Genaro Marino, da oposição: 'Palmeiras gastou R$ 1 bilhão em dois anos e ganhou 1 título de 8'

Neste sábado, o Palmeiras terá eleição para presidente. Na estreia do novo mandato de três anos, o atual mandatário, Maurício Galiotte, tentará a reeleição contra seu próprio vice, um homem que conhece o Verdão como poucos: Genaro Marino.

Sócio alviverde desde 1984, ele tornou-se conselheiro em 1997 e trabalhou em diversas funções, com destaque para o cargo de diretor social do clube e depois diretor de futebol na gestão Afonso Della Monica.

Mais recentemente, enveredou-se com força na vida política da agremiação e foi vice tanto da gestão Paulo Nobre quanto da gestão Galiotte, com quem agora está rachado por conta das mudanças nos contratos entre o time e a Crefisa, sua patrocinadora, que geraram uma dívida de R$ 150 milhões ao time, segundo Genaro.

Na visão do opositor, o Verdão não está gastando certo, tendo investido muito e colhido pouco resultado em termos de títulos.

"Em dois anos, o Palmeiras está gastando quase R$ 1 bilhão, em gastos gerais, futebol, jogadores, estrutura, para ganhar um de oito títulos", disparou, em entrevista à ESPN, citando o troféu do Brasileirão que está próximo de chegar, mas ainda não foi sacramentado.

"Eu, como administrador, se olhar o custo benefício, você acha que é bom? O maior gasto do Brasil conseguiu um título. Times que não tiveram metade dos gastos conseguiram dois", ressaltou.

Não à toa, Marino faz questão de dizer que apoia a rejeição das contas alviverdes no COF (Conselho de Orientação e Fiscalização), mesmo com a situação alegando que os números apresentados são superavitários.

"Faz dois anos que as saunas femininas não funcionam porque caiu o teto. E com R$ 1 bilhão gasto em dois anos, eles não guardam uma porcentagem para fazer melhorias no clube. Então, administrar não é só estar voltado para algumas circunstâncias", reclamou.

No bate-papo com a reportagem, Genaro ainda falou sobre diversos temas: como pretende baixar o preço dos ingressos do Allianz Parque usando um sistema parecido com o do Borussia Dortmund, da Alemanha; se irá manter o diretor de futebol Alexandre Mattos; se irá renovar com veteranos como Jaílson, Fernando Prass e Felipe Melo; e seu plano para afastar o assédio estrangeiro e tentar manter o atacante Dudu, principal jogador do elenco.

O opositor ainda contou que pretende reatar relação com a Federação Paulista de Futebol, com quem o clube está rompido.

Leia a entrevista de Genaro Marino à ESPN:

ESPN: Por que as contas do Palmeiras seguem sendo rejeitadas pelo COF, mesmo com a situação dizendo que elas apresentam números superavitários?
Genaro Marino: Os números superavitários são apenas expectativa. Na realidade, até julho, agosto, eram deficitários, em função de gastos e da forma com que se contabilizaram. Falar é uma coisa, mostrar é outra. Esse ano vendemos o Keno, o Tchê Tchê, o Róger Guedes e o Fernando recentemente, gerando um volume total de R$ 120 milhões. Eles estão falando que vai ter lucro, superávit. Lógico: venderam R$ 120 milhões em jogadores e deu R$ 40 milhões de superávit. Mas esses jogadores eram do pacote da Crefisa? Não, eram do Paulo Nobre, que fez investimentos e recuperou os investimentos que ele fez. Veja o lucro que ele teve com o Mina, mas que não pagou os déficits que ele teve com alguns daqueles (jogadores) argentinos. Esse superávit é em função da venda desses jogadores, não da operação do dia a dia. Em dois anos, o Palmeiras está gastando quase R$ 1 bilhão, em gastos gerais, futebol, jogadores, estrutura, para ganhar um de oito títulos. Eu, como administrador, se olhar o custo benefício, você acha que é bom? O maior gasto do Brasil conseguiu um título. Times que não tiveram metade dos gastos conseguiram dois. Analisar o que é bom desempenho não é falar ou convencer através de festas e brindes, de camarotes e viagens, fazer essas situações que eles (situação) estão fazendo hoje. Isso aí é indigno. E minha obrigação é mostrar às pessoas que não se iludam dessa forma. O clube tem que ser soberano. Palmeiras para os palmeirenses. Só que, aqui dentro, não damos nenhum benefício para as pessoas que frequentam o conjunto aquático, o solário, as outras dependências do clube. Faz dois anos que as saunas femininas não funcionam porque caiu o teto. E com R$ 1 bilhão gasto em dois anos, eles não guardam uma porcentagem para fazer melhorias no clube. Então, administrar não é só estar voltado para algumas circunstâncias. Tudo isso faz parte e é normal, mas não só isso.

ESPN: No entanto, há hoje inveja do Palmeiras por parte dos outros clubes por causa desse poder de investimento?
GM: Se as equipes se organizarem de forma administrativa e respeitarem seus orçamentos, traçando planos e arrumando parceiros, eles podem se desenvolver como nós. O Flamengo fez isso bem. E o Palmeiras, em quatro anos, mudou da água para o vinho. Porém, quando você atinge um patamar e não se preocupa com valores e gastos, a tendência é voltar de novo ao início do ciclo. O desafio da gente é manter o time no mesmo patamar e não passar pelas dificuldades que muitos clubes estão passando. Eles tinham que olhar para dentro deles e ver se a forma como foram administrados no período em que tiveram bons patrocinadores foi correta. A maioria teve um momento bom na parte financeira e no futebol, mas por que não conseguiram manter? Nós, esse grupo de trabalho que formamos, esse plano que fizemos, essa estrutura que temos, o objetivo é sustentabilidade, sustentar esse patamar que o clube alcançou. Só não podemos entrar nessa seara que estamos entrando. Isso é correr risco. Afinal, já devemos R$ 150 milhões para nosso próprio patrocinador, o que é complicado...

ESPN: Como o senhor pretende conduzir a relação entre Palmeiras e WTorre, que foi marcada por muitos problemas nos últimos anos?
GM: A relação é extremamente importante, porque eles foram responsáveis por construir uma das arenas mais modernas do mundo para nós. Apesar disso, não está totalmente completa. Tem áreas dentro do complexo da arena que ainda precisam ser finalizadas. Tem áreas que precisamos. Cadê nossa sala de troféus? Cadê nosso salão de festas? A nossa sala de troféus pode ser uma fonte de receita tanto para eles quanto para nós. Enquanto tem esse relacionamento com instituições como WTorre, Crefisa, tem que ser "ganha-ganha". É importante. Se tem a oportunidade dos dois lados terem ganho, por que não estamos conversando? Isso é desperdício, e não dá para admitir isso.

ESPN: Os torcedores já vêm reclamando há tempos dos altos preços dos ingressos. O senhor tem algum plano para baixar esses preços ou vai mantar como está?
GM: A arena no Brasil ainda é um fato novo. Aos poucos as pessoas estão aprendendo a administrar uma arena e tudo o que ela pode oferecer. Tanto é que ainda temos algumas dificuldades, como a questão do gramado, as áreas não completadas. A parte de precificação tem que ter um estudo. Devemos ter áreas específicas para contemplar todas as camadas sociais. Isso pode ser melhorado. Se o preço mínimo é R$ 40, são das 10 mil cadeiras que a WTorre administra. Então, por que não podemos fazer esse trabalho juntos? O Palmeiras compra essas 10 mil cadeiras e você não precisa comercializá-las. A gente pode trabalhar e oferecer ao sócio valores mais apropriados, que beneficiem a todos. Hoje existe um grupo de inteligência, que pode trabalhar na precificação adequada em função do evento, da demanda que tenha para cada evento. É a lei da oferta e da procura. O estádio tem lugar para 42 mil pessoas, e o Palmeiras tem muitos milhões de torcedores. Não dá para contentar todo mundo. Mas há uma forma que a gente pode atingir cada camada social, gente de mais idade, gente mais jovem, gente de mais poder aquisitivo... Nós visitamos alguns estádios pelo mundo, como os do Borussia Dortmund e Benfica. O Borussia, atrás do gol, não tem mais cadeiras, e isso aumenta a capacidade em uns 2 mil lugares, reduzindo também o ingresso. É uma alternativa que tem que estudar, mas tem que trabalhar para que isso aconteça. Teremos um comitê gestor de arena, que vai trabalhar para precificar constantemente cada evento. Tenho que discutir tudo com a WTorre, mas, desde o início, nós propusemos que atrás dos gols não houvesse cadeiras, como no Borussia. É o sistema que as pessoas podem pular sem danificar cadeiras. Isso aumenta a quantidade de torcedores significativamente.

ESPN: Também há muitas reclamações sobre o Futebolcard, sistema que vende os ingressos para sócios Avanti. Há intenção de mudar o parceiro?
GM: Nós vínhamos fazendo um trabalho nesse sentido até o final de 2016. Visitamos o Borussia, o Benfica e Sporting, fomos conhecer como eles administravam também o sócio-torcedore e vimos que o software deles havia sido desenvolvido em 2004, e de lá para cá foram aperfeiçoando. No Sporting, você chega na loja do clube, vira sócio-torcedor e já tem desconto ali na hora nos produtos, já compra o ingresso com desconto, adquire produtos de alimentação que são debitados direto no cartão. Era pára termos feito uma transição nesse sentido no final de 2016, mas, como mudou a gestão, o Maurício manteve a Futebolcard e foi tentando melhorar aos poucos, mas até adquirir todo esse know how, adquirir o software adequado... É aquela história: você não precisa inventar a roda se ela já existe. Traga o que é bom e já ajuda. Existem muitos softwares que podem melhorar tudo para o sócio.

ESPN: Há planos de voltar a investir nos esportes amadores, como basquete e futsal? E no futebol feminino, já que será obrigatório ter uma equipe feminina para seguir disputando a Libertadores?
GM: Não tenho acompanhado a situação do futebol feminino, mas temos recursos para manter um time de futebol feminino. Temos o clube de campo, com alojamentos e dois campos. Poderíamos buscar parceria com uma empresa privada, com a Prefeitura, com quem tiver interesse em participar junto e desenvolver. No futsal e no basquete é a mesma coisa. Somos a Sociedade Esportiva Palmeiras. Não somos Futebol Clube. Tivemos basquete nos últimos anos, mas não havia instalações adequadas. Então hoje, independentemente do faturamento que o Palmeiras tem, poderíamos ter uma reserva ou definir uma porcentagem fixa para esportes amadores, e aos poucos ir desenvolvendo para que tenha rendimentos de alto nível. Porque você não pode ter um time por ter e depois não performar bem e todo mundo vem reclamar. Hoje o esporte precisa de investimentos, de recursos, e o clube social não gera recursos para manter esses esportes. O Palmeiras não é como o Pinheiros e o Minas nesse sentido. Porém, hoje já temos condições, por causa das Certidões Negativas de Débito, e aí podemos buscar recursos através das leis de incentivo ao esporte para voltarmos a ter equipes de padrão competitivo no basquete, futebol de salão, vôlei e outras atividades, como judô, arco e flecha, boxe... Muita coisa pode ser feita. Basta administrar forma adequada.

ESPN: Falando agora de futebol, o Alexandre Mattos segue como diretor caso o senhor seja eleito?
GM: Hoje, não conheço nenhum diretor que tenha mais informações e influência em contratações do que o Mattos. O jogador que ele quer, ele busca. Em 2015, eu e o Nobre decidimos que o nome dele deveria ser buscado. Já o Maurício (Galiotte) tinha outro nome. Fomos conversar com o Mattos, e ele indicou o Cícero Souza, que veio na primeira fase da nossa restruturação, e o Mattos veio na sequência. Estamos muito satisfeitos com a forma como eles conduzem e se relacionam com o mercado e os atletas. Hoje, o Palmeiras colhe os frutos, mas quem semeou, plantou a árvore, colocou fertilizante e regou lá atrás fomos todos nós. O que estamos colhendo agora com o Deca é um título que o palmeirense tem que se sentir dono, não só os dirigentes. Os dirigentes fizeram as obrigações que tinham que fazer, com todos os recursos que a nossa receita proporciona.

ESPN: Felipão também é o técnico ideal para a sua gestão?
GM: O Felipão mostrou a capacidade dele de administrar pessoas, de ser o paizão que estávamos precisando. Em 2010, quando eu era diretor de futebol, a gente já tinha buscado o Felipão, pela confiança, pelo estilo, pelo que ele já tinha demonstrado no passado. Sempre desafiamos o Felipão dizendo que ele era bom de mata-mata, mas ruim de pontos corridos. Agora, ele se mostrou bom também de pontos corridos. Vai entrar num rol histórico com esse título Tomara que no ano que vem ele tenha mais sucesso nos mata-matas e a gente chega nas finais também.

ESPN: O senhor concorda com Galiotte sobre o Campeonato Paulista ser um 'Paulistinha'? Pretende seguir rompido com a Federação Paulista ou planeja reatar?
GM: Eu respeito todas as instituições às quais o Palmeiras está afiliado, como FPF e CBF. Lógico que o Paulista já não tem mais a projeção que teve no passado, mas nossa história no Paulista nos enche de orgulho. Quem não se lembra de 1974, 1993, 1996? Mais até do que outros campeonatos! Conheço muitos palmeirenses que lembram mais de 1993 do que de outros campeonatos. Então, no aspecto de representatividade, talvez não tenha a mesma importância técnica e financeira, mas eu não desprezaria o relacionamento com a FPF. O que gerou esse desabafo do Maurício foi a questão da arbitragem - que, convenhamos, foi catastrófica. Não pode um juiz voltar um pênalti depois de 10 minutos e ficar essa celeuma. Temos que exigir arbitragem melhor, e a FPF tem que tomar providências, pois é responsabilidade dela. Então, lógico que voltaria (a se relacionar e participar dos eventos da Federação). Tenho que ter relacionamento com todos, e não desprestigiar. A função dos dirigentes de clubes é ajudar a desenvolver e criar melhores condições para todos.

ESPN: Galiotte disse que gostaria de usar a base no Paulista 2019. É uma ideia que o senhor também tem? E como pretende trabalhar a base do Palmeiras, que vem sendo tão vitoriosa nas últimas duas temporadas, mas que ainda não fornece muitos atletas para o elenco principal?
GM: A base veio como projeto no início da nossa gestão. Começamos com o Erasmo Damiani, começou a melhorar e ter sucesso. Aí o Damiani foi convidado para fazer parte da CBF. Contratamos o principal formado e revelador da base do Brasil, que é o João Paulo Sampaio. Ele fazia esse trabalho no Vitória e também veio na nossa gestão - anterior, não na atual. A gestão atual está colhendo os frutos de tudo que foi feito nos últimos anos. Esse trabalho na base veio no nosso programa de governo que todo o terceiro atleta tem que ser da base. Todo o terceiro. A gente sabe que às vezes machuca um ou dois da mesma posição, não basta ter só dois excelentes jogadores para cada posição. Agora, a base... Tem que estar sempre preparada para suprir, e o futebol mostra isso. Às vezes uma contusão, uma suspensão... Ou uma oportunidade de negócio que sai um jogador. Até você ter outro, a base tem. Tanto que na lateral esquerdo, de todos os investimentos, quem tem jogado é o Victor Luís. Tem pontos da base que dão suporte, e aqueles que não são usados no time principal também são oportunidades de venda para um grande time, como foi o caso do Fernando [transferido para o Shakhtar Donetsk]. Ele nem jogou no time principal. Um jogo que fez, entrou e fez gol e já estava no radar de times europeus, e o Palmeiras vendeu, talvez até para fazer caixa. Para mim, ele (Fernando) deveria ter ficado mais tempo no clube, porque poderia se tornar um ídolo, como o Gabriel Jesus, pela característica dele. Todo jogador que vem da base tem um carinho diferenciado do torcedor. Então, nós queremos que isso se mantenha. Nós vamos buscar aprimorar o que agente tem a nível de recursos. Hoje a gente sente que a base de restaurante e alojamento é aqui na Padre Antônio Tomás, e o CT é em Guarulhos. Esse vai e vem de Marginal Tietê todo dia... A gente tem que pensar a curto prazo em solucionar isso, porque é desgastante ao atleta.

ESPN: Quantos reforços o senhor calcula que o Palmeiras precisa para 2019?
GM: Nós conversamos internamente que de futebol falaríamos só depois do Campeonato Brasileiro. Mas, para não falar que eu fugi da raia... Estamos com um elenco qualificado. Quando você atinge um elenco como o Palmeiras tem... Veja alguns jogadores que estão emprestados: Robinho, que está no Cruzeiro, ainda é do Palmeiras; o Raphael Veiga, do Atlético-PR. Tem vários atletas que estão emprestados, estão tendo uma boa performance e que também teriam lugar. Reforços teria que discutir com a comissão técnica e qual planejamento o treinador gostaria de ter. E isso só vou poder ter depois de eleito. Por enquanto, a gente não tem essa oportunidade de discutir.

ESPN: E quanto a renovações de alguns atletas mais veteranos, como Fernando Prass, Jaílson, Felipe Melo?
GM: Esses jogadores, pelo convívio que tive com eles, entendo que eles têm uma alta capacidade não só como atletas, mas como seres dentro do futebol. Eu conversaria com eles. Aqueles que entendem que ainda têm capacidade de performar e manter o que comissão técnica colocar como exigência, a gente discutiria. São pessoas que eu aprendi a respeitar e admirar. O Prass, por tudo que ele passou nesse período - é um vencedor, marcando gol de pênalti em título -, o Edu Dracena foi campeão em todas as equipes que ele participou, e isso é uma coisa incrível - poderia até fazer uma reportagem falando sobre as vezes que ele foi campeão -, e a capacidade dele de discutir, de ter a visão de jogo é muito importante. Então, o Prass, Jaílson, Dracena... Assim como o Zé Roberto, que já trabalhou conosco. Eu sou muito favorável de ter comissões de ex-atletas. O atleta, você vê: o Corinthians não tem os ex-atletas? O São Paulo não tem? O Palmeiras também poderia ter, não para copiar. O atleta tem a linguagem do jogador, sabe o que é necessário e quando não é. E depois, com a vivência que tem na parte administrativa, pode ajudar a administrar o futebol e melhorar. Eu conversaria com cada um, respeitando o interesse deles. Às vezes um jogador que você vai convidar para ser auxiliar, gerente ou para permanecer mais um tempo e não ser titular... Ele prefira ter uma oportunidade e ganhar mais. Felipe Melo mostrou toda uma característica que a torcida gosta dele. Teve algumas vezes que ele extrapolou, acho que isso faz parte do amadurecimento ainda maior do atleta. A comissão técnica, entendendo que ele atende aos requisitos, também será mantido. Mas, se puder ficar com todos, inclusive com o Dudu, que é o maior jogador do Brasil.

ESPN: E como fazer para segurar o Dudu, que certamente será assediado pelo futebol do exterior depois desse grande Brasileirão?
GM: Eu manteria o Dudu, porque ele tem uma identificação conosco. No período de pós-crise, vieram com títulos e toda essa dinâmica de futebol. Eu vejo a minha neta e as amigas dela querem a camisa do Dudu. Então, crianças e adultos todos gostam do Dudu. Esse tipo de jogador e essa identificação com a equipe que eu acho que a gente tem que arrumar um jeito de conviver. Não tenho acompanhado o que se conversou com eles ou se houve algum acordo com ele para ele ficar ou sair. Essa administração está fechado e não permite que os vices tenham acesso às informações. A gente não sabe o que está se passando. A gente não sabe se renovou ou não. No aspecto do Dudu, se ele tem contrato e puder ficar e eu me tornar presidente, vou fazer o possível para mantê-lo. Não acho que só dinheiro é o suficiente para tudo. Vimos muitos jogadores que saíram, sai por um dinheiro e seis meses depois voltam. Essa ilusão de jogar fora... Você vai jogar em Moscou, na Rússia, com -20ºC. O Brasil não é bem vendido para o próprio atleta. Hoje, nós temos um padrão de salário igual ao da Europa. Então, para que você precisa ir jogar na geladeira ou não sei aonde? Ou na China. Joga aqui com a gente. Vamos fazer algum plano que seja possível. Vamos supor: você ganha R$ 300 mil, R$ 400 mil... Depois do quinto mês você não tem nem noção de gasto. Falar de valores é relativo. Você tem que ganhar dinheiro e saber usar. Ganhar dinheiro por ganhar? Eu tentaria de uma forma, não emocional, mas tentar envolver o atleta em um projeto junto. Teria que discutir junto com ele.

ESPN: Com o Deyverson o senhor acha que vale seguir ou ele é muito instável, imprevisível?
GM: O Deyverson eu também acho que está em um processo evolutivo. Depois que o Felipão veio, vários atletas começaram a performar melhor. Eu falaria com a comissão técnica. O nosso objetivo é ser campeão de tudo que a gente participar, se possível. E isso é a comissão técnica que tem que assumir o que é possível ou não.

ESPN: O presidente do Palmeiras deve levantar a taça de campeão junto com o capitão da equipe? O Paulo Nobre fez isso em 2015 e 2016, mas o Galiotte disse que não faria de jeito nenhum...
GM: Quando o presidente está envolvido com a delegação, na linha de frente, como o Paulo estava com aquele elenco, vale. Ele vivenciou tudo junto com eles, então, estar junto (na hora do troféu) é valorizar o trabalho dele e do elenco. Agora, se não estiver 100% envolvido e for lá levantar a taça para aparecer, aí acho hipocrisia.