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Eric Dier, da Inglaterra, fala português fluente, vale R$ 180 milhões e ainda é gênio

Autor do gol de pênalti que decretou a vaga da Inglaterra para as quartas de final da Copa do Mundo no duelo contra a Colômbia, o volante/zagueiro Eric Dier, do Tottenham, é um personagem um tanto único no futebol inglês.

Homem de confiança do técnico Gareth Southgate, o atleta de 24 anos é nascido em Cheltenham, Dier se mudou com a família para Portugal quando tinha apenas sete anos, já que sua mãe aceitou um convite da Uefa para trabalhar na organização da Eurocopa 2004 no país.

Depois, seus pais voltaram para a Inglaterra, mas Eric ficou morando em Lisboa, pois entrou nas categorias de base do tradicional Sporting e iniciou a carreira por lá.

"O Dier subiu para o profissional numa fase em que o Sporting não estava muito bem. Foi um dos piores anos da história, nós terminamos em 7º lugar no Português. Tanto é que caiu o presidente e assumiu esse que estava no lugar até uns dias [Bruno de Carvalho] . Nessas mudanças, vários jogadores foram promovidos da base, entre eles o Eric", lembra o goleiro Marcelo Boeck, que defendeu o Sporting nesta época e atualmente joga pelo Fortaleza, à ESPN.

Apesar da fase ruim, o brasileiro lembra que o inglês já mostrava personalidade desde muito garoto.

"Sempre foi um cara de caráter, personalidade muito forte. A gente via nele um jogador que teria grande futuro, com perfil de ser capitão e lider em qualquer clube que passasse. Apesar de ser muito novo, e ele uma postura extremamente profissional para alguém da idade dele", exalta.

Por ter morado em Portugal até 2014, ano em que deixou o Sporting para jogar no Tottenham, Dier fala português fluente, com apenas um leve sotaque.

"A formação e educação dele foi basicamente toda em Lisboa. Então, ele fala o português de Portugal com perfeição, com só um pouquinho de sotaque britânico. Ele fala inclusive as gírias de Portugal, acredita?", conta Boeck.

Mas apesar de ter crescido em outro país, Eric sempre ostentou uma postura de lorde inglês, segundo lembra o goleiro.

"Sempre foi um rapaz muito sério e correto. Era um cara diferente do resto, pois mantinha essa linha bem do estilo inglês, com os hábitos e culturas da Grã-Bretanha", rememora.

Outra característica do hoje astro do Tottenham que impressionava o brasileiro era sua inteligência fora da curva.

"Ele é muito, mas muito inteligente. É um cara que a gente pode até dizer que é extraclasse em termos intelectuais. É um cara que não é 'jogador de bola', mas sim atleta profissional", elogia.

"E isso é fácil de ver tanto dentro quanto fora de campo. Por essa inteligência dele o Eric atingiu o patamar de titular do Tottenham e jogador de seleção inglesa, assim como adquiriu um ótimo status financeiro, já que é extremamente organizado e planejado com o dinheiro dele", afirma.

FOI RESERVA DE EX-PALMEIRAS

Quando começou no Sporting, Dier era reserva do zagueiro Maurício Nascimento, ex-Palmeiras.

"Ele ficava no banco, pois a dupla titular era formada por Marcos Rojo, da seleção da Argentina, e eu. Mas todas as vezes eu tinha que treinar dando 110%, pois sabia que se desse brecha ele ia pegar minha posição", conta Mauríco, à ESPN.

"Dier é um ótimo zagueiro. Ele era um 'bicho', treinava muito. Eu falava: 'Você treina tanto assim e não está cansado?' Era muito focado, e por isso que está onde está hoje, jogando Copa do Mundo. Eu torço muito por ele, porque é um cara humilde demais", elogia.

O brasileiro também se lembra do hábito de leitura do amigo.

"Ele estuda muito, é uma pessoa muito culta. Sempre quer aprender coisas diferentes e eu sempre o admirei por isso. Na concentração, eu ia lá conversar e ele sempre estava lendo algum livro ou estudando no quarto. Enquanto isso, a maioria dos jogadores jogavam baralho ou estavam no videogame. Ele era focado em coisas que fossem importantes para o futuro", relata.

Mais tarde, Dier chegou a ser parceiro de zaga de outro brasileiro, o zagueiro Xandão. O ex-São Paulo é mais um que só tem elogios à cabeça boa do inglês, tanto dentro quanto fora de campo, além da dedicação mostrada pelo atleta.

"É um cara muito centrado e determinado dentro de campo. A mentalidade dele é muito disciplinada taticamente, faz tudo certinho como o treinador pede. Era acima dos demais nisso", diz, à ESPN.

"Desde cedo já se destacava já pelo porte físico e tinha vantagem em relação aos demais. Não tem tanta velocidade, mas compensa isso com a força física e o posicionamento. Tanto para desarmar ou marcar presença no setor que está. Ele é tecnicamente muito bom e consegue até jogar como volante agora e está se saindo bem", finaliza.