Por trás das drásticas propostas de mudanças feitas por Gianni Infantino, presidente da Fifa, para o Mundial de Clubes, está o magnata japonês Masayoshi Son, fundador e CEO do conglomerado SoftBank.
Comandante de uma proposta de US$ 25 bilhões (R$ 96 bilhões) para reformular a competição, que passaria a ter 24 equipes e seria disputada a cada quatro anos, o empresário possui uma história bastante curiosa.
Nascido no Japão, ele foi para os Estados Unidos na adolescência e estudou economia e ciência da computação da Universidade da Califórnia, em Berkeley.
Em 1981, Masayoshi criou o SoftBank, que se transformou nas décadas seguintes em uma potência. A companhia chegou a ser listada como 39ª maior empresa de capital aberto do mundo, e a 4ª maior do Japão, atrás apenas de Toyota, Mitsubishi e NTT. Atualmente, o conglomerado tem um faturamento anual de 8,9 trilhões de ienes, nada menos do que R$ 309 milhões por ano.
No entanto, Masayoshi Son viveu dias complicados no início dos anos 2000, quando aconteceu a chamada "bolha do .com", que levou diversas companhias a entrarem em processos de venda, fusão, redução ou falência, principalmente em 2001.
Nesta época, o magnata tinha um faturamento de US$ 10 bilhões por semana, aproximadamente US$ 1,4 bilhão por dia. Quando a bolha estourou, no entanto, as ações do SoftBank despencaram 75% em dois meses, e haviam desvalorizado 93% no final de 2000.
Isso fez com que a empresa ficasse à beira de quebrar, e Masayoshi perdeu incríveis US$ 70 bilhões. Essa é até hoje a maior perda financeira que uma pessoa sofreu em toda a história. No entanto, ele conseguiu dar a volta por cima.
"De alguma forma, eu consegui sobreviver", disse, em uma entrevista de 2017 à Bloomberg.
Isso aconteceu porque o empresário usou os recursos que tinha disponível e arriscou na compra das ações da Vodafone no Japão. Deu tão certo que, nos anos seguintes, ele conseguiu recuperar o patrimônio e colocou novamente o SoftBank em posição de protagonismo.
Atualmente, ele criou um "fundo de visão de futuro" do SoftBank, e gosta de aplicar em aplicativos inovadores para smartphones e companhias que trabalham com inteligência artificial e robóticas. Em 2017, ele investiu US$ 35 bilhões (R$ 133,43 bilhões) dessa forma.
Sua obsessão com o que virá adiante, inclusive, fez com que ele deixasse pronto um plano de negócios para os próximos 300 anos da companhia.
Segundo a revista Forbes, o patrimônio atual do empresário de 61 anos é de US$ 22,8 bilhões (R$ 86,92 bilhões), o que o coloca na 43ª posição entre os maiores bilionários do mundo.
Ele também é a pessoa mais rica do Japão, e está na 55ª posição dos mais importantes do mundo organizada pela própria Forbes. Masayoshi ainda é conhecido por doar muito dinheiro para caridade, mantendo vários projetos sociais.
O projeto do magnata com a Fifa é revolucionar o Mundial de Clubes, transformando o hoje desinteressante torneio em algo grandioso. O primeiro "piloto" está sendo planejado para acontecer entre 17 de junho e 4 julho de 2021, com 24 clubes, e não mais apenas sete (um campeão por continente e o atual vencedor do campeonato do país sede).
Das 24 vagas, a Uefa (Europa) ficaria com oito, a Conmebol (América do Sul) com seis, a AFC (Ásia), CAF (África) e Concacaf (América do Norte, Central e Caribe) com três cada, além de uma restante para a OFC (Oceania). Em relação à fórmula de disputa, os times seriam divididos em oito grupos e apenas o cabeça de chave avançaria ao mata-mata.
O novo formato da competição está sob estudo da Fifa, em conjunto com representantes das confederações, desde novembro. A entidade, aliás, diminuiu o números de vagas para clubes europeus a fim de agradar a Uefa, que vê o torneio como um concorrente para a Liga dos Campeões.
