Apenas o primeiro Mundial, em 1930, não teve um jogo pelo terceiro lugar. Na ocasião, Iugoslávia e Estados Unidos ficaram empatados na terceira posição.
E se dependesse de algumas personalidades do esporte, o jogo voltaria a não acontecer.
Técnico da Holanda em 2014, Louis van Gaal mostrou-se veementemente contrário a ter de disputar a partida, há quatro anos.
"Acho que esse jogo nunca deveria ser jogado. Digo isso há 10 anos. O pior de tudo é que você tem a possibilidade de perder duas vezes seguidas. Num torneio em que você jogou tão bem, acaba voltando para casa como um perdedor. Só há um prêmio, que é a taça", disse, há quatro anos.
Felipão, que ganhou o Penta com o Brasil em 2002, e jogou a disputa pelo time canarinho, em 2014, e por Portugal, em 2006 (perdeu as duas), foi outro a expressar publicamente seus descontentamento.
"Esse jogo representa sofrimento, e não um jogo que você está feliz em disputar. Depois de perder a semifinal, é muito difícil motivar os jogadores para isso. É difícil impedir nossos jogadores e nós mesmos de pensarmos no que perdemos. Você pensa no que perdeu e não no que pode conquistar", disse, em 2006, o técnico.
QUEM?
A prova de que o jogo realmente não tem muito valor é o fato de que poucas pessoas se lembram de quem fica com a medalha de bronze.
A recordista em terceiros lugares é a Alemanha, com quatro vitórias. Com dois terceiros, vêm Brasil, Suécia, França e Polônia. A lista ainda traz nomes pouco comuns às primeiras posições em mundiais, como Áustria, Chile, Turquia.
Mas, ainda pior que estar listado entre os vencedores do jogo de consolação, é estar na lista dos perdedores.
Ninguém perdeu mais esse jogo que o Uruguai, com três derrotas - a última em 2010, na África do Sul, justamente diante dos alemães. Bulgária, Coreia do Sul e União Soviética também já saíram da disputa derrotados.
O Brasil saiu duas vezes com a derrota no jogo que vale o terceiro lugar: contra a Polônia, em 1974 (1 a 0), e no Mundial jogado por aqui, em 2014: 3 a 0 para a Holanda, na ressaca do lendário e eterno 1 a 7 contra os alemães na semifinal.
Venceu a partida em 1938, contra a Suécia, e ante a Itália, em 1978.
Entre os finalistas, Argentina, Hungria e Tchecoslováquia nunca disputaram o terceiro lugar. O que significa dizer que sempre chegaram às final quando disputaram semifinais.
O terceiro lugar mais marcante talvez seja o de 1998, na França. Naquele ano, a Croácia, que ratificara sua independência com um sangrento conflito, em 1995, chegou na terceira posição batendo a Holanda. No comando do ataque daquela seleção, estava Davor Suker, atual presidente da Federação Croata de Futebol.
Mas essa honraria também está prestes a perder um pouco de seu valor, dado que a Croácia está na final da Copa de 2018 e já terá um resultado melhor do que um terceiro, ainda que venha a ser derrotada pela França.
MALDIÇÃO
Entre as Copas de 1974 e 2010, vigorou uma maldição: quem conquista o terceiro lugar, não ganha a Copa seguinte. E esse tabu tem relação direta com a Alemanha.
Veja abaixo as sequências:
- A Polônia foi terceira em 1974 e saiu da Copa de 1978 na fase semifinal.O Brasil foi terceiro em 1978, mas caiu na segunda fase em 1982.
- A Polônia, terceira em 1982, caiu na semifinal de 1986. A França foi terceira em 1986, mas nem foi à Copa de 1990, na Itália.
- Terceira em 1990, a Itália foi vice em 1994, nos EUA. Terceira em 94, a Suécia nem foi à Copa da França, em 1998.
- A Croácia nem passou à segunda fase da Copa de 2002, após o seu histórico terceiro lugar de 1998. A Turquia, terceira colocada, em 2002, também não foi à Copa de 2006, na Alemanha.
- Dona da casa, a Alemanha foi terceira em 2006 e repetiu o feito em 2010, na África do Sul. E aí, acabou-se a maldição. Afinal, a Alemanha ganhou a Copa de 2014.
Curiosamente, a última seleção a ser terceira em uma Copa e vencer a seguinte, antes de 2014, havia sido também a Alemanha. Terceira em 1970, no México, ganhou o Mundial seguinte, em casa, em 1974.
