O craque Cristiano Ronaldo, da Juventus, tem influência direta na ótima fase do Palmeiras.
A equipe alviverde, que nesta quinta-feira recebe o Cerro Porteño-PAR, no Allianz Parque, às 21h45 (de Brasília), pelo jogo de volta das oitavas da Libertadores, vem se inspirando no atacante português, eleito melhor jogador do mundo em cinco oportunidades, para se esforçar cada vez mais nos treinamentos e nunca parar de buscar formas de melhorar seu desempenho através da prática e repetição.
É o que conta o zagueiro Antônio Carlos, titular do time paulista e presença certa da defesa palestrina no duelo desta noite contra os paraguaios, em uma entrevista exclusiva à ESPN.
Em papo de uma hora com a reportagem (leia a primeira parte da entrevista aqui), Tonhão, como é chamado carinhosamente pelos colegas de equipe, revelou alguns bastidores dos treinos do técnico Luiz Felipe Scolari no Verdão, cada vez mais fechados aos jornalistas.
O zagueiro contou algumas das novas tendências do "Scolarismo", como a motivação usando como exemplo a longa experiência vivida ao lado de Cristiano Ronaldo, a quem Felipão comandou por cinco anos na seleção de Portugal (2003 a 2008).
"O Felipão é um cara sensacional. Está ensinando muito para todo mundo. Ele passa o dia-a-dia do que vivenciou na China, em Portugal e muitos outros lugares", relata Antônio Carlos.
"Ele conta também as histórias do Cristiano Ronaldo. Ele disse que o CR7 era sempre o primeiro a chegar e o último sair dos treinos da seleção portuguesa. Quando acabava o treino, aliás, ele ainda ficava chutava umas 500 bolas no gol de tudo que era jeito (risos). Treinava falta e tudo mais", narra.
"Acho muito importante o Felipão falar isso para gente, pois o Cristiano é um cara tão conceituado e hoje melhor do mundo, mas moldou e evoluiu seu futebol a partir de muito trabalho. E ele ainda está treinando bastante, e é muito importante sabermos disso, pois são esses exemplos que a gente tem que mirar", exalta.
Após trocar o Real Madrid, clube no qual era "rei", pela Juventus, em busca de um novo desafio aos 33 anos, Ronaldo deu mais uma mostra de que realmente é movido a trabalho.
E a maior prova disso é o extremo cuidado com seu corpo: os testes da equipe italiana mostraram que o português tem o mesmo físico de um jogador de 20 anos, com 7% de gordura corporal, quando a média para um atleta cerca de sua idade é de 10%.
Além disso, 50% de seu corpo é massa muscular, enquanto o comum seria 46%.
"Ouvir tudo isso sobre o CR7 nos deu uma motivação ainda maior para trabalhar. Sempre ficamos aprimorando nos treinos. Quando você treina um pouco a mais, aí é que vem a evolução, como fala o professor Felipão. É bastante gratificante evoluir sob o comando de um cara multicampeão, que ganhou títulos por onde passou", elogia.
"Jogador de futebol hoje tem que ser assim. Não podemos parar de trabalhar um minuto se quisermos estar entre os melhores. Precisamos sempre buscar a excelência, como o Cristiano faz", ensina.
"Dessas história que o Felipão contou, eu tiro muito para minha vida. Temos que trabalhar sempre concentrado e buscar um algo a mais", finaliza Antônio Carlos.
Confira a 3ª parte da entrevista neste sábado
FELIPÃO E CRISTIANO RONALDO
Luiz Felipe Scolari e Cristiano Ronaldo se conhecem desde 2003, quando o técnico, então vindo da conquista do Penta com a seleção brasileira, assumiu o comando de Portugal.
No novo país, Felipão se deparou com o jovem talento que despontava no Manchester United e que começava a se tornar uma sensação na Premier League depois de ser comprado do Sporting.
Juntos, eles foram vice-campeões da Eurocopa 2004, à semifinal da Copa do Mundo 2006 e às quartas da Eurocopa 2008. Depois disso, Scolari deixou a equipe e foi trabalhar no Chelsea.
O carinho entre ambos, porém, transcende a relação treinador-jogador. Ronaldo já mostrou em diversas oportunidades um sentimento de gratidão a Felipão. O brasileiro, por sua vez, revelou que o atleta o chamava de "pai".
"Depois do pai dele morrer, ele me disse que eu lhe dei muitos conselhos, como se fosse um pai. Ele começou comigo muito jovem na seleção, com 17, 18 anos, chamou-me pai desde então e o apelido ficou até hoje", contou Scolari, em uma entrevista em 2011.
Em papo com a ESPN, em 2012, Scolari ainda revelou que foi o responsável por dar ao atacante a notícia da morte de seu pai, José Diniz Aveiro, antes de um jogo na Rússia, em setembro de 2005, pelas eliminatórias da Copa de 2006.
"Tivemos muita cumplicidade. Ele chorou por muito tempo, ficou mais estreito nosso relacionamento. Mesmo com a notícia, ele fez questão de jogar e disse: 'Meu pai gostava que eu jogasse, fez tudo na vida para que eu jogasse'", rememorou o treinador.
Questionado sobre como definiria CR7, Scolari foi taxativo.
"É o jogador que qualquer técnico quer ter. E é o filho que qualquer pai quer ter".
