A defesa do Palmeiras vive fase esplendorosa.
O time alviverde, que nesta quinta-feira enfrenta o Cerro Porteño-PAR, pelas oitavas da Libertadores, não sofre gols há nove jogos, igualando as incríveis séries conquistadas pelas Academias dos anos 60 e 70 e "justificando" o hino do clube, que faz uma ode à "defesa que ninguém passa".
Mas o que fez a zaga palestrina, tão insegura no primeiro semestre de 2018 e também nas partidas que ocorreram logo após a pausa para a Copa do Mundo, de repente se acertar tão bem?
A resposta tem nome e sobrenome: Luiz Felipe Scolari.
Ao menos é o que garante o zagueiro Antônio Carlos, titular da defesa palmeirense que irá encarar o Cerro nesta quinta, em uma entrevista exclusiva à ESPN.
Em um papo de uma hora com a reportagem, que será dividido em uma série de matérias nos próximos dias, o defensor contou sobre os bastidores dos treinos comandados por Felipão e por seus auxiliares (Paulo Turra e Carlos Pracidelli).
Tonhão, como foi carinhosamente apelidado pelos companheiros, destacou que a melhora na segurança do Verdão também se deve à marcação feita pelos jogadores de ataque e ao acerto de posição do volante Felipe Melo.
"O professor Turra e o professor Felipão pedem muita concentração nos treinamentos sobre o movimento certo dos zagueiros. E a gente vem pensando em cada detalhe do que ele tem falado", conta Antônio Carlos.
"Eu acho que a nossa melhora veio do fato de que a gente está correndo muito dentro de campo, estamos marcado muito bem, desde lá na frente, tanto o ataque quanto o meio-de-campo", acrescenta o atleta de 25 anos.
"Ele acertou o posicionamento do Felipe (Melo) e está nos ajudando muito com o Felipe na frente da zaga. Acho que, nos jogos que fizemos desde que o Felipão chegou, o Felipe tem sido um dos melhores em campo", destaca.
Desde que Scolari assumiu a vaga de Roger Machado, no final de julho, o Palmeiras não sofreu um gol sequer, tendo feito seis jogos pelo Campeonato Brasileiro, dois pela Copa do Brasil e um pela Libertadores.
"Nossas linhas agora estão muito perto, e as coberturas estão mais fáceis de fazer. A vontade e a energia que o Felipão tem, somadas aos ensinamentos que o professor Turra está implementando, estão sendo nosso diferencial", exalta o beque.
Antônio Carlos destacou o cuidado dado por Felipão e sua comissão técnica às jogadas de bola parada.
"A gente trabalha muito os lances bolas paradas, muito mesmo. O professor Turra, por ter sido zagueiro, pega os defensores e trabalha isso exaustivamente. Fazemos trabalhos específicos tanto ofensivos quanto defensivos", ressalta.
"Estamos trabalhando bastante, e quando der para eu voltar a fazer o gol, vamos fazer. Ainda não saiu (um gol desde que Felipão chegou), mas estamos trabalhando muito e na hora certa isso vai sair", torce o autor de três tentos em 39 jogos no ano.
O titular palestrino ainda revelou a atenção dada por Luiz Felipe Scolari e seus assistentes às partidas e jogadas da última Copa do Mundo, implantando o que foi mostrado na Rússia diretamente nos treinos do Palmeiras.
"O professor Turra vem sempre batendo nessa tecla que na maioria dos jogos da Copa do Mundo da Rússia saíram gols de bola parada. Ou seja, é muito importante conseguirmos deixar o zero no nosso placar, porque um gol lá na frente nós faremos", observa.
"Por isso, ele sempre diz: temos que ter muita atenção para não tomarmos gols e sair fazendo 1 a 0, porque depois disso nós aplicamos o nosso melhor", encerra.
Confira a 2ª parte da entrevista nesta quinta-feira
