Milan e Napoli se enfrentam neste sábado, 25, pela segunda rodada do Campeonato Italiano, às 15h30, em Nápoles.
O Napoli vem de vitória sobre a Lazio, por 2 a 1, em Roma, ainda sem saber o que será de sua temporada. Perder o técnico Maurizio Sarri para o Chelsea, foi um baque. Para o lugar dele, veio Carlo Ancelotti, buscando voltar a se firmar em seu país de origem e manter os napolitanos na rota ascendente dos últimos anos.
O Milan, por conta da tragédia de Gênova, na semana passada, estreia somente hoje, em meio a um dos piores momentos de sua história. Vendido mais uma vez - desta vez para um fundo norte-americano, depois da malfadada aventura chinesa - o clube de Milão busca identidade institucional com um time que deposita muita esperança em um ex-Napoli, o argentino Gonzalo Higuaín.
Não faltam expectativas para os torcedores dos dois clubes - tanto para hoje, quanto para a temporada. Como também não faltava, há pouco menos de 30 anos, quando a Itália era o centro do mundo do futebol.
Até porque, aquele era mais do que um confronto entre dois clubes. Era também o Norte Rico x o Sul Pobre, como ainda é. Mas também era um "Hermanos Latinos x Escola Holandesa". Maradona, campeão da Copa de 86 x Van Basten, campeão europeu de 88.
"Eram sempre grandes confrontos, e aquele Napoli x Milan foi sensacional", relembra-se um jogador que foi o nome do jogo disputado em 27 de novembro de 1988, com dois gols. Na partida que colocou frente a frente os dois últimos campeões italianos para um tira-teima, foi o brasileiro Careca quem sobressaiu.
O time rossonero, bicampeão europeu e mundial, do técnico Arrigo Sacchi, já era o esquadrão que dominaria o mundo por alguns anos. A defesa milanista, com Tassoti, Costacurta, Baresi e Maldini, começava a se tornar lenda.
Mas, do lado napolitano, o prazer pelo protagonismo e a grandeza recém-conquistados embalava uma equipe que tinha uma linha ofensiva com nada menos que Maradona, Carnevale e o artilheiro da tarde.
Deu Napoli, de goleada: 4 a 1.
Passeio
"Aquele time do Sacchi era muito interessante, jogava em 40 metros. Mas o nosso time era muito veloz e inteligente, e por isso conseguimos fazer o que fizemos. Surpreendemos", conta Careca.
A compactação também tinha como pilar uma linha de impedimento que Sacchi implantara com sucesso. O time não sofria gols. E isso já era meio caminho andado para alguém que atacava com Van Basten, Rijkaard e Gullit - que não atuou no clássico daquela tarde.
Mas o Napoli, além de sua linha ofensiva, tinha também a segurança defensiva de Ferrara e o elemento surpresa Francini, na lateral direita. O que não era pouco.
"O primeiro foi do Maradona, que foi muita inteligente", relembra-se Careca. Aos 41, o craque esperou que a chamada "linha burra" se formasse para furá-la. Vindo bem de trás, o argentino saiu cara a cara com o goleiro Galli, que correu para fazer a cobertura. Diego correu mais e se esticou para cabecear por cima dele, para o alto. A bola pingou uma, duas, três vezes e, devagarinho, correu para o fundo da rede.
"O segundo, foi uma conclusão minha", conta Careca. Aos 45, Baresi errou o tempo de uma cabeçada e o goleiro Galli se viu, de repente, sozinho, com nada menos que Maradona e Careca à sua frente. O argentino ajeitou de cabeça para o brasileiro fuzilar e fazer 2 a 0.
O Milan voltou para o segundo tempo com a marcação apertando cada jogador napolitano. Bastava alguém de azul pegar a bola para duas ou três camisas vermelhas e pretas o cercarem. Mas a linha de impedimento voltaria a deixar o goleio do Milan em má situação, e logo aos 3 minutos da segunda etapa.
De Napoli acionou Carnevale, que corria por trás da linha defensiva, sozinho, no setor de Baresi e Tassoti. O chute saiu prensado e Galli defendeu. Mas o lateral Francini veio na corrida e completou para o gol vazio.
As mais de 72 mil pessoas que lotavam o San Paolo não acreditavam no que viam. Aos 20, Maldini sofreu pênalti, que Virdis converteu. Mas os milanistas nem comemoraram.
Não demorou nem quinze minutos para o Napoli fazer o quarto. Aos 33, Francini lançou Careca, que invadiu a área livre e fulminou para fechar o placar.
"O último veio num contra-ataque. A gente tava antes do nosso meio-campo, quando conseguimos uma roubada de bola. Saímos rapidamente. Se eu não me engano, com o Paolo Maldini me acompanhando (NOTA: ele não se engana). Acompanhando, não, tentando acompanhar, porque nem deu pra chegar", diverte-se Careca. "Bati de perna direita, cruzado, e o goleiro deles, o Galli, não chegou."
O Napoli terminou aquele campeonato como vice-campeão (a Internazionale ficou com o título), mas venceu a Copa da UEFA, hoje chamada de Liga Europa. E, no ano seguinte, ganhou o segundo scudetto de sua história.
O Milan, que já vinha de um bicampeonato continental, passou em branco naquele ano. Mas não faltaram títulos para os rossoneri nos anos seguintes. Em 1991, inclusive, o clube devolveu o 4 a 1 no Napoli, no San Siro. Mas isso já é uma outra história.
