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Pamela Anderson, guerra de água com o presidente e lágrimas: a festa da França pela vaga na final

O presidente da França, Emmanuel Macron, entra no vestiário da seleção. Faz apenas alguns minutos que Les Bleus venceram a Bélgica e chegaram à terceira final da Copa do Mundo.

O local ainda não tinha virado uma loucura completa. Mas não demoraria muito. Primeiro, Macron parabenizou os jogadores: “Parabéns. Vocês deixaram o país orgulhoso e o povo francês feliz. O país está louco de alegria, graças a vocês”, ele diz.

Este foi seu primeiro jogo na Rússia com o time e ele estará de volta no domingo, para a final. Um a um, ele cumprimenta os jogador com algumas poucas palavras para cada um deles.

Benjamin Mendy, ex-jogador do Olympique de Marselha e “piadista” oficial do time, tem que fazer algo para homenagear Macron, um grande torcedor do Olympique.

“E para o presidente...”, ele começa a cantar, ao mesmo tempo em que o vestiário cai na risada e começa a acompanha-lo.

“E para o presidente...”

Uma “guerra de água” começa, todo mundo sai pulando e gritando: “Nós estamos na final, nós estamos, nós estamos, nós estamos na final! ”

Poucos minutos antes, o técnico Didier Deschamps também parabenizou seus homens: “Estou orgulhoso de vocês”, disse. “Vocês jogaram uma partida perfeita. Parabéns! Mas ainda não acabou. Na Copa do Mundo, nós só nos lembramos dos vencedores”.

A música é alta, eles cantam, eles dançam. Mendy, Blaise Matuidi, Paul Pogba puxa o grupo, obviamente. Lucas Hernández e Presnel Kimpembe estão perdendo tudo porque estão no exame antidoping.

Os jogadores mais jovens ainda não conseguem realmente compreender a magnitude do feito. “Não acredito nisso, não acredito nisso”, sussurra Benjamin Pavard, de apenas 22 anos e meros 11 jogos pela seleção, com uma final para jogar em sua primeira Copa do Mundo.

Kylian Mbappe e Ousmane Dembele também estão incrédulos. “Este é o melhor dia da minha vida”, diz Mbappe, de 19 anos, que nem sequer tem carteira de motorista, mas vai jogar uma final de Copa do Mundo no domingo.

Os mais experientes, aqueles que vieram de uma grande e dura frustração na Euro de 2016 com a desoladora derrota na final para Portugal, têm palavras importantes.

“Isto não é nada. Nós não ganhamos nada. Ainda não acabou”, dispara Matuidi no túnel em seu retorno para o vestiário.

“Não podemos fazer como em 2016. Ainda tem mais um jogo, vamos ficar calmos, vencer isso e então aproveitar”, diz Pogba.

Os jogadores conferem seus celulares e descobrem a incrível cena em casa, a Champs Elysees tomada por torcedores, as milhões de pessoas celebrando nas ruas em todo o país. Eles não conseguem acreditar no que estão vendo.

O melhor momento da noite, de qualquer forma, aconteceu um pouco depois. De volta ao Corinthia, o hotel no centro de São Petersburgo, Les Bleus estão reunidos com seus familiares. Deschamps decidiu que o time passaria a noite na cidade, ao invés de voar de volta para Moscou direto, como usualmente faziam. Então ficou bem emotivo. Muitos abraços e beijos, algumas lágrimas. Yeo Moriba, a mãe de Pogba, esteve na Rússia desde o começo da competição. Ela esteve em todos os jogos e ela diz para seu filho trazer de volta a Copa do Mundo. O jantar é coletivo, discreto, mas significa muito para todos ali. É a primeira vez que os jogadores aproveitam suas famílias em duas semanas, desde o pós-jogo contra a Dinamarca.

Pamela Anderson, ex-estrela de Baywatch (S.O.S. Malibu, na primeira exibição no Brasil) e namorada do zagueiro Adil Rami, está lá. Ela pode se orgulhar de seu homem, que tem feito um papel muito importante na equipe. Sua barba é o novo amuleto. Os jogadores tocam nele antes do jogo e o time segue vencendo. Funcionou de novo na terça-feira.

A França de 1998 tinha o beijo de Laurent Blanc na careca de Fabien Barthez, e em 2006 eles tinha o lema “Nós vivemos juntos, nós morremos juntos”, criado pelos jogadores. Neste ano, a terceira final de Copa do Mundo nos últimos seis torneios, é o bigode de Rami.

Na quarta-feira, os jogadores franceses tiveram um descanso e acordaram com as imagens cheias de alegria e prazer em suas cabeças. É um dia para saborear. A França está na final da Copa do Mundo e tem um encontro com seu destino no domingo, 20 anos depois de seu último triunfo.