Libertadores: Lopes, ex-Palmeiras, relembra semi com Boca em 2001: 'Com VAR, a gente ia para a final'

Nesta quarta-feira, o Boca Juniors recebe o Palmeiras pela semifinal da Libertadores, às 21h45 (de Brasília), em La Bombonera.

Da última vez que jogou este estágio da competição, em 2001, o Verdão enfrentou justamente os xeneizes, sendo eliminado nos pênaltis no Parque Antarctica, após empatar por 2 a 2 na ida (na partida em que foi "garfado" pelo paraguaio Ubaldo Aquino) e também na volta.

Daquela equipe alviverde, havia sobrado pouca coisa dos tempos da Parmalat, já que apenas alguns jogadores daquela era vitoriosa, como o goleiro Marcos, o lateral direito Arce e o meia Alex, haviam permanecido. O elenco palestrino era formado na maior parte de apostas.

Um dos "ilustres desconhecidos" daquele grupo, que acabaria se tornando um dos principais jogadores do Palmeiras, era o meia-atacante Lopes, que havia sido revelado pelo Volta Redonda e chegou ao Palestra Itália em 2000, explodindo de vez em 2001.

Naquele ano, sob o comando do técnico Celso Roth, o "Tigrão", como era conhecido, foi o artilheiro da Libertadores, com 9 gols, e quase levou o Verdão à decisão contra o Cruz Azul. Hoje aposentado, ele se emociona ao ver o ex-time em busca de uma nova decisão.

"Vendo Boca x Palmeiras em uma semifinal de Libertadores, passa um filme na minha cabeça. Parece que volto 17 anos no tempo", suspira, em entrevista à ESPN.

"Fui artilheiro naquele ano e quase chegamos à final. Foi algo muito grande na minha carreira, com certeza meu melhor momento. O Palmeiras foi o clube que abriu as portas para mim e me mostrou para o mundo. Lá eu virei o Lopes. É um time que amo até hoje", derrete-se.

SE TIVESSE VAR...

Apesar das duas décadas que quase se passaram entre a semifinal de 2001 e a desta quarta-feira, as memórias daquele empate por 2 a 2 em La Bombonera seguem vivas na memória do "Tigrão". 17 anos depois, ele conta que entrou em campo muito doente.

"Eu joguei com 39 graus de febre. Antes da partida, nem sabia se ia jogar. O Celso (Roth) que me incentivava a entrar em campo. Lembro que tomei um monte de vitamina C e fui para o jogo (risos). Não estava conseguindo nem me alimentar direito. Ainda consegui jogar mesmo assim, fiquei até a parte final do segundo tempo, quando tive que sair. Minha imunidade estava muito baixa", revela.

Em Buenos Aires, o Verdão abriu o placar com Alex, mas Guillermo Barros Schelotto (hoje técnico do Boca) empatou cobrando pênalti, que foi marcado de maneira absurda por Ubaldo Aquino em uma falta inexistente do zagueiro Alexandre no atacante Barijho.

Na segunda etapa, o atacante Fábio Júnior colocou os brasileiros de novo na frente do placar, mas o genial Riquelme, minutos depois, fez grande jogada pela direita e só cutucou para Barijho escorar para as redes de Marcos, igualando de novo.

A partida ainda ficou marcada por outro erro bizarro do árbitro: aos 16 do 2º tempo, o goleiro Córdoba cometeu pênalti claro no volante palestrino Fernando, mas o juiz paraguaio não só ignorou a infração como ainda deu amarelo ao meio-campista por simulação.

Lopes até hoje não engole...

"O Palmeiras fez um jogaço. Foi um placar muito injusto. Aquele pênalti no Fernando foi na cara do juiz, não tinha como não dar. Qualquer pessoa normal teria marcado o pênalti naquele lance. Achei até que o Palmeiras fosse recorrer na Conmebol", salientou.

"Acabou que aquele pênalti ficou na memória de todos os jogadores do time de 2001, porque se a gente tivesse ganho na Bombonera, com certeza teríamos passado no Parque Antarctica. Se tivesse VAR, teríamos ido para a final, com certeza", garantiu.

O ex-atleta também recorda até hoje a recepção hostil feita pela torcida xeneize.

"A gente teve que ter muita audácia para chegar e jogar daquele jeito dentro da casa deles, com tudo contra a gente. Para chegar na Bombonera, teve ônibus quebrado, pedradas, arremesso de saquinho de xixi, atiraram fogos em cima da gente... A perssão lá dentro é muito grande", rememorou.

"Eu tirei de letra, apesar de ser a minha primeira vez num jogo desses. O time todo foi muito bem. Infelizmente, quis o destino que a gente não fosse para a final. Se não fossemos roubados, acho que teríamos vencido o título. Seria uma vitória histórica, mas que vai ficar pra sempre marcada por causa daquele roubo", lamentou.

POR ONDE ANDA LOPES

Hoje com 39 anos, Lopes parou de jogar em 2016, justamente pelo Volta Redonda que o revelou, e depois de passar por clubes tradicionais como Flamengo ("Inclusive joguei com o Felipe Melo, que era garoto na época"), Fluminense, Santos, Cruzeiro e Atlético-MG. No entanto, segue ligado ao futebol.

"Fiz curso para treinador e hoje tenho uma empresa chamada WL Assessoria e Marketing esportivo para ajudar garotos para entrarem em clubes do Brasil. Nós assessoramos e damos treinos, aí uso meus contatos para colocá-los em clubes. Estou cuidando também para meus filhos serem jogadores", contou.

"Tenho o Pedro Henrique, de 9 anos, e o João Pedro, de 4. É a continuação da 'família Tigão' no futebol. Eles são os 'Tigrinhos' (risos). Estou treinando os dois, que têm muita noção de bola e são habilidosos. Acho que os dois vão virar jogadores", relatou, orgulhoso.

Lopes dá risada ao se lembrar do apelido de "Tigrão".

"Isso surgiu nos jogos contra o Cruzeiro (pela Libertadores de 2001). Eu era muito amigo do pessoal (da banda) 'Bonde do Tigrão', e falei que se fizesse um gol, ia dançar na comemoração. Eles duvidaram. Daí no jogo, eu fiz o primeiro gol e arrebentei (risos). Fiz a dança e virei o 'Lopes Tigrão'", brincou.

O ex-jogador tem muitas saudades de seus companheiros de equipe daquele tempo.

"Eu me dava bem com todo mundo! A galera era maneira demais. Meus melhores amigos eram Basílio, Fernando e Daniel. Eu adorava o Marcos, que era muito engraçado e só contava resenha boa. Ainda tínhamos feras como Arce, Tuta, Júnior, enfim... Rapaziada nota 1000. Eu formei até um grupo de WhatsApp com a galera daquela época. A gente se fala bastante, e o Marcos manda muita piada (risos)", gargalhou.

Até hoje o ex-meia-atacante guarda enorme carinho pelo Verdão.

"Hoje sou palmeirense roxo, é meu time de coração mesmo. A torcida, pelo que vejo, ainda tem carinho por mim. Quando posto algo no Instagram, sempre alguém comenta: 'Pô, você jogou muito no Palmeiras, honrou a camisa!'. Isso é gratificante demais, pois já se passaram quase 20 anos e as pessoas ainda lembram de mim, a imprensa também lembra. Sinal de que fiz um bom trabalho", exaltou.

"E sabe que nunca mais voltei ao CT do Palmeiras? Quero voltar lá um dia. Acho que serei bem recebido. Vi que o Felipão disse esses dias que nós, jogadores mais velhos que passamos lá, seríamos muito bem vindos para fazer uma visita ao clube. Quem sabe eu passo por lá um dia...", finalizou.