São Paulo endurece na negociação com Porto e tenta segurar Militão por mais jogos e receber mais

Com Éder Militão cada vez mais próximo de sair para o Porto, de Portugal, o São Paulo tem endurecido nas negociação para segurar o lateral direito por mais jogos e assegurar um lucro maior.

O clube português chegou ao oferecer 4 milhões de euros (R$ 17 milhões) pela negociação, mas a diretoria tricolor não está satisfeita. Tenta fazer com que os portugueses subam a oferta para 6 milhões (R$ 26,5 milhões) e ainda cedam 10% dos direitos do atleta ao São Paulo, o que garantiria ao time brasileiro lucro em uma futura venda.

Os paulistas também tentam uma forma de segurar Militão por mais alguns jogos, contando já o duelo da próxima quinta-feira, contra o Grêmio, em Porto Alegre, pela 15ª rodada do Campeonato Brasileiro. É uma decisão estratégica para dar o tempo necessário para Bruno Peres, recém chegado, entrar em forma e poder jogar 100%.

Hoje, o São Paulo é o vice-líder com 29 pontos, apenas um atrás do Flamengo. Militão é visto pela comissão como uma peça chave. Além de não ter um substituto da posição apto para entrar, há o temor de o time perder embalo nos próximos jogos do Nacional - após o Grêmio enfrenta Cruzeiro, Vasco e Sport.

Até o duelo do último sábado, quando o clube bateu o Corinthians por 3 a 1, no Morumbi, muitas dívidas pairavam sobre o futuro do lateral. O técnico Diego Aguirre tratou a possível saída dele como "rumor".

Naquele momento as negociações caminhavam, mas não havia uma proposta oficial.

Mas os sintomas de que uma saída se aproximara foram se fortalecendo. Inclusive, representantes que cuidam da carreira do jogador foram para Porto no fim de semana discutir questões pontuais e falar da negociação.

Na última sexta-feira, Valdo Militão, pai do lateral, deu uma entrevista para o jornal português "A Bola" afirmando que o jogo contra o Corinthians seria a despedida do filho do São Paulo e que o lateral estaria a disposição do Porto em 28 de julho para ser apresentado para a torcida antes do jogo com o Newcastle. Depois negou ter dito isso.

Após o triunfo contra o Corinthians por 3 a 1, os companheiros de equipe se reuniram em volta de Militão, no gramado, e fizeram uma festa particular. O lateral não havia sido decisivo, mas ganhou atenção especial.

Depois, ao deixarem o Morumbi rumo ao ônibus, ainda que muitos jogadores não tenham confirmado a saída do atleta para o Porto, eles também não desmentiram e disseram que "era assunto para a diretoria".

A situação repercutiu muito mal entre os torcedores, que atacaram a diretoria e pediram para que Militão não fosse negociado, temendo o enfraquecimento do time, vice-líder do Brasileiro.

O São Paulo entendia que não tinha o que fazer. Desde janeiro, tentou renovar o contrato do lateral direito, mas o estafe do jogador recusou três tentativas. Naquele período já havia o interesse de Militão em jogar fora do país e intermediários do Porto já o tinham sondado. Foram conversas que agradaram ambos os lados.

Uma saída neste momento ao menos assegurará retorno financeiro ao São Paulo. O lateral tem contrato com o clube até 11 de janeiro de 2019. Ou seja, a partir de 11 de agosto ele estará livre pela lei para assinar um pré-contrato com qualquer outra equipe, podendo sair de graça ao final do vínculo contratual.

Uma previsão feita pela diretoria aponta que o clube paulista precisa ainda de duas vendas para alcançar a meta de arrecadação prevista no orçamento de 2018: R$ 100 milhões.

O valor bruto já superou o estipulado (é em torno de R$ 122 milhões), mas com impostos, taxas, pagamento de intermediários, divisão de direitos (nem todos os que saíram era 100% do São Paulo) etc., além do gasto em contratações em 2018, há o entendimento de que o valor líquido ainda não chegou à meta.