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O jogador que largou a Copa no meio para conhecer a filha: 'Tem coisas que vão além do futebol'

Jonas Knudsen teve uma semana e tanto.

Na semana passada, ele chegou na segunda-feira à Rússia com o restante do elenco da Dinamarca. Na terça, sua esposa, Trine, deu a luz ao primeiro filho do casal, três semanas antes do esperado. Na quarta, seus colegas de equipe se reuniram com ele e disseram que haviam feito uma vaquinha, alugado um avião particular e o mandaram embarcar rumo ao país natal, para que pudesse conhecer sua filha recém-nascida.

Knudsen participou do primeiro jogo da Dinamarca na Copa, a vitória por 1 a 0 sobre o Peru, no sábado, mas logo depois entrou no avião. 30 horas depois, tendo conhecido sua família agora expandida, ele já estava de volta à Rússia na segunda-feira, pronto para o encontro com a Austrália, na terça - a partida terminou em empate por 1 a 1, deixando a classificação no grupo C para a última rodada, contra a França.

É... De fato, foi uma grande semana!

"Foi uma loucura, mas totalmente sensacional", disse um empolgado Knudsen à ESPN, sorrindo com a alegria de agora ser pai.

"Agora está tudo bem. Foi uma cesariana de emergência, mas minha esposa e minha filha estão bem, isso e o mais importante. Foi delicioso poder voltar e estar junto delas, mesmo que tão rápido. É diferente de fazer um FaceTime ou Skype. O melhor foi senti-la nas minhas mãos e no meu peito", emocionou-se.

O bebê ainda não tem um nome, mas não há pressa em decidir: "Nós conversamos e já pensamos em algumas possibilidades, mas ainda não tomamos a decisão. No momento, o importante é que elas estão bem de saúde, então está tudo perfeito".

O elenco dinamarquês tomou a decisão de fretar um voo como prova de união do grupo. A comissão técnica de início não achou muita graça, já que o lateral perderia tempo crucial de preparação para o jogo contra a Austrália, o que não é nada ideal. Mas os ateltas insistiram, sabendo que há coisas maiores que o futebol. Por fim, a liberação veio.

Essa, inclusive, nem foi a primeira vez que um nascimento impactou a equipe: no início de junho, pouco antes do início da Copa, o meia Christian Eriksen, principal jogador da seleção, deixou a concentração para conhecer o filho recém-nascido.

"Tem coisas que vão além do futebol. Somos serem humanos. Então, decidimos que teríamos que fazer todo o possível para que Jonas pudesse ir para casa conhecer sua garotinha", disse o goleiro Kasper Schmeichel, ele mesmo pai de dois, na última quarta-feira.

"Eu nem consigo imaginar o quanto deve ter sido difícil para Jonas receber a mensagem da sua esposa e não poder estar lá para ajudar, Então, não houve a menor dúvida de que éramos nós, como equipe, quem tínhamos que ajudá-lo", completou.

Knudsen sorriu ainda mais quanto o questionei sobre a generosidade de seus colegas.

"Foi algo inacreditável. Só pode deixar um 'obrigado' enorme para eles por fretarem uma avião para mim só para que eu pudesse passar em casa. Não há como agradecê-los o bastante por isso", disse.

O ala, que joga pelo Ipswich, da Inglaterra, ainda não entrou em campo no Mundial. No entanto, ele diz que, mesmo que fique a competição inteira sentado no banco, jamais se esquecerá de tudo.

"Todos nessa equipe foram brilhantes comigo. Do médico, ao fisioterapeuta, ao técnico... Todos fizeram essa situação terminar de maneira perfeita. Como se diz 'obrigado' o bastante para tudo isso?", encerrou.