Kevin de Bruyne é um dos maiores astros do futebol mundial. Grande craque do campeão inglês Manchester City, tem seu valor de mercado avaliado em 150 milhões de euros (R$ 662 milhões), segundo o site especializado Transfermarkt. Pela seleção da Bélgica, que nesta quinta-feira enfrenta a Inglaterra, em Kaliningrado, às 15h (de Brasília), pela 3ª rodada da fase de grupos da Copa do Mundo 2018, o atleta de 26 anos é a esperança da conquista do inédito título mundial.
Mas houve uma época em que De Bruyne era apenas um moleque revelado pelo Genk, da Bélgica, e que, como todo aspirante, tinha que aguentar a aterna zoação dos companheiros de equipe mais velhos. Entre as temporadas 2008/09 e 2010/11, por exemplo, ele conviveu com um brasileiro de quem é grande amigo até hoje, e ao lado de quem passou poucas e boas.
Trata-se do zagueiro João Carlos, ex-Vasco e que teve o Madureira como último clube, no Campeonato Carioca deste ano. O defensor viu o meio-campista surgir na base do Genk e foi um dos responsáveis por colocar um "apelido secreto" no garoto, que ele revela em entrevista à ESPN.
"A gente colocou no Kevin o apelido de Sprite (risos)", conta, às gargalhadas, antes de explicar.
"O De Bruyne saía com a nossa turma sempre no tempo do Genk, assim como o Courtois [hoje goleiro do Chelsea]. Kevin era um cara fechado, bem tímido, e falava pouco. Aí a gente saía, geralmente para algum restaurante ou barzinho com comida brasileira, os caras mais velhos tomavam uma caipirinha e ele ficava só de olho. Aí eu falava: 'Kevin, você é criança ainda, não pode beber caipirinha. Fica só na Sprite (risos)'. Daí o apelido de Sprite pegou entre a gente, inclusive até hoje. Depois, todo mundo queria saber o porquê, e nós contamos" relata.
João Carlos conta que o hoje astro mundial adorava uma farra, apesar da timidez. O problema era a cara de "garotinho".
"Ele sempre ia ao me aniversário, não perdia um. As crianças adoravam brincar com ele, porque quando o Kevin tinha 17 anos parecia que ele tinha uns 12 (risos)", diverte-se.
"Ele sempre aparentou ter bem menos idade. Como era muito tímido, parecia ainda mais um molequinho. E ele era super atencioso com a molecada, brincava até dizer chega", lembra.
Os pais de De Bruyne, inclusive, tinham muito apreço por João Carlos, a quem viam como boa influência para o filho.
"Ele vem de uma família muito estruturada, tem uma educação fora do normal e pais muito legais. Eles sempre o acompanhavam nos treinos e jogos, e sempre me perguntavam se ele estava evoluindo", recorda.
Isso porque o brasileiro teve um papel decisivo no surgimento da joia do Genk.
"Quando o Kevin subiu para o profissional, o técnico me perguntou: 'E esse garoto, acha que tem futuro?'. Eu respondi na lata: 'Professor, ele não pode mais descer pra base. Tem que ir com o grupo para os jogos, nem que seja pra ficar no banco'. O treinador ainda falou: 'Ele é muito jovem, muito quieto...'. E eu cravei: 'Tem que levar, professor, ele tem muita qualidade'. Ainda bem que ele me ouviu", exalta João Carlos.
"Eu não era só o capitão do Genk, era uma espécie de líder geral, porque nosso treinador não era de falar muito. Eu que precisei chamar a responsabilidade naquele momento. Qualquer decisão sobre treino, folga, essas coisas, passava por mim. Eu decidia pelo bem do grupo e por isso ganhei respeito e fiz muitas amizades. Éramos um time muito unido. Qualquer festinha ou encontro tinha pelo menos uns 16 jogadores com a família", rememora.
Após estourar de vez no futebol belga, De Bruyne foi negociado pelo Genk com o poderoso Chelsea em 2012. Ele demorou um pouco para se firmar nos grandes clubes, mas após passar por Werder Bremen e Wolfsburg na Alemanha, chegou ao Manchster City em 2015 e virou um craque de qualidade mundial nas mãos de Josep Guardiola.
"Ele explodiu muito rápido. Depois disso, nunca mais saiu do profissional. Eu só ajudei a ele ter uma oportunidade. Mas era só uma questão de tempo para ele explodir e virar fenômeno. Se fosse não fosse no Genk, seria um outro lugar. O que mais ajudei talvez foi foi essa chance chegar mais rápido", minimiza o brasileiro.
Os amigos, aliás, se encontraram recentemente em uma pré-temporada de treinos dos Citizens em Abu Dhabi, quando João Carlos estava jogando pelo Al Jazira, dos Emirados Árabes. E, como era de se esperar, a zoeira rolou solta.
"Nós nos vimos no CT do Al Jazira uns tempos atrás. Ficamos na resenha e saímos para tomar uma juntos. Dessa vez ele já podia beber vinho, falei pra ele que não precisava mais ficar só na Sprite. Mas ele não é de beber muito, é tranquilão. Eu falei: 'Kevin, você está de folga, pode tomar um pouquinho de vinho', mas ele é menino bom, comportado", brinca.
AGENDA
Inglaterra x Bélgica - 28/06 - 15h (de Brasília) - Estádio de Kaliningrado
