As últimas semanas de Antônio Olim não estão sendo nada tranquilas.
Desde que disse em uma entrevista que o Palmeiras tinha que "parar de chorar", depois que a equipe alviverde reclamou do VAR no confronto contra o Novorizontino, pelo Campeonato Paulista, o presidente do TJD-SP (Tribunal de Justiça Desportiva do Estado de São Paulo) transformou-se no protagonista de um enorme entrevero entre o Verdão e o tribunal.
As coisas foram escalonando e piorando em ordem progressiva.
Primeiro, o TJD ampliou a punição do volante Moisés de um para quatro jogos no Estadual, por conta da briga ocorrida entre o palmeirense e o zagueiro Gustavo Henrique, do Santos.
A diretoria do Verdão imediatamente se revoltou, vendo a ampliação do gancho como represália por conta das relações cortadas entre Palmeiras e FPF (Federação Paulista de Futebol), desde abril do ano passado.
Em seguida, surgiram evidências de que o julgamento de Moisés havia sido irregular, já que um dos membros do Pleno do TJD não poderia ter votado. Olim negou qualquer problema, garantindo que o membro em questão havia optado pela abstenção.
Só que o acórdão da votação, obtido pela ESPN, mostrava que o voto havia sido dado, de acordo com o documento. Novo contato foi feito com Olim, que alegou erro no documento e garantiu que ele seria corrigido no dia seguinte.
O último capítulo da briga se deu no domingo, após a eliminação do Palmeiras no Paulistão, no Allianz Parque.
Em sua coletiva de imprensa depois da partida, o técnico Luiz Felipe Scolari descreveu o julgamento de Moisés como "farsa" e "vergonha", reclamando diretamente de Olim, do TJD, da FPF e do uso do VAR nos mata-matas do Estadual.
Já na última segunda-feira, durante o duelo entre Santos e Corinthians, pela outra semifinal, Antônio Olim concedeu entrevista à ESPN no intervalo da partida, no Pacaembu, e voltou a tratar das polêmicas dos últimos dias.
Ele afirmou novamente que é torcedor do Palmeiras, garantiu que a punição dada a Moisés foi justa, negou novamente qualquer irregularidade no julgamento, respondeu Felipão e disparou frases fortes, mostrando sua famosa personalidade de cara durão.
Confira a entrevista:
ESPN: Como o senhor avalia as declarações de Luiz Felipe Scolari depois de Palmeiras x São Paulo?
Antônio Olim: Acho que ele foi infeliz ao falar que eu atrapalhei o campeonato e o jogo dele. Pelo contrário, não foi nada disso. Eu dei a resposta que ele merece [N.R.: em referência à entrevista em que disse que a culpa da eliminação do Palmeiras era de Felipão]. Nós trabalhamos normalmente. O Palmeiras é maior do que tudo isso que está acontecendo. As pessoas que trabalham nos clubes precisam colocar o time em primeiro lugar. Eu não quero aparecer. Fiz minha parte. O Palmeiras não jogou com a raça que tinha que jogar e foi desclassificado. Mas foi um belo jogo! O Paulistão é um belo campeonato, não é 'Paulistinha'. Os dirigentes têm que aprender que, em primeiro lugar, é o Palmeiras e o futebol. Depois vem o resto.
ESPN: O senhor foi abordado de maneira mais forte por algum torcedor nos últimos dias, desde que esse caso começou?
AO: Não, porque o diabo sabe para quem aparece... Primeiro que eu sou educado com todo mundo. Não adianta querer folgar comigo que não vai dar certo. Eu fiz a minha parte no Tribunal. Sou palmeirense, mas não tenho nada contra torcedor. Acho que o torcedor do Palmeiras tem primeiro que ser respeitado pelo próprio Felipão, pelo presidente e pelo diretor de futebol. Tem que começar por eles. Eu respeito o Palmeiras como respeito qualquer clube. Acho que os torcedores me entenderam. Tenho certeza que falei o que muitos deles gostariam de ter falado.
ESPN: O senhor acha que o Palmeiras vê o TJD como inimigo por conta da briga com a FPF, mesmo os órgãos sendo, na teoria, independentes?
AO: São completamente independentes. A Federação é transparente e o TJD também. Nós temos nosso poder à parte. O TJD não é subordinado da Federação. Eles [Palmeiras] têm bronca da Federação, e aí não participam de nenhuma reunião. Não foram na reunião do VAR, não foram em nada, e aí falou, falou, falou... Aí, começou a atacar o TJD! O Palmeiras é o maior time do Brasil. Para que essa briga?
ESPN: O aumento da punição ao Moisés era mesmo necessário? Houve mesmo irregularidade no julgamento, como mostra o acórdão?
AO: Foi agressão (de Moisés em Gustavo Henrique), são quatro jogos (de punição). Quando ao julgamento, os membros que estavam (no Pleno) estava dentro do regimento (do TJD), fui eu que coloquei. Precisava completar nove integrantes para ter a votação. Teve a votação, e na hora eles se abstiveram, não votaram. Não houve nenhuma irregularidade! Os advogados do Palmeiras que quiseram melar e arrumar confusão. O Palmeiras tem que ter um Cristo todo dia, infelizmente.
