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11 a 1, empate bizarro e título na prorrogação: 5 Real x Barcelona inesquecíveis na história da Copa do Rei

Real Madrid e Barcelona se enfrentam pela 35ª vez em Copas do Rei, nesta quarta-feira, às 17h (de Brasília) em partida de volta da semifinal. A ESPN Brasil e o WatchESPN transmitem, ao vivo.

Rivalidade que já decidiu o título por sete vezes, o duelo tem capítulos inesquecíveis ao longo dos mais de 100 anos da competição. No dia de mais um confronto, o ESPN.com.br relembra cinco ‘El Clásicos’ memoráveis na história da Copa do Rei.

13/04/1916 - Real Madrid 6 x 6 Barcelona

Nos primórdios da Copa do Rei, Real e Barça protagonizaram um jogo simplesmente maluco. Após uma vitória para cada lado nas semifinais de 1916, um terceiro jogo foi marcado como forma de desempate. E o que se viu foi uma chuva de gols.

Ao todo, três jogadores anotaram hat-tricks, entre eles um jovem atacante de 21 anos chamado Santiago Bernabéu. Desde 1955, o espanhol ‘empresta’ o nome para o estádio do Real Madrid, equipe pela qual jogou até 1929 e presidiu por 35 anos, entre 1943 e 1978.

O resultado do bombardeio foi um empate com 12 gols, que forçou a realização de uma quarta partida para definir o finalista daquela edição da Copa do Rei. No jogo derradeiro, o Real venceu por 4 a 2 e se classificou - posteriormente, seria goleado pelo Athletic Bilbao na final por 4 a 0.

13/06/1943 - Real Madrid 11 x 1 Barcelona

Mais que “apenas” a maior goleada da história de El Clásico, a partida de volta da semifinal de 1943 está marcada para sempre como um dos episódios mais sombrios do futebol espanhol. O jogo representou o início de uma rivalidade verdadeiramente acirrada entre Real Madrid e Barcelona. E por motivos que extrapolam as quatro linhas.

Em um contexto político extremamente delicado, com resquícios da Guerra Civil Espanhola que havia acabado poucos anos antes, os madrilenhos foram recebidos em uma atmosfera hostil na partida de ida, na Catalunha, e que terminou 3 a 0 para o Barcelona.

Como forma de “vingança”, o ambiente no antigo estádio de Chamartín, em Madri, foi, da mesma forma, assustador. O goleiro do Barça, Luis Miró, por exemplo, atuou adiantado durante os 90 minutos para desviar dos objetos que eram arremessados pela torcida anfitriã posicionada atrás do gol.

Relatos também dão conta de uma “visita” realizada ao vestiário do Barcelona por um general do governo de Francisco Franco. Vale lembrar que naquela época a Copa do Rei ainda se chamava Copa do Generalíssimo, justamente em homenagem ao ditador espanhol.

Se a visita de fato aconteceu, e isso jamais foi provado, o fato é que os jogadores do Barcelona entraram em campo completamente abatidos. E o resultado disso foram 8 gols apenas no primeiro tempo. A equipe catalã cogitou abandonar a partida no meio, mas acabou retornando apenas para dar números finais a humilhação.

Intimidação, resultado combinado ou uma jogada política: o que de fato aconteceu no dia 13 de junho de 1943 talvez nunca seja esclarecido.

04/06/1983 - Barcelona 2 x 1 Real Madrid

A final da temporada 1982/83 da Copa do Rei reservou muita pancadaria, pixotadas e emoção até os minutos finais.

Simplesmente caçado em campo pelos defensores do Real Madrid, Diego Maradona, astro do Barcelona, passou grande parte da partida no chão. Somente no primeiro tempo, o argentino foi parado quatro vezes em infrações graves que sequer foram advertidas com cartão pelo árbitro da partida.

A falta de rigor do juiz acirrou os ânimos, e o que se viu foram faltas duras e muito bate-boca. Apesar disso, Maradona conseguiu encontrar uma fresta na dura marcação dos madrilenhos e serviu Victor Muñoz, que abriu o placar aos 32 minutos.

No retorno do intervalo, uma falha inacreditável do Barcelona deu de presente o gol de empate ao Real Madrid. Gerardo Miranda foi recuar a bola para o goleiro Javier Urruti, mas acabou entregando nos pés do atacante Santillana, que só teve o trabalho de empurrar para as redes.

Quando a partida se encaminhava para a prorrogação, um herói improvável surgiu.

Aos 44 minutos, Marcos Alonso marcou de cabeça, em um movimento plástico, o que seria o gol do título dos catalães. Apenas seu segundo gol naquela edição da Copa do Rei.

Após o gol, nem acréscimos o juiz decidiu dar. Encerrou a partida na saída de bola do Real, sacramentando o 20º troféu do torneio da história do Barcelona, o primeiro título de Maradona vestindo o uniforme azul-grená.

20/04/2011 - Barcelona 0 x 1 Real Madrid

Pep Guardiola ergueu mais uma taça no último domingo ao vencer a Copa da Liga Inglesa com o Manchester City. O treinador espanhol tem o incrível retrospecto na carreira de 11 títulos em 12 finais disputadas. Sua única derrota foi, justamente, na final da Copa do Rei de 2011. E para José Mourinho.

O contexto antes da finalíssima levava a crer em um amplo favoritismo do Barça. Isso porque a equipe estava invicta há 6 jogos contra o rival, com direito a uma vitória por 5 a 0 no primeiro ‘El Clásico’ entre os técnicos, seis meses antes. No entanto, dentro de campo, o que se viu foi um Real Madrid decidido a marcar e que superou todas as expectativas.

O gol mesmo só veio na prorrogação. Cristiano Ronaldo, de cabeça, após ter tido inúmeras chances na partida, enfim não perdoou e anotou o tento do título. Um troféu que não somente significou, naquele momento, a ‘revanche’ de Mourinho sobre Guardiola, mas que também tirou o Real Madrid de uma fila de 18 anos sem vencer a Copa do Rei.

16/04/2014 - Real Madrid 2 x 1 Barcelona

Na última vez que ‘El Clásico’ decidiu a Copa do Rei, Cristiano Ronaldo não atuou, machucado. Também foi neste dia 16 de abril de 2014 a última vez que uma equipe não chamada Barcelona levantou o troféu do torneio.

Em um jogo memorável, tenso desde o início, o grande herói foi um jovem galês em sua primeira temporada no Real Madrid: Gareth Bale.

Chamando a responsabilidade da partida, o atacante foi responsável pelas principais jogadas de ataque da equipe. Aos 40 minutos do segundo tempo, após uma arrancada impressionante, ele marcou o gol da vitória. Uma verdadeira pintura.

Aos 45, Neymar ainda acertaria uma bola na trave de Casillas, perdendo a chance de empatar a partida. Seria o ponto final de uma das decisões mais emocionantes da história da Copa do Rei.