Em 22 de julho de 2011, o Palmeiras apresentou o lateral esquerdo Gerley como reforço. À época com 20 anos, ele vinha de ser eleito o melhor ala do Campeonato Gaúcho pelo Caxias, e chegou como esperança de arrumar o setor no Palestra Itália.
Em sua coletiva de apresentação, comparou seu estilo ao de André Santos, então titular da seleção brasileira, e revelou que preteriu uma proposta do Vasco, campeão da Copa do Brasil e um dos times mais fortes do país naquele momento, para jogar no Verdão.
Mas Gerley, como tantas contratações feitas naquele período, não deu certo no Palmeiras. Apesar de contar com a confiança do técnico Luiz Felipe Scolari, a quem é grato até hoje, o atleta ficou longe de se firmar com a camisa alviverde.
Sete anos depois, muita coisa mudou na vida do jogador...
Após rodar por diversos clubes nas últimas temporadas, ele se "redescobriu" no ano passado atuando em outra posição no Botafogo de Ribeirão Preto: a de meia-esquerdo, passando a jogar mais avançado, quase como um atacante pelos lados.
Em 2018, fez um bom Campeonato Paulista pelo Bragantino, e hoje está no São Caetano, melhor equipe da Copa Paulista. O Azulão é o único invicto da competição, com sete vitórias e cinco empates na primeira fase, e pinta como grande favorito ao título.
Com 28 anos recém-completos, ele hoje está feliz jogando como meia-atacante.
"Eu já joguei de tudo nessa vida. O que importa é estar em campo (risos). Já atuei como zagueiro, lateral, meia... Quero sempre poder ajudar! Agora eu jogo mais como ponta, um meia-atacante aberto", conta Gerley, em entrevista à ESPN.
O atleta também está muito satisfeito com sua experiência no ABC Paulista.
"Todos sempre falaram bem do São Caetano. Quando recebi o convite para jogar aqui, fiquei muito feliz. Estou em um grande clube, que ano que vem jogará Série A do Paulistão. Fiz dois gols na minha estreia pelo clube e estamos fazendo campanha muito boa", exalta.
Seu sonho agora é retornar a uma grande equipe no cenário nacional.
"Quero me dedicar ao máximo aqui. Acho que um dia posso voltar para a Série A do Brasileiro. Hoje, encaro cada partida como uma final. Quero estar em atividade. Quero voltar à elite do futebol. Sei que tenho condição para isso e estou em uma crescente novamente", afirma.
'NUNCA DEVERIA TER SAÍDO DO PALMEIRAS'
Gerley lembra até hoje quando saiu do Caxias para assinar com o Palmeiras.
"Foi tudo muito rápido. Eu fiquei sabendo em um jogo do Caxias que tinha gente do Verdão me observando. Logo em seguida, já fui para lá. Vim direto para São Paulo, realizei exames e assinei. Foi uma das melhores experiências da minha vida", recorda.
Um mero desconhecido naquela época, ele elogia a recepção feita.
"Meu primeiro dia já foi excelente. Quando cheguei, não conseguia acreditar que estava ali (risos). Mas, desde o começo, todo mundo me deixou à vontade. Foi bem bacana, tiveram um carinho enorme comigo", relata o jogador, que exalta especialmente o ex-goleiro Marcos.
"O Marcão é brincadeira (risos). Já chega tirando sarro de você, recepciona muito bem. É um cara muito gente boa", conta.
Gerley viveu a última era de "vacas magras" do Verdão, quando a equipe brigava na parte de baixo da tabela, diferentemente de hoje.
"A gente estava lutando pra não cair, e era bem difícil. Trabalhávamos muito para arrancar as vitórias, mas tinha uma pressão muito grande para não cair. Por isso, a vida de todos tinha que ser muito regrada. Não podia pisar na bola (risos)", brinca.
Foi assim, pouco a pouco, que ele entendeu o tamanho da equipe alviverde.
"A minha ficha caiu mesmo quando fiz minha estreia em casa, no Pacaembu, e a torcida lotou o estádio. A gente ganhou e foi um alívio. Eles incentivaram a gente o tempo todo, e eu fiquei impressionado. Aí pensei: 'Caramba, estou no Palmeiras!'", emociona-se.
Gerley também é só elogios ao técnico Luiz Felipe Scolari.
"Eu só tenho que agradecer a ele pela oportunidade de trabalhar junto. É um cara sensacional, que explicava detalhadamente o que queria e passa muita experiência, pede sempre foco no trabalho. Adorei trabalhar com ele. É um 'paizão', que fecha o grupo de jogadores com ele e vai até o final com os caras", salienta.
Em 2012, aliás, Felipão tentou evitar que o lateral esquerdo saísse do Palmeiras. O atleta havia perdido a posição de titular na ala esquerda, e, convencido por seu empresário, passou a procurar novos interessados em seu futebol. Hoje, se arrepende.
"Na época, o Felipão não queria que eu saísse do Verdão, mas meu empresário naquele tempo me falou: 'Vamos pra outro time. O Bahia está te querendo, vamos lá'. Ele insistiu e eu fui. Na época eu era moleque, queria jogar e acabei saindo", revela.
"Não tenho nada a reclamar do Bahia, sou muito grato ao clube, mas não deveria ter saído. Era melhor eu ter ficado e esperado uma nova chance no Palmeiras. Hoje, não teria feito o mesmo que fiz há seis anos", garante.
QUASE LARGOU O FUTEBOL
Depois do empréstimo ao Bahia, Gerley passou por Ceará, Juventude, Náutico, Marília e Albacete-ESP. Após a experiência na Espanha, retornou ao Brasil e vestiu as camisas de Madureira e Vila Nova. Após ficar sem contrato, pensou em desistir do futebol.
"Depois do Vila Nova, eu fiquei parado um tempo sem jogar bola. Pra falar a verdade, eu não queria mais jogar naquela época. Quase larguei, mesmo. Foi o empresário que está agora trabalhando comigo que me convenceu a voltar", conta.
"Passei nove meses longe dos gramados. A minha esposa voltou a fazer faculdade naquela época e eu até tirei esse tempo para ver mesmo se queria voltar a jogar bola ou ver se ia fazer outra coisa da vida", relata.
Quem lhe abriu as portas para um retorno ao futebol foi o Democrata-MG, em 2016.
"No começo, fui mais por conveniência, pois o clube era perto da minha casa. Mas, depois, tudo mudou. No Democrata foi aonde eu realmente cresci e amadureci para a vida. Nessa época, meu pensamento sobre tudo se transformou completamente", exalta.
Depois do Democrata, com quem jogou o Mineiro do ano seguinte, ele disputou a Série C do Brasileiro pelo Botafogo-SP, em 2017, e fez dois gols na campanha, aí já jogando como meia-atacante, e não mais como lateral esquerdo.
Depois disso, passou bem pelo Bragantino antes de chegar ao seu time atual.
"Agora, eu quero jogar bola. Tenho só 28 anos, já rodei bastante, mas ainda tenho muito para fazer no futebol", destaca.
"Eu voltei a ter amor e prazer pelo jogo. As coisas agora estão dando certo para mim, e sou muito grato a Deus por ter me dado uma segunda oportunidade de fazer o que eu amo", finaliza.
