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'CR7 do Irã' tem pinta de modelo e 1,2 milhão de seguidores, mas, onde joga, ninguém o conhece

27 de julho de 2017, Estádio Velódrome, na França.

O Oostende, da primeira divisão da Bélgica, ia para seu compromisso internacional válido pela 3ª fase eliminatória da Europa League diante do poderoso Olympique de Marselha. Com um ar confiante e de cabeça erguida entrava em campo para sua estreia Ramin Rezaeian.

"Quem?", perguntava-se incessantemente o torcedor da equipe do município localizado em Flandres. Afinal, o iraniano de 28 anos, que está entre os 23 convocados pelo português Carlos Queiroz para a Copa do Mundo da Rússia, havia passado apenas por clubes locais, como Rah Ahan Yazdan FC, Saba Battery Qom e Persepolis antes de sua primeira aventura em solo europeu.

O que poucos faziam ideia, porém, é que a pouco mais de 4000 quilômetros dali, milhões de pessoas comemoravam a entrada de Rezaeian entre os titulares do Oostende.

Em seu país natal, o lateral-direito é extremamente conhecido. Basta dar uma rápida olhada em sua conta oficial do Instagram, @raminrezaeian, para ter certeza do fato: são 1,2 milhões de seguidores em sua rede social, enquanto que suas fotos geralmente são curtidas por, no mínimo, 100 mil usuários, em média.

"O primeiro clube dele na Europa foi o Oostende e ele veio pra Europa para se adaptar ao futebol daqui e evoluir antes da Copa. Ele teve um momento difícil na carreira. No Irã, ele é fenômeno indiscutível e titular da seleção, bem conhecido e respeitado por milhões de pessoas", comenta o brasileiro Fernando Canesin, que atua com o iraniano no clube belga, em entrevista exclusiva à ESPN.

"Aqui ele não é famoso, mas, lá, ele é. Isso está dificultando porque ele está se acostumando a isso. Tem muita qualidade e é muito rápido. Ele chega muito à linha fundo. Defensivamente, ele não é tão forte porque era meia-atacante no começo de carreira. Antigamente, o treinador falou que não teria muito espaço na posição e o colocou na lateral e depois não saiu mais", continua.

E dá para se ter uma ideia de por que Rezaeian é tão conhecido e midiático pelos lados do país asiático. O jogador tem uma total pinta de modelo e quase sempre tira fotos exibindo seus penteados diferentes, as vestimentas ousadas ou até mesmo seus exercícios físicos na academia.

Claro, sempre ostentando seus "carrões" e até mesmo um iate, com quem dividiu em uma viagem com seus companheiros de seleção iraniana. Sua bolsa da grife francesa Louis Vuitton, avaliada em mais de 2 mil dólares, também chama atenção nas imagens.

"Me ponho no lugar dele porque é um fenômeno no Irã e desconhecido na Bélgica. É bem extrovertido, ri muito. Pessoal gosta muito dele e brinca demais. Como vai para a Copa, ele dá passe e vira a cara no treino, é marrento demais (risos). Pega muito bem na bola em cobranças de falta e escanteio, é um fenômeno. Quando faz um gol fera ele faz o gesto do Cristiano Ronaldo", gargalha Canesin, lembrando da autoestima elevada do companheiro.

"Daí, o pessoal brinca demais com ele. Estamos tentando ajudá-lo da melhor forma possível para não abaixar a cabeça porque está passando por um momento difícil e não tem jogado muito. Tentamos deixar bem à vontade para que possa ir sem problemas para a Copa do Mundo", continua.

Pelos números, aliás, percebe-se a falta de ritmo de jogo de Rezaeian. Nesta temporada, a primeira no futebol europeu, ele entrou em campo apenas 25 vezes, sendo que em boa parte do ano saiu do banco de reservas. Já por sua seleção, é titular absoluto da lateral direita.

"Ele é treinado pelo Carlos Queiroz e, quando chega aqui, ele sempre brinca comigo, falando uns palavrões em português que aprendeu lá (risos). Ele fala inglês com o elenco e consegue conversar. Dou muita risada com ele porque é o primeiro jogador que conheço dessa cultura. Ele tem horas que é mais fechado, em outras é mais parceiro", descreve Canesin.

Agora, os jogos diante de Marrocos (15/06), Espanha (20/06) e Portugal (25/06) servirão para Rezaeian, finalmente, conquistar os holofotes fora de seu continente.

"Ele tem 1,2 milhão de seguidores de Instagram que seguem ele no Irã e, aqui na Bélgica, ninguém o conhece. Ele está conhecendo uma cultura nova. Ele me disse que espera fazer uma grande Copa do Mundo para aparecer para o cenário europeu e ficar conhecido fora do país dele".