Ela já foi de Tostão. Vestiu também Careca por anos. Virou fenômeno nas costas de Ronaldo. E agora, em 2026, terá um novo dono que, mesmo sem se considerar um centroavante nato, terá a responsabilidade de acabar com a seca de quem veste a camisa 9 da Seleção Brasileira.
Anunciado como o dono da 9 pela CBF, que confirmou no sábado (30) a numeração do Brasil para o Mundial dos Estados Unidos, do México e do Canadá, Matheus Cunha estreia com a camisa neste domingo (31), contra o Panamá, em amistoso marcado para o Maracanã, no Rio de Janeiro.
Vestir um número tão pesado assim é um privilégio, mas cheio de responsabilidade - ainda mais num ciclo em que as coisas não deram nada certo. Desde a Copa de 2022, seis jogadores usaram a 9 da Seleção. Só um marcou: Endrick, no distante 8 de junho de 2024, na vitória brasileira por 3 a 2 sobre o México, em amistoso antes da Copa América.
Richarlison passou em branco em todas as 12 vezes que usou a camisa. Endrick marcou uma vez, mas depois amargou oito jogos de jejum. A eles juntam-se João Pedro (quatro partidas), Igor Jesus (duas) e mais Gabriel Jesus e Yuri Alberto (uma cada).
Cabe a Matheus Cunha reescrever a história às vésperas da Copa do Mundo, embora o mesmo tenha dito, dias antes, em entrevista na Granja Comary, que prefere ser visto como um atacante de flutuação, não um centroavante típico que só tem o trabalho de finalizar as jogadas.
"Esse meu segundo ciclo [Na Seleção] é muito mais parecido com o United. Flutuação entre linhas, jogando como meia, o que eu venho exercendo mais no clube. Espero ser bem sucedido aqui como fui lá", disse o atacante, que na Inglaterra veste a 10.
Pelo Manchester United, o brasileiro somou dez gols e duas assistências em 35 jogos, rendimento que contribuiu na classificação à Champions League. Matheus Cunha não é o centroavante no clube, função que é revezada entre Benjamin Sesko e Bryan Mbeumo, então consegue se destacar mais.
"É gratificante poder demonstrar e ser reconhecido pelo ponto mais forte. Poder jogar em uma posição na qual você está mais habituado te dá mais confiança e felicidade", seguiu o novo camisa 9 da Seleção, que, no entanto, se coloca à disposição para o que Carlo Ancelotti precisar.
O primeiro passo para espantar a crise do número é uma boa atuação contra o Panamá, preferencialmente com um gol. Para uma camisa tão pesada quanto esta, passar quase dois anos sem balançar as redes pela Seleção é quase um crime. O amistoso serve de preparação, mas o foco, claro, é na Copa do Mundo.
