O Cruzeiro conta com o poder de decisão do meia Robinho para conquistar um bom resultado contra o Corinthians, nesta quarta-feira, no Mineirão, na primeira partida da final da Copa do Brasil.
Em meados de 2010, o meia da equipe celeste quase foi parar por engano na Juventus, da Itália. Tudo porque tem o mesmo apelido de Robson de Souza, o Robinho, ex-atacante do Santos e do Real Madrid. Um dia, ele recebeu uma ligação de um empresário estrangeiro perguntando se gostaria de vestir a camisa da "Velha Senhora".
"Eu jogava pelo Avaí, mas ele deve ter conseguido meu telefone achando que era o 'Rei das Pedaladas', que estava para sair do Manchester City. Na hora, me toquei que não era para mim, mas, no fundo, fiquei torcendo para que fosse...", brincou o meia, em entrevista à Rádio ESPN, em 2014.
"Levei um pouco a conversa. Já pensou se eu ganho uma passagem de graça para a Itália e chego lá? Só ia ter um problema, acho que ia perder meu emprego aqui, né (risos)?", completou o atleta, que também teve duas passagens pelo Santos.
A conversa se estendeu até o momento em que o empresário perguntou qual seria o adversário de Robinho no fim de semana. O jogador respondeu que seria contra o Joinville, pelo Campeonato Catarinense.
"Daí ele percebeu que estava falando com o Robinho errado (risos)! O cara se desculpou e desligou o telefone. Por uns 15 segundos, eu fui jogador da Juve (risos)! Até pensei em ligar de volta depois, mas acabei desistindo e apaguei o número dele", lembrou.
Mas essa não foi a única vez que o apelido idêntico ao do "Rei das Pedaladas" acabou complicando o Robinho do Coritiba.
"Teve uma vez no Santos que um pai estava com uma criança de cinco anos e veio me pedir para dar um autógrafo. Ele falou para o filho que eu era o Robinho, e o menino retrucou: 'Não, pai, esse não é ele, porque o Robinho é negro, esse daí é branco (risos)'", recordou o meia, às gargalhadas.
"O pai ficou todo sem graça e explicou para o filho que eu também chamava Robinho, daí o moleque, meio contrariado, acabou aceitando o autógrafo", acrescentou o atleta do Cruzeiro, sem perder o bom humor.
De ET de Varginha a creolina
Nascido em Marialva-PR, Robinho sempre quis ser jogador de futebol. Nos caminhos da bola, foi parar na base do Varginha-MG, equipe da cidade famosa pelo avistamento de extraterrestres, em 1996. Sem medo dos alienígenas, o atleta diz que torcia para se encontrar com um ET para fazer um pedido.
"Todo dia passava com a molecada da base pela estátua do ET, que é gigante e fica no centro de Varginha. Nós tínhamos uns 15 anos, e ficávamos pensando: 'Imagina se o ET aparece para a gente, o que iria acontecer? Eu ia pedir para ele transformar a gente em jogador profissional (risos)'", conta.
O meio-campista nunca viu um alien, mas, no fim das contas, acabou se profissionalizando. Subiu para o profissional do Varginha em 2005, e em 2006 foi para o Mogi Mirim.
De suas aventuras pelo interior do país jogando bola, lembra bem das artimanhas que os adversários preparavam nos vestiários, como o corte na energia elétrica.
"Jogando pelo interior do Brasil você vê muita coisa... Uma coisa comum era os caras jogarem creolina no vestiário para ficar aquele cheiro horrível. Quando ganhávamos, então, era pior! Os caras desligavam a água quente e a gente voltava fedido para casa, mesmo (risos). Às vezes, eles desligavam a energia elétrica e deixavam a gente no escuro, daí tínhamos que caçar as roupas, era complicado (risos)", ressaltou.
Após um bom Paulistão, chamou a atenção do Santos, que acabou o contratando. Passou ainda pelo Avaí, quando recebeu a "proposta" da Juventus, Coritiba e Palmeiras antes de chegar ao Cruzeiro, em 2016.
O jogador, que busca seu terceiro título na competição, é um dos principais garçons da equipe celeste em mata-matas em 2018. Em 15 jogos eliminatórios na temporada, ele deu sete assistências para gol.
Além disso, o Corinthians é a segunda equipe no qual ele mais fez gols na carreira: cinco. Somente o São Paulo foi mais vazado pelo jogador (seis vezes).
