”, afirmou o meio-campista.
“Fora dos gramados ele sempre teve uma postura exemplar, era um cara acolhedor e que todos viam como espelho e respeitavam. Minha maior recordação da nossa parceria - não poderia deixar de ser - o título da Champions. Foi algo que nos eternizou para sempre na história do clube. A nossa foto juntos vai estar sempre lá, nos fazendo voltar no tempo e reviver todos os momentos felizes que tivemos o prazer de compartilhar.”
Cech também se mostrou bastante receptivo aos novatos.
"Ele sempre me elogiou, me tratou com muito carinho e procurou me ajudar da melhor maneira possível. Ele fala um pouco de portunhol, então isso nos aproximou no início também. Eu já tinha uma admiração muito grande por ele, vendo pela televisão, e depois do tratamento que recebi dele passei a admirá-lo e respeitá-lo ainda mais. Nossa relação sempre foi boa no dia a dia do clube", contou Willian, que desde 2013 está nos Blues.
Cech ainda faturou uma Europa League de 2013 antes de perder espaço com a vinda de Thibaut Courtois, em 2014. No ano seguinte, o arqueiro mudou-se para o Arsenal, no qual foi titular até o começo desta temporada.
Nos Gunners, ele ainda faturou a Copa da Inglaterra (2017) e duas Supercopas da Inglaterra (2015 e 2017). No capítulo final de sua carreira, Cech tentará parar o time no qual é o maior goleiro da história e que possui vários antigos companheiros.
"Encontrá-lo numa final é também algo muito especial para mim. Ele é um ídolo mundial, ídolo no Chelsea, onde conquistou muitos títulos e o respeito muito grande de todos, é um grande goleiro e um grande profissional, enfim... Sem dúvidas será muito legal poder enfrentá-lo. Mas, como disse, é um cara exemplar, um dos melhores goleiros do mundo, e com certeza será muito difícil fazer gol nele, mas espero que consigamos para conquistarmos o título", disse Willian.
