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Messi? Quem é Messi? Zagueiro da Islândia não conhece atletas famosos e garante: 'Não tenho medo de nada'

Em 14 de novembro de 2013, a Islândia se preparava para enfrentar a Croácia pelos playoffs das eliminatórias da Copa do Mundo de 2014, competição à qual nunca havia conseguido chegar em toda a história.

Escolhido para participar da entrevista coletiva no dia prévio ao duelo, o zagueiro Ragnar Sigurdsson, um dos líderes do elenco, foi questionado sobre como faria para marcar o atacante Mario Mandzukic, maior nome do ataque croata, no duelo decisivo pela vaga no Mundial do Brasil.

A resposta deixou todos perplexos.

"Mandzukic... Quem é esse? Não sei quem é...", disparou.

Todos acharam, é claro, que se tratava de uma piada. Encararam o zagueiro, como se esperassem que ele desse uma risada e dissesse que sua frase não passou de uma brincadeira. Afinal, como ele podia não conhecer o centroavante titular do Bayern de Muniquee da seleção croata?

Mas não foi assim...

"Não, não estou brincando. Não sei quem é Mandzukic", garantiu.

Já aceitando aquilo como realidade, os jornalistas fizeram uma última pergunta: se ele tinha medo de enfrentar um dos centroavantes mais letais do futebol europeu.

Sem esboçar qualquer reação, Sigurdsson foi direto.

"Nunca tive medo de nada na minha vida".

Será este homem que terá a missão de parar Lionel Messi, o maior craque da Argentina, durante a estreia da Islândia na Copa do Mundo de 2018, neste sábado, às 10h (de Brasília), na Otkrytie Arena, em Moscou, pela 1ª rodada do grupo B da competição.

Isto é, se ele souber quem é Lionel Messi...

"ÀS VEZES FICA UM POUCO LOUCO"

Ragnar Sigurdsson nasceu em Reykjavik, capital da Islândia, e começou sua carreira no Fylkirm de seu país natal. Após três temporadas, chamou a atenção do futebol sueco e foi contratado pelo IFK Goteborg, um dos mais importantes clubes locais.

Lá, ele foi titular absoluto durante cinco anos, tornando-se um dos maiores ídolos da torcida e ganhando três títulos. Em 2011, vivendo grande fase, foi comprado pelo Copenhagen, da Dinamarca, e faturou mais dois títulos pela agremiação.

Em 2013/14, o defensor foi adquirido pelo FK Krasnodar, da Rússia, e atuou por três temporadas no time, com grande destaque. Tanto é que despertou a atenção do Fulham e foi levado para a Premier League inglesa em 2016/17.

Depois de um empréstimo aos russos do Rubin Kazan, Sigurdsson se transferiu para o Rostov, sua equipe atual, na qual segue contando com muita moral, agora aos 31 anos de idade.

Ao mesmo tempo em que teve uma carreira sólida por clubes, o zagueiro é um dos principais nomes da maior geração do futebol islandês, tendo ajudado o time a se classificar pela primeira vez na história para a Eurocopa (2016) e para a Copa do Mundo (2018). Seu estilo do jogo é sem segredos: sério. Não à toa, é apontado como o cara mais durão do atual Mundial.

Em campo, quem conhece bem Ragnar Sigurdsson é o atacante Ari, do Lokomotiv Moscou, que jogou por muito tempo ao lado do islandês no Krasnodar, clube em que ambos viveram talvez seus melhores momentos na carreira.

O brasileiro diz que o defensor é "louco" quando está jogando, mas fora das quatro linhas é um cara legal.

"O Ragnar é um cara muito sério e um jogador de muita qualidade. Não é à toa que está em uma seleção de nível de Copa do Mundo. Só que às vezes é louco, um pouco louco (risos)", brinca, em entrevista à ESPN.

"Houve muitas situações engraçadas que vivenciei com ele. Coisa de dar uma loucura nele de gritar com todo mundo, principalmente. Dentro de campo, quando alguma coisa não sai legal sobre a tática, ele também dá uns gritos (risos)", conta.

"E se alguém reclamar com ele, o cara fica puto também. Ele é muito esquentado! Mas pessoalmente, no dia a dia, é bem tranquilo, na dele e muito sério. Ele se transforma em campo", revela.

Ari relembra que Sigurdsson não era de muito papo com os colegas de equipe, mas tinha um carinho especial pelos brasileiros do elenco: além do atacante, havia também o meia Wanderson, ex-Fortaleza e River do Piauí.

"Ele não era de conversar muito com os russos, mas com os estrangeiros, como eu e o Wanderson, trocava muita ideia. Sentávamos para bater papo, falar dos jogos, da vida... Com a gente, ele falava um pouco da vida dele e dos times que tinha passado. Ele realmente respeita as pessoas, mas de quem ele não tem proximidade é mais fechado, na dele, não conversa tanto", diz.

Resta saber que Sigurdsson vai querer bater papo com Messi no jogo deste sábado.